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21 outubro 2021 8:44 pm

Fotógrafo retrata Pantanal após queimada histórica e seca

POR G1

Última atualização em 21/09/2021 09:14

Um jacaré morto, seco e com a pele se confundindo com as crateras do chão do Pantanal. Uma anta no meio de uma reserva que já teve água com os urubus à espreita, só esperando a morte. Ricardo Martins, ganhador do Jabuti de fotografia em 2012, fez uma expedição pelo bioma em agosto e retratou, 1 ano após o fogo histórico, como está o ecossistema da região.

“O Pantanal é um ciclo, ele enche, ele seca, só que eu nunca tinha visto uma seca desse jeito. E conversando com as pessoas de lá todo mundo me falava: muito seco, muito tempo sem chover, e eu vi cenas bem dramáticas, principalmente de jacarés na busca pela água”, contou ao g1.

O fotógrafo contou que seu pai “é do bioma” e que, por isso, sempre esteve lá. “Por esse motivo, quis fazer um livro e homenagear a região, que aliás me inspirou a ser fotógrafo de natureza”. Ele está lançando o livro “Pantanal, um patrimônio natural e sua cultura”.

Ricardo Martins andou pela região e chegou a achar que todos os jacarés estavam mortos, mas, em alguns momentos, se surpreendeu.

“Nem passava pela minha cabeça que aquele bicho pudesse estar vivo, para mim ele era pele e osso. Tanto é que nem imaginei, mas, na hora que você chega perto, ele começa a se mexer. Então, pareciam zumbis andando”, contou.

Outra cena marcante, segundo o fotógrafo, foi a de uma anta tentando aproveitar o resto de água em uma reserva que já foi alagada: “Era um tanque de água, e hoje você encontra já totalmente seco. Ela estava se enfiando naquele barro até onde dava, com os olhos fechados de desespero, ali como se fosse um oásis, no meio do nada, e é o que ela tinha. E eu andei no meio dela e ela nem se preocupou de sair de tão exausta. Tinham urubus em volta verificando se ela estava morta”.

Em 2020, o Pantanal registrou o maior número de focos de fogo desde o início do monitoramento do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Pesquisadores estimaram que mais de 17 milhões de vertebrados morreram devido às queimadas.

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