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22 setembro 2021 12:53 am
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Irmãos são executados e grupo de extermínio que age na fronteira deixa novo bilhete

Em menos de uma semana, a região fronteiriça entre Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, teve seis execuções. Mortes aconteceram em região onde cidades são separadas por uma rua

POR G1 MS

Dois jovens, que seriam irmãos brasileiros, foram assassinados neste domingo (1°) à noite, na fronteira entre Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Em menos de uma semana, a região fronteiriça teve seis execuções sumárias.

Novamente, como ocorreu em outros casos, foi deixado um bilhete atribuindo o crime aos “Justiceiros da Fronteira”. Encontrado na cena do duplo homicídio, o papel verde diz que “não serão aceitos mais roubos na região”. Foram disparados mais de 30 de tiros.

De acordo com fontes do G1 ligadas à força de segurança do Paraguai, os dois rapazes estavam em uma motocicleta e os executores em uma caminhonete. O caso vai ser investigado pela Polícia Nacional do Paraguai.

Fronteira sangrenta

Mortes com essas características já ocorreram no passado e mais recentemente na região, que é uma das mais violentas no estado, além de ser corredor para crimes como tráfico de armas e de drogas.

Na última semana, Mateo Martínez Armoa, de 21 anos, e Anabel Centurion Mancuelo, de 22, foram executados com mais de 47 tiros em uma choperia na cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, vizinha da brasileira Ponta Porã (MS). Assista ao vídeo acima e entenda o caso. Horas antes do crime, os paraguaios Mateo e Anabel trocaram declarações de amor nas redes sociais.

O corpo de um adolescente também foi encontrado sem mãos, com um bilhete nesta semana: “Os justiceiros estão de volta”. Ainda não há comprovação de que os crimes de fato são obra do mesmo grupo, pois as investigações ainda estão no início.

‘Justiceiros’ na fronteira

O delegado Vieira, que comanda a Polícia Civil em Ponta Porã, disse que a maioria dos casos de execução na linha de fronteira acontecem do lado paraguaio e, por este motivo, as investigações ficam restritas ao país vizinho. “Estamos em alerta, não ficamos alheios, mas formalmente não investigamos os casos recentes”, explicou.

Na opinião de Vieira, “coincidentemente, a maioria [dos executados] tem antecedência em crimes contra o patrimônio” e que as investigações da polícia paraguaia devem encaminhar para elucidação de quem ou quais pessoas fazem parte dos “Justiceiros da Fronteira”, que assinaram os crimes recentes.’

“Eles se denominam dessa forma. Não deixa de ser uma organização criminosa que faz justiça com as próprias mãos”, disse.

O delegado disse que nenhum caso, assinado por “Justiceiros da Fronteira” aconteceu recentemente em Ponta Porã, mas não descarta que no passado tenham ocorrido execuções semelhantes na cidade brasileira. Além de apontar que a autoria dos crimes pode estar relacionada a uma pessoa ou uma organização criminosa.

“Às vezes pode ser apenas um homem, ainda estamos em investigação e não temos nenhuma informação da polícia paraguaia. Conosco não temos nenhuma informação sobre a investigação”, frisou.

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