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22 outubro 2021 1:40 am

Estudantes de Psicologia da Ufac se posicionam contra visita de ministro ao AC: “Projeto de desmonte”

POR CONTILNET, COM ASSESSORIA

Última atualização em 29/09/2021 17:21

Estudantes do curso de psicologia e representantes de seu centro acadêmico expressam repúdio à visita, nesta quarta-feira (29), do ministro da Educação, Milton Ribeiro, ao campus da Universidade Federal do Acre (Ufac) em Rio Branco.

Entre as atividades previstas para sua passagem pelo estado, está a inauguração do Serviço-Escola de Psicologia (Serpsi).

Os discentes se manifestam contra o desmonte das políticas de educação, contra os cortes no orçamento da universidade e contra a PEC 32/2020, que, se aprovada, vai comprometer a estabilidade dos servidores públicos e a extinção de direitos conquistados no serviço público.

A nota de repúdio ainda ressalta que o Serpsi não poderá funcionar, mesmo inaugurado, por não dispor de corpo administrativo.

Nota na íntegra:

Os estudantes do Curso de Bacharelado em Psicologia – UFAC e representantes do Centro Acadêmico de Psicologia Ângela Haddad (CAPAH) declaram posicionamento contrário à visita do ministro da Educação para inauguração do Serviço-Escola de Psicologia (SERPSI)

No Acre, em sete anos, a redução dos repasses, tanto para custeio como para investimentos, foi de 48,2%. O orçamento de custeio para 2021 da UFAC teve um corte de mais de R$ 11,9 milhões (24%) em relação ao orçamento de 2020. Os prejuízos dos cortes orçamentários alcançam tudo que a Universidade realiza: ensino, pesquisa, extensão, assistência à comunidade acadêmica e outros.

O SERPSI ainda não será espaço de estágio para o Período Letivo Regular— Ensino Remoto (PLR ER) 2021.1, por falta de corpo administrativo, assim como o Restaurante Universitário (RU), por falta de condições sanitárias.

O SERPSI, como uma das possibilidades de campo de estágio, e outras atividades, não só do nosso curso, mas de toda a Universidade, estão comprometidos por falta de investimento. Atividades como ensino, uma de nossas potências em relação ao processo de educação de pessoas que entram na Universidade; a extensão, uma das formas pelas quais podemos oferecer à comunidade ações de melhoria de vida; e a pesquisa, parte necessária para a produção e atualização de conhecimentos que já temos.

Essas são algumas de nossas dificuldades no momento, mas não todas. E a partir destas questões, se torna necessário evidenciar que a Psicologia, enquanto ciência e profissão, não deve, e nem pode, se alinhar com o sucateamento das Universidades. Nossa máxima foi sempre defender os direitos constitucionais da população, como saúde, moradia, empregabilidade e educação, assim como uma Universidade pública e de qualidade.

O CAPAH declara posicionamento contrário não apenas à visita do ministro da Educação, mas também contra o projeto de desmonte das políticas de educação. A Universidade não deve ser privilégio de poucos, ela é uma necessidade da comunidade, a comunidade que necessita de desenvolvimento de políticas de educação, eficazes para que não caiamos em vislumbres oportunistas, que, a cada dia mais, se materializam por meio de discursos vazios e falsas promessas. A negação da ciência acarreta muitos danos à sociedade, exemplo prático é a pandemia da COVID-19 no Brasil, país esse que ainda possui um dos maiores números de morte, por falta de comprometimento com a ciência e a saúde pública, esse descaso materializado por meio deste (des)governo.

No tocante à Psicologia, sobretudo ao código de ética do profissional da Psicologia, devemos compreender que nossa ciência não é neutra. Temos o comprometimento ético-político com a defesa dos direitos da população. Deste modo o CAPAH se posiciona contrário à PEC 32/2020, que é uma forma de acalentar cada vez mais o bolso de quem promete uma luta contra a corrupção, entregando os direitos da população e a responsabilidade do Estado em promover às políticas de saúde e de educação, com consequências drásticas ao atendimento das demandas sociais.

É importante, então, que se intensifique o debate acerca da inserção do trabalho do Psicólogo como um modo de intervenção nos contextos sociais, ampliando seu alcance e potência para além dos enquadres clássicos de uma clínica individual e privada. Uma vez que os efeitos do desmonte da educação e da saúde pública desconsideram as dimensões sociopolíticas do fazer em Psicologia. Isso pode ser verificado na geração de profissionais que se ocupam, não da realidade concreta em sua possibilidade de transformação, mas que privilegiam a ideia de uma subjetividade separada da realidade social e histórica, numa produção de sujeitos reificados, alienados de seus contextos.

A graduação em Psicologia consiste em promover uma reflexão que ressalta a relevância da compreensão crítica dos fenômenos sociais, econômicos, culturais e políticos do País, sendo estes fundamentais ao exercício da cidadania e da profissão, bem como a atuação compromissada em diferentes contextos, considerando as necessidades sociais; os direitos humanos e tendo em vista a promoção da qualidade de vida dos indivíduos, grupos, organizações e comunidades. Deste modo, podendo propiciar transformações, intervindo nos modelos hegemônicos de produção subjetiva.

Por fim, devemos sempre ter em mente, COMO PODEMOS ATUAR PARA A SAÚDE MENTAL DA POPULAÇÃO SE A POPULAÇÃO ESTÁ MORRENDO? SE ESTÁ COM FOME? SE O PRÓPRIO GOVERNO NÃO TENTA MODIFICAR ESSA REALIDADE?

Assim como dizia Paulo Freire, “a educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo!”

#NÃOÀPEC 32/2020
#MAISLIVROSMENOSARMAS
#FORABOLONARO

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