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16 setembro 2021 9:57 pm

Mais dois fardos de navio nazista são encontrados em praias de Salvador

De acordo com oceanógrafo Carlos Peres Teixeira, da Universidade Federal do Ceará, objetos de borracha serviriam de matéria-prima para pneus e armas do exército alemão

POR O GLOBO

Última atualização em 03/08/2021 14:32

A Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb), na Bahia, localizou mais duas caixas misteriosas na orla da cidade na manhã desta terça-feira. Os objetos foram encontrados nas praias do Flamengo e de Itapuã, em frente à Igreja da Vila Militar. Por conta do peso — aproximadamente 200kg — os itens serão removidos da faixa de areia com o auxílio de um caminhão e encaminhados para a Capitania dos Portos.

No fim de semana, pelo menos oito fardos foram encontrados na mesma região. O material fazia parte da carga de um navio nazista afundado 4 de janeiro de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. Os objetos na verdade são “folhas” de látex dobradas diversas vezes. De acordo com o oceanógrafo Carlos Peres Teixeira, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), trata-se de matéria prima para borracha utilizada nos pneus e armas do exército alemão.

— Esse navio foi afundado por um Destroyer americano e está afundado a 1 mil quilômetros de Recife, em linha reta, a 5,6 mil metros de profundidade. Até o ano passado era o naufrágio mais profundo já alcançado por um robô. Para se ter uma ideia, o Titanic está a 2 mil metros de profundidade — explicou Teixeira.

A relação entre os fardos e a marinha nazista foi estabelecida em 2018, quando os primeiros começaram a aparecer na costa brasileira. Na época, eles foram vistos da Bahia ao Maranhão. E nos meses seguintes chegaram até a Flórida, nos Estados Unidos.

A descoberta ocorreu a partir de uma inscrição que continha nos fardos, dizendo: “Made in Indochina”. Era nessa ex-colônia francesa — desmembrada nos países Laos, Camboja e Vietnã — que as forças nazistas recorriam às matérias-primas como a borracha. Nesse navio naufragado, também há carga de cobalto e estanho.

— Não acreditamos que essas caixas que estão aparecendo agora sejam novas. Pelo aspecto delas, acredito que sejam as mesmas. Elas chegam às praias quando a maré está mais alta, com ondas fortes — disse Teixeira.

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