Vacina de dose Ășnica da Johnson pode ser menos efetiva contra variante Delta, sugere estudo preliminar

Por O GLOBO, SOCIEDADE 21/07/2021 Ă s 11:31

Um novo estudo, de especialistas da Univesidade de Nova York (NYU), indica que a vacina contra a Covid-19 produzida pela Johnson & Johnson por meio da subsidiĂĄria Janssen pode ser menos efetiva contra as variantes Delta e Lambda do coronavĂ­rus.

A pesquisa ainda nĂŁo passou por revisĂŁo de especialistas independentes nem foi publicada em revista cientĂ­fica.

As descobertas sugerem que pessoas vacinadas com o imunizante da J&J podem precisar receber uma segunda dose.

Os autores sugerem que esta dose extra poderia ser de uma das vacinas de mRNA produzidas pela Pfizer/BioNTech ou Moderna.

A agĂȘncia reguladora dos EUA, Food and Drug Administration (FDA), no entanto, informou que “os americanos que foram totalmente vacinados nĂŁo precisam de uma dose de reforço neste momento”.

Embora o virologista Nathaniel Landau, da NYU, que liderou o estudo, acredite que os dados possam levar o FDA a rever suas diretrizes, seus pares ouvidos pelo NYT crĂȘem ser improvĂĄvel que a agĂȘncia mude suas recomendaçÔes com base em um estudo de laboratĂłrio.

Para o novo estudo, os cientistas analisaram amostras de sangue coletadas de 17 pessoas que haviam sido imunizadas com duas doses de uma vacina de mRNA e outras 10 pessoas com uma dose da vacina da Johnson.

As conclusĂ”es, no entanto, estĂŁo em desacordo com os estudos preliiminares jĂĄ publicados pela prĂłpria Johnson & Johnson no inĂ­cio do mĂȘs. Estes apontam que uma Ășnica dose do imunizante protege contra a variante mesmo oito meses apĂłs a vacinação.

O novo estudo Ă© consistente com as evidĂȘncias de que apenas uma dose da vacina de duas doses de Oxford/AstraZeneca — que usa tecnologia semelhante Ă  da J&J  — apresenta cerca de 33% de efetividade contra doenças sintomĂĄticas causadas pela variante Delta. Os dois imunizantes fazem parte do Programa Nacional de Imunização (PNI).

A Delta Ă© a versĂŁo mais contagiosa conhecida do coronavĂ­rus. Ela foi identificada pela primeira vez na Índia e posteriormente registrada em diversos paĂ­ses, incluindo o Brasil.

— A mensagem nĂŁo Ă© a de de que as pessoas nĂŁo devem tomar a vacina da Johnson & Johnson. Mas esperamos que, no futuro, ela seja potencializada com outra dose da prĂłpria J&J ou da Pfizer ou Moderna — afirmou Landau,, tambĂ©m professor da Faculdade de Medicina Grossman da NYU.

Outros especialistas disseram ao NYT que os resultados sĂŁo os esperados, pois todas as vacinas parecem funcionar melhor quando administradas em duas doses.

— Sempre pensei, e sempre disse, que a vacina da J&J (deveria ser) uma vacina de duas doses — disse John Moore, especialista em vírus da Weill Cornell Medicine em Nova York.

Moore apontou vårios estudos em macacos e pessoas que demonstraram eficåcia ainda maior com duas doses da vacina da Johnson, em comparação com uma dose. Ele afirmou ainda que o novo estudo era particularmente confiåvel porque foi conduzido por uma equipe sem vínculos com nenhum dos fabricantes de vacinas.

Mas os dados do novo estudo “não levam em conta a natureza completa da proteção imunológica”, rebateu Seema Kumar, porta-voz da J&J. Estudos financiados pela empresa indicaram que a vacina “gerou atividade forte e persistente contra a variante Delta que se espalha rapidamente”, disse ela.

A variante Delta é atualmente responsåvel por 83% das infecçÔes nos EUA, informaram os Centros de Controle e Prevenção de Doenças na terça-feira.

A variante também pode ser a principal responsåvel por um aumento recente nas infecçÔes e hospitalizaçÔes no país.

Mas mais de 99% das internaçÔes e mortes ocorrem entre pessoas não vacinadas. As taxas de imunização nos EUA estagnaram, com pouco menos de 60% dos adultos totalmente protegidos contra o coronavírus.

EvidĂȘncias sobre o uso da vacina da Johnson nos EUA sĂŁo limitadas, porque ela passou a ser usada no paĂ­s depois das vacinas de mRNA. Mas durante a campanha de vacinacĂŁo nos EUA, foram relatados coĂĄgulos sanguĂ­neos e uma sĂ­ndrome neurolĂłgica rara relacionados ao uso do imunizante.

Mas estudos preliminares publicados por pesquisadores afiliados à J&J também sugeriram que  os anticorpos estimulados pelo imunizante ganham mais força ao longo de oito meses.

A equipe de Landau, argumenta Dan Barouch, virologista do Centro MĂ©dico Diaconisa Beth Israel, que participou de um dos estudos da J&J, provavelmente teria observado um aumento semelhante na potĂȘncia do imunizante se tivesse analisado os dados ao longo do tempo.

— Fundamentalmente, não vejo que haja qualquer discordñncia. — disse ele —  As respostas imunológicas não são estáticas ao longo do tempo.

Barouch acrescentou ainda que o novo estudo também não considerou outros componentes importantes da defesa imunológica.

Vacina de dose Ășnica

Poucas vacinas sĂŁo administradas em dose Ășnica, porque a segunda dose Ă© geralmente necessĂĄria para aumentar os nĂ­veis de anticorpos, observou Akiko Iwasaki, imunologista da Universidade de Yale.

Pessoas que foram vacinadas com o imunizante da J&J “estĂŁo contando com essa resposta primĂĄria para manter altos nĂ­veis de anticorpos, o que Ă© difĂ­cil, especialmente contra as novas variantes”, disse a especialista. Reforçar a imunidade com uma segunda dose deve aumentar os nĂ­veis de anticorpos o suficiente para combater as variantes, acrescentou.

EvidĂȘncias sugerem que usar uma vacina de mRNA na segunda dose, em vez de outra da J&J, pode ser de fato positivo: vĂĄrios estudos mostraram que combinar uma dose da vacina da AstraZeneca com uma outra das vacinas da Pfizer/BioNTech ou Moderna aumenta a resposta imunolĂłgica de forma mais eficaz do que duas doses da AstraZeneca.

Vacina da Sinopharm induz resposta mais fraca contra Delta

Outro estudo, sobre a vacina contra Covid-19 da Sinopharm, da China, aponta que ela induziu respostas mais fracas de anticorpos contra a variante Delta. A pesquisa foi feita em laboratório, baseada em amostra de pessoas no Sri Lanka. É a primeira divulgada sobre seu efeito contra a versão mais contagiosa do coronavírus, mas ainda não foi revisada por pares.

Os níveis de anticorpos em pessoas que receberam o imunizante da Sinopharm tiveram uma redução de 1,38 vezes em relação à variante Delta em comparação com a versão anterior do coronavírus. O estudo foi realizado por cientistas da Universidade de Sri Jayewardenepura, do Conselho Municipal de Colombo no Sri Lanka e da Universidade de Oxford no Reino Unido.

A vacina também mostrou uma redução mais pronunciada, de 10 vezes, nos níveis de anticorpos contra a variante Beta, encontrada pela primeira vez na África do Sul. Os dados sugerem que o imunizante pode induzir respostas baseadas em anticorpos contra as duas variantes semelhantes aos níveis observados após a infecção natural, de acordo com o estudo.

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