Mulheres trans vĂ­timas de violĂȘncia domĂ©stica tĂȘm baixa procura por polĂ­cia no AM: ‘NinguĂ©m sabe o que fazer’

Por G1 16/08/2021 Ă s 08:05 Atualizado: hĂĄ 5 anos

Medo do julgamento, vergonha, ameaças. Muitos sĂŁo os motivos que impedem a denĂșncia de casos de violĂȘncia domĂ©stica contra mulheres trangĂȘneros e transexuais, que tambĂ©m sĂŁo amparadas pela Lei Maria da Penha.

De acordo com a Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), em Manaus, apenas 10 casos foram registrados desde a inauguração da unidade, em 2008.

Uma das vĂ­timas de violĂȘncia domĂ©stica Ă© Maria de Sousa (nome fictĂ­cio), de 45 anos. Ela conta que foi agredida em 2019 pelo companheiro, e chegou a denunciar o agressor na Delegacia da Mulher.

“Eu era espancada por ele e não podia falar nada.Tudo era motivo para ele me bater. Era muito difícil para mim contar para as pessoas porque eu tinha vergonha, medo”, relembra. “Um dia eu já estava cansada de tudo isso e tomei coragem para denunciar. Infelizmente ele não foi preso”.

Maria conta que, alĂ©m da violĂȘncia fĂ­sica, sofreu tambĂ©m com a violĂȘncia psicolĂłgica. Ela afirma que nĂŁo teve o apoio necessĂĄrio no momento em que foi denunciar.

“Na delegacia eles complicam a situação da mulher, nos colocando sob pressĂŁo. E nĂłs jĂĄ estamos machucadas, com feridas psicolĂłgicas. NinguĂ©m sabe o que fazer ou o que dizer na hora”, afirma.

Apesar de ter denunciado na Ă©poca em que sofria violĂȘncia, Maria ressalta que a decisĂŁo requer coragem. “NĂŁo Ă© fĂĄcil quando Ă© com a gente. SĂŁo tantos medos que nos impedem de denunciar, que sĂł quem estĂĄ vivendo a situação tem ideia”, pontuou.

Mulheres trans podem buscar delegacia

A delegada DĂ©bora Mafra, titular da DECCM, disse ao G1 que a procura por ajuda por parte de pessoas trans, vĂ­timas de violĂȘncia domĂ©stica, ainda Ă© considerada baixa.

“É muito rara a procura de mulheres trans na delegacia, mas todas as que procuraram receberam as medidas protetivas. A maioria das pessoas que denunciaram estavam no Ăąmbito do relacionamento Ă­ntimo, afetivo e domĂ©stico”, afirmou.

A delegada explica que nĂŁo Ă© necessĂĄrio ter o nome social declarado em certidĂŁo para a denĂșncia ser formalizada. Ela ressalta, ainda, que a visibilidade sobre o assunto pode aumentar a quantidade de denĂșncias.

“A partir do momento que a sociedade fala sobre esse assunto, ele ganha mais visibilidade e as pessoas tomam coragem para denunciar. É importante ressaltar que nĂŁo Ă© sĂł o relacionamento afetivo que configura violĂȘncia domĂ©stica, mas tambĂ©m a agressĂŁo de um tio, avĂŽ ou parente”, conclui.

Como denunciar

Em casos de violĂȘncia contra mulheres, as vĂ­timas podem denunciar pelos nĂșmeros 180, 181 e 190. AlĂ©m disso, mulheres tambĂ©m podem entrar em contato com o Canal de DenĂșncia dos Direitos Humanos, o Disque 100.

Em Manaus, os Boletins de OcorrĂȘncia podem ser realizados em qualquer delegacia. A Delegacia da Mulher, mais especĂ­fica para esse tipo de caso, possui trĂȘs unidades:

  • Rua Nossa Senhora da Conceição, bairro Cidade de Deus, Zona Norte.
  • Avenida MĂĄrio Ypiranga Monteiro, bairro Parque Dez, Zona Centro Sul.
  • Rua Desembargador Felismino Soares, bairro ColĂŽnia Oliveira Machado, Zona Sul.

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