Rebeca Andrade andava duas horas a pé para treinar e saiu de casa aos 9 anos

Por NOTĂŤCIAS AO MINUTO 01/08/2021 Ă s 10:46

Quando a crise financeira apertou na casa da empregada doméstica Rosa Rodrigues, a filha Rebeca Andrade andava duas horas a pé para treinar ginástica no Ginásio Bonifácio Cardoso, na Vila Tijuco, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Depois, o irmão mais velho comprou uma bicicleta usada para levar a irmã. Aos 9 anos, Rebeca começou a voar e foi morar em Curitiba para treinar. A mãe, dona Rosa, foi chamada de doida. Foi difícil o início da carreira da dona da medalha de prata na ginástica nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020.

Rebeca iniciou a carreira no projeto social Iniciação Esportiva, mantido pelo poder municipal para crianças e jovens entre 7 e 17 anos.

Ela começou a treinar aos 4 anos. Foi no dia da inscrição que ela ganhou o apelido de “Daianinha”.

Era uma homenagem à Daiane dos Santos, primeira ginasta brasileira, entre homens e mulheres, a conquistar uma medalha de ouro em uma edição do Campeonato Mundial. Depois, viriam mais oito entre 2003 e 2006.

A técnica da equipe Mônica Barroso dos Anjos logo identificou que os pulos e piruetas dados no meio dos seis irmãos poderiam virar coisa séria.

“A Rebeca chegou com a tia no ginásio, toda tĂ­mida. Quando pedi a ela para dar um salto, logo vi um talento incrĂ­vel, que precisaria ser lapidado”, afirmou a primeira professora.

Rebeca treinou ali por cinco anos, entre 2005 e 2010. No grupo de alto rendimento, ela ajudou a equipe a conquistar a terceira posição no Brasileiro Infantil.

Em 2009, participou até de um torneio interclubes em Cuba. A ginasta de 22 anos não foi a única a dar os primeiros passos no projeto esportivo de Guarulhos.

Júlia Cerqueira, Mariana Oliveira, Bruna Perandré, Marina Silva e Priscila Cobelo foram outras ginastas que começaram ali e conseguiram chegar à seleção brasileira.

Com apenas nove anos, Rebeca foi treinar no Centro de Excelência de Ginástica do Paraná, mantido pela prefeitura de Curitiba. Lá foi criada a primeira seleção brasileira permanente.

“As pessoas diziam vocĂŞ Ă© doida de deixar sua filha ir embora. Mas eu tive a sabedoria e a mente aberta para deixá-la seguir seus sonhos. Eu deixei que ela voasse atrás de um objetivo. Deixando tambĂ©m claro que se nĂŁo desse certo, as portas de casa sempre estariam abertas para ela. Hoje eu vejo que agi certo, por ter ouvido o meu coração”.

Em 2011, a ginasta recebeu o convite para treinar na equipe juvenil do Flamengo, onde está até hoje. Com as primeiras medalhas, Rebeca comprou um apartamento mais confortável em Guarulhos para a família.

Sua trajetória foi de superação. Por causa de ruptura do ligamento anterior do joelho direito, a ginasta de 15 anos não participou dos Jogos da Juventude de Nanquim-2015 e dos Jogos Pan-Americanos de Toronto-2015. Foi a primeira de três cirurgias a que seria submetida.

Nos Jogos do Rio, Rebeca conseguiu o 11º lugar no individual, além da oitava colocação na competição por equipes. Tinha 17 anos.

As outras cirurgias foram em 2017 e 2019. Por causa das última intervenção, ela não foi aos Jogos Pan-Americanos de Lima-2019 nem ao Mundial de Stuttgart-2019, quando tentaria classificação para as Olimpíadas de Tóquio-2020.

Precisou da terceira cirurgia. Ela conseguiu a vaga olímpica apenas no Pan de Ginástica, no Rio de Janeiro.

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