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18 setembro 2021 4:50 am

Ex-governador Rui Lino faria 97 anos neste 13 de agosto; saiba mais sobre sua trajetória

Político é lembrado por sua filha mais velha, Regina Lino, que conta histórias de sua coragem e amor à boemia

POR TIÃO MAIA, PARA CONTILNET

Última atualização em 13/08/2021 10:29

O ex-governador do Acre, na transição entre o território para a condição de Estado, José Rui da Silveira Lino, que também foi deputado federal e que faleceu em julho de 1987, em Brasília (DF), nasceu num 13 de agosto de 1924, em Tarauacá. Hoje, estaria completando hoje 97 anos de idade.

Uma de suas filhas, a ex-vereadora e ex-deputada federal Regina Lino lembra que o pai “possuía uma personalidade forte, corajosa e humana, amava a politica, o mar, a natureza, a família, a vida e os amigos”. Fundador do PTB, seguidor de Getúlio Vargas, Rui da Silveira Lino foi um opositor ferrenho da ditadura militar que solapou o poder no país, em 1964, depondo o presidente João Goulart, seu amigo pessoal.

Além de devoto da política e da democracia, Rui Lino, que é nome de bairro em Rio Branco, tinha também devoção a Dom Bosco, Santo ao qual elevava suas orações de gratidão antes do adormecer e ao amanhecer, lembra a filha Regina Lino. “Do seu caráter corajoso, conta-se, que recebeu uma ameaça do ex-governador do então território do Acre Valério Magalhães pela oposição que fazia ao seu governo e reagiu denunciando a ameaça com um megafone nas mãos, improvisando um discurso em que a frase principal era “tentaram calar a voz da liberdade””, contou a filha.

Foto: Reprodução/Alma Acreana

Segundo ela, Rui Lino pertencia a uma geração de homens farristas, que adorava bares, almoços em suas casas, cujos pratos principais era pato no tucupi, jabuti, tartarugada, peixada, tudo regado a bebidas como cerveja e whisky.

“Uma das grandes farras que ele fez foi em Fortaleza, quando fomos passar as férias na casa dos meus avós maternos, em companhia do engenheiro Carlos Pontes, casado com D. Mirtes e genro do Dr. Nabuco, um médico querido e conceituado no Acre. Pois bem, saíram os dois à noite e a comemoração foi tão grande que se perderam e não retornaram para casa. Nossa vovózinha Amélia muito preocupada pediu ao Manoel Araripe, nosso primo, uma espécie de um anjo da família, que fosse procurá-los. Depois de muito tempo, ele os encontrou em um barzinho rústico, coberto de palha, vestidos com os robes da senhorinha do bar, que ali residia e trabalhava com seu marido, enquanto as roupas deles secavam ao sol e ambos dormiam cada um em uma rede como crianças despreocupadas”, revelou.

“Como filha mais velha, o protegia de todas as formas porque o amor de nosso pai pelos filhos e por nossa mãe era incondicional. Ele gostava de nos ter perto e nos levar para onde quer que fosse. Nossa vida com ele era alegre, festiva, repleta de afeto e cuidados”, acrescentou regina. “Quando ele se foi, nos sentimos tão tristes e fomos tomados por um profundo sentimento de orfandade porque durante todo tempo que esteve entre nós vivenciamos o que é ser verdadeiramente amados por um pai. Aprendemos tantas lições importantes no decorrer de sua ausência física, a família cresceu, chegaram os netos, os bisnetos e, graças ao seu exemplo e de nossa mãe Nini, prosseguimos nos amando, apoiando, cheios de afeto, generosidade e solidariedade uns com os outros”.

Além de Regina, Rui e dona Nini tiveram outros filhos: Beth, Ovídio, Rui Filho e Gina.

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