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14 outubro 2021 2:42 am

Covid mata mais pessoas negras no Brasil, diz Rede de Pesquisa Solidária

Características raciais incidem na elevação da taxa de mortalidade mesmo em postos de trabalho hierárquicos

POR TIÃO MAIA, PARA CONTILNET

Última atualização em 27/09/2021 10:16

Levantamento organizado pela Rede de Pesquisa Solidária, que abriga várias instituições, concluiu que homens e mulheres negras são os que mais morrem por Covid-19 no país. O levantamento concluiu que, assim como para outras atividades sociais, as características raciais e de gênero incidem na taxa de mortalidade. Mesmo os negros que não ocupam subempregos morrem mais pela doença.

“Pensávamos que a mortalidade dos negros era maior porque trabalhavam em atividades mais expostas ao vírus, mas nem sempre isso é verdade”, diz ao jornal Folha de São Paulo, o sociólogo Ian Prates, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e coordenador do grupo responsável pelo estudo.

A pesquisa teve como base o Sistema de Informação sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, e foram consideradas as mortes por Covid-19 de 67,5 mil pessoas no ano passado. As vítimas tinham de 18 e 65 anos de idade e com ocupação profissional registrada no sistema da pasta. As comorbidades não foram consideradas para a apuração.

De acordo com a pesquisa, os homens negros são os que enfrentam maior riscos em todas as atividades com exceção da agricultura, segundo a pesquisa. Até entre advogados e engenheiros, que são profissões de alto nível hierárquico, os homens negros que as exercem têm mais chance de morrer pelo vírus, com risco 43% maior, e engenheiros e arquitetos, com 44%.

“O fato de o risco ser maior até para os que exercem profissões de nível superior como essas mostra o tamanho da nossa tragédia. Isso sugere que mesmo negros que ascenderam profissionalmente continuam expostos a fatores de risco que aprofundam desigualdades.”, explica o sociólogo.

As mulheres negras também estão em segundo no ranking de mortalidade, principalmente, porque são maioria nos serviços domésticos. Esse segmento enfrenta 112% mais risco de morrer da doença. A pesquisa não encontrou relevância quanto ao nível hierárquico porque as mulheres negras são minoria nesse setor.

O cargo mais representativo em que elas trabalham é a enfermagem. Na ocupação, o risco de morrer de Covid delas é 23% maior em relação aos homens brancos na mesma função.

Em serviços domésticos, o risco de morrer pelo vírus é 112% maior para mulheres negras e 73% maior para mulheres brancas, ambas em relação aos homens brancos. Na contramão da pirâmide social, o risco é 39% menor para advogadas e 22% menor para mulheres em cargos de direção.

Apesar de serem as que mais cuidam da saúde e vão regularmente ao médico, o fato de ter que despender tempo com afazeres domésticos e cuidados com crianças e idosos é um fator de risco para as mulheres.

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