O artista plástico, memorialista e poeta Dalmir Ferreira lança nesta terça-feira (7) o livro de poesia “Sonetos apolĂticos”.
O livro
O livro “Sonetos apolĂticos” compõe-se de 82 sonetos que versam, sobretudo, acerca da realidade polĂtica e cultural do Acre. A ambiguidade do tĂtulo, revela bem a veia satĂrica e ácida do autor.
“ApolĂtico” pode ser entendido tanto no sentido de dedicação, isto Ă©, sonetos endereçados a determinados a polĂticos ou “apolĂticos”, na perspectiva mais profunda do conceito de polĂtica, e nĂŁo a rasa e mera polĂtica partidária.
Acerca do livro, diz o poeta: “Esse livro, que precedeu outros, já tem mais de vinte anos, sua publicação foi estimulada pelos que o conheceram, como o jornalista Zé Leite.”
“A obra Sonetos apolĂticos flagra essa eternidade em que vivemos – nĂłs os colonizados e colonizadores do Acre desde o Aquiry – esse “Berço indĂgena da nova nação parda” (Soneto LXIII), aqui captada por uma insurgente pena poĂ©tica que já nasceu antiga, portanto, induvidosamente, clássica!”, escreveu, na orelha do livro, o mĂşsico e escritor JoĂŁo Veras.
O posfácio do livro Ă© assinado pelo professor Gerson Albuquerque, da Universidade Federal do Acre, que assinalou: “Os temas de “Sonetos ApolĂticos” sĂŁo malditos, clássicos e vulgares, um clássico-vulgar ou vulgar clássico, talvez. SĂŁo temas de mesa de botecos, corredores de secretarias, ambientes que sintetizam os tentáculos enferrujados da máquina pĂşblica, tramas palacianas, bajulação, beira de barranco, barracĂŁo, casa grande, colocação, tapiri, senzala, distância da senzala, cor da senzala, opção pela senzala”.
A obra Ă© prefaciada pelo saudoso poeta Jorge Tufic (1930-2018), que escreveu: “A escola bocageana que desnudou frades libidinosos, falsos poetas e administradores do erário extremamente desonestos, conta, no Brasil, com a fĂ©rula incontida de Jorge Tannuri e, agora, com a verruma satĂrica de Dalmir Ferreira, meu ilustre confrade de Academia Acreana de Letras.”
O livro foi financiado pela Lei de EmergĂŞncia Cultural Aldir Blanc, executado por meio do Edital Arte e PatrimĂ´nio da Fundação de Cultura Elias Mansour. Saiu com o selo da editora VivaPalavra, e está disponĂvel nos formatos de capa dura e brochura.

“Sonetos apolĂticos” compõe-se de 82 sonetos que versam, sobretudo, acerca da realidade polĂtica e cultural do Acre. Foto: cedida
O Poeta
Dalmir Rodrigues Ferreira nasceu em 1952 no seringal Bom Destino, em Porto Acre, então Comarca de Rio Branco-AC. Fez seus estudos primários e secundários em Manaus, Rio Branco e São Paulo. Bacharel em Engenharia Operacional (1979), formou-se em História (1992) pela Universidade Federal do Acre.
No campo artĂstico e cultural, realizou a 1.ÂŞ Exposição Acreana de Artes Plásticas (1976); perito judicial do tombamento do sĂtio histĂłrico Seringal Bom Destino; presidente da Associação dos Artistas Plásticos do Acre (1992); diretor do Museu Acreano de Belas Artes (1996); presidente do Conselho Estadual de Cultura (2006); membro do Conselho Nacional de Cultura (2012), etc.
Em seu “Atelier Pensatório” reúne um dos maiores acervos culturais do estado do Acre, expressos em obras de artes, livros, objetos históricos, etc.
Dalmir Ferreira é, ainda, membro da Academia Acreana de Letras. Autor do livro “Poesia seleta” (1996).
O lançamento
O lançamento ocorrerá, virtualmente, nesta terça-feira, 7 de setembro, às 17h/Acre, por meio dos Facebook’s do autor Dalmir Ferreira e Vivarteiros de Rua e Floresta. E contará com a participação da artista plástica professora Laélia Rodrigues, o músico e escritor João Veras e Isaac Melo.

