Um novo estudo, de especialistas da Univesidade de Nova York (NYU), indica que a vacina contra a Covid-19 produzida pela Johnson & Johnson por meio da subsidiĂĄria Janssen pode ser menos efetiva contra as variantes Delta e Lambda do coronavĂrus.
A pesquisa ainda nĂŁo passou por revisĂŁo de especialistas independentes nem foi publicada em revista cientĂfica.
As descobertas sugerem que pessoas vacinadas com o imunizante da J&J podem precisar receber uma segunda dose.
Os autores sugerem que esta dose extra poderia ser de uma das vacinas de mRNA produzidas pela Pfizer/BioNTech ou Moderna.
A agĂȘncia reguladora dos EUA, Food and Drug Administration (FDA), no entanto, informou que âos americanos que foram totalmente vacinados nĂŁo precisam de uma dose de reforço neste momentoâ.
Embora o virologista Nathaniel Landau, da NYU, que liderou o estudo, acredite que os dados possam levar o FDA a rever suas diretrizes, seus pares ouvidos pelo NYT crĂȘem ser improvĂĄvel que a agĂȘncia mude suas recomendaçÔes com base em um estudo de laboratĂłrio.
Para o novo estudo, os cientistas analisaram amostras de sangue coletadas de 17 pessoas que haviam sido imunizadas com duas doses de uma vacina de mRNA e outras 10 pessoas com uma dose da vacina da Johnson.
As conclusĂ”es, no entanto, estĂŁo em desacordo com os estudos preliiminares jĂĄ publicados pela prĂłpria Johnson & Johnson no inĂcio do mĂȘs. Estes apontam que uma Ășnica dose do imunizante protege contra a variante mesmo oito meses apĂłs a vacinação.
O novo estudo Ă© consistente com as evidĂȘncias de que apenas uma dose da vacina de duas doses de Oxford/AstraZeneca â que usa tecnologia semelhante Ă da J&J â apresenta cerca de 33% de efetividade contra doenças sintomĂĄticas causadas pela variante Delta. Os dois imunizantes fazem parte do Programa Nacional de Imunização (PNI).
A Delta Ă© a versĂŁo mais contagiosa conhecida do coronavĂrus. Ela foi identificada pela primeira vez na Ăndia e posteriormente registrada em diversos paĂses, incluindo o Brasil.
â A mensagem nĂŁo Ă© a de de que as pessoas nĂŁo devem tomar a vacina da Johnson & Johnson. Mas esperamos que, no futuro, ela seja potencializada com outra dose da prĂłpria J&J ou da Pfizer ou Moderna â afirmou Landau,, tambĂ©m professor da Faculdade de Medicina Grossman da NYU.
Outros especialistas disseram ao NYT que os resultados sĂŁo os esperados, pois todas as vacinas parecem funcionar melhor quando administradas em duas doses.
â Sempre pensei, e sempre disse, que a vacina da J&J (deveria ser) uma vacina de duas doses â disse John Moore, especialista em vĂrus da Weill Cornell Medicine em Nova York.
Moore apontou vĂĄrios estudos em macacos e pessoas que demonstraram eficĂĄcia ainda maior com duas doses da vacina da Johnson, em comparação com uma dose. Ele afirmou ainda que o novo estudo era particularmente confiĂĄvel porque foi conduzido por uma equipe sem vĂnculos com nenhum dos fabricantes de vacinas.
Mas os dados do novo estudo ânĂŁo levam em conta a natureza completa da proteção imunolĂłgicaâ, rebateu Seema Kumar, porta-voz da J&J. Estudos financiados pela empresa indicaram que a vacina âgerou atividade forte e persistente contra a variante Delta que se espalha rapidamenteâ, disse ela.
A variante Delta é atualmente responsåvel por 83% das infecçÔes nos EUA, informaram os Centros de Controle e Prevenção de Doenças na terça-feira.
A variante tambĂ©m pode ser a principal responsĂĄvel por um aumento recente nas infecçÔes e hospitalizaçÔes no paĂs.
Mas mais de 99% das internaçÔes e mortes ocorrem entre pessoas nĂŁo vacinadas. As taxas de imunização nos EUA estagnaram, com pouco menos de 60% dos adultos totalmente protegidos contra o coronavĂrus.
EvidĂȘncias sobre o uso da vacina da Johnson nos EUA sĂŁo limitadas, porque ela passou a ser usada no paĂs depois das vacinas de mRNA. Mas durante a campanha de vacinacĂŁo nos EUA, foram relatados coĂĄgulos sanguĂneos e uma sĂndrome neurolĂłgica rara relacionados ao uso do imunizante.
Mas estudos preliminares publicados por pesquisadores afiliados à J&J também sugeriram que os anticorpos estimulados pelo imunizante ganham mais força ao longo de oito meses.
A equipe de Landau, argumenta Dan Barouch, virologista do Centro MĂ©dico Diaconisa Beth Israel, que participou de um dos estudos da J&J, provavelmente teria observado um aumento semelhante na potĂȘncia do imunizante se tivesse analisado os dados ao longo do tempo.
â Fundamentalmente, nĂŁo vejo que haja qualquer discordĂąncia. â disse ele â As respostas imunolĂłgicas nĂŁo sĂŁo estĂĄticas ao longo do tempo.
Barouch acrescentou ainda que o novo estudo também não considerou outros componentes importantes da defesa imunológica.
Vacina de dose Ășnica
Poucas vacinas sĂŁo administradas em dose Ășnica, porque a segunda dose Ă© geralmente necessĂĄria para aumentar os nĂveis de anticorpos, observou Akiko Iwasaki, imunologista da Universidade de Yale.
Pessoas que foram vacinadas com o imunizante da J&J âestĂŁo contando com essa resposta primĂĄria para manter altos nĂveis de anticorpos, o que Ă© difĂcil, especialmente contra as novas variantesâ, disse a especialista. Reforçar a imunidade com uma segunda dose deve aumentar os nĂveis de anticorpos o suficiente para combater as variantes, acrescentou.
EvidĂȘncias sugerem que usar uma vacina de mRNA na segunda dose, em vez de outra da J&J, pode ser de fato positivo: vĂĄrios estudos mostraram que combinar uma dose da vacina da AstraZeneca com uma outra das vacinas da Pfizer/BioNTech ou Moderna aumenta a resposta imunolĂłgica de forma mais eficaz do que duas doses da AstraZeneca.
Vacina da Sinopharm induz resposta mais fraca contra Delta
Outro estudo, sobre a vacina contra Covid-19 da Sinopharm, da China, aponta que ela induziu respostas mais fracas de anticorpos contra a variante Delta. A pesquisa foi feita em laboratĂłrio, baseada em amostra de pessoas no Sri Lanka. Ă a primeira divulgada sobre seu efeito contra a versĂŁo mais contagiosa do coronavĂrus, mas ainda nĂŁo foi revisada por pares.
Os nĂveis de anticorpos em pessoas que receberam o imunizante da Sinopharm tiveram uma redução de 1,38 vezes em relação Ă variante Delta em comparação com a versĂŁo anterior do coronavĂrus. O estudo foi realizado por cientistas da Universidade de Sri Jayewardenepura, do Conselho Municipal de Colombo no Sri Lanka e da Universidade de Oxford no Reino Unido.
A vacina tambĂ©m mostrou uma redução mais pronunciada, de 10 vezes, nos nĂveis de anticorpos contra a variante Beta, encontrada pela primeira vez na Ăfrica do Sul. Os dados sugerem que o imunizante pode induzir respostas baseadas em anticorpos contra as duas variantes semelhantes aos nĂveis observados apĂłs a infecção natural, de acordo com o estudo.
