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8 dezembro 2021 12:42 am

Acre registrou 44 mortes de crianças indígenas em 2020, diz Conselho Indigenista

POR NANY DAMASCENO, DO CONTILNET

Última atualização em 31/10/2021 15:50

Acre registrou, em 2020, a morte de 44 crianças indígenas na faixa de 0 a cinco anos. O dado é do relatório ‘Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil’, publicado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) na última semana.

Conforme os dados da Sesai, em todo o Brasil ocorreram 776 óbitos nesta faixa etária o que corresponde a 20,1% das 3.861 mortes de indígenas registradas pelo órgão no ano de 2020. No estado do Amazonas ocorreram 250 óbitos e em Roraima, 162. Seguem Mato Grosso, com 87, Pará, com 47, Maranhão, com 44, e Mato Grosso do Sul com 38. 15 em Pernambuco, 15 no Tocantins, 12 no Rio Grande do Sul e 11 óbitos de crianças nessa faixa etária na Bahia.

O relatório conclui que a maioria dos casos possui relação direta com a pandemia e a falta de assistência do poder público, especialmente na área de saúde.

“Grande parte dos casos relatados possui relação direta com o contexto da pandemia e a falta de assistência do poder público, especialmente na área de saúde. A falta de apoio para a instalação de barreiras sanitárias nas terras indígenas, a interrupção ou omissão no fornecimento de cestas básicas e de materiais de higiene, necessários para garantir condições básicas de proteção e prevenção contra a Covid-19, foram alguns dos casos recorrentes registrados“, diz trecho.

Outras mortes

Segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), o Acre registrou ainda uma por morte sem assistência, quando dois indígenas da etnia Kanamari morreram devido ao quadro de anemia grave e desnutrição proteico-calórica.

O Cimi registrou 45 vítimas de assassinatos no país, sendo 4 no Acre. Houve ainda o registro de um suicídio entre indígenas no estado.

Covid-19

Os povos indígenas têm sido especialmente afetados pela pandemia. Segundo os dados do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), 27 indígenas morreram no ano passado, vítimas da Covid-19.

Ninawa Huni Kuῖ, presidente da Federação do Povo Huni Kuῖ do Estado do Acre (FEPHAC), falou sobre os efeitos da disseminação da Covid-19 entre os povos “tem causado medo, sofrimento nas famílias e desequilíbrio emocional, psicológico e espiritual. Os pajés e curandeiros utilizaram de seus conhecimentos, através das plantas medicinais com chás, banhos e defumações, para amenizar os efeitos desse vírus”.

Violências sexuais praticadas contra indígenas no Brasil

O relatório também traz dados sobre violência sexual contra indígenas. Segundo CIMI, foram registrados 5 casos em 2020, sendo um no Acre quando em janeiro, conforme denúncia do Conselho Tutelar de Santa Rosa do Purus, uma criança indígena da etnia Jaminawá era abusada recorrentemente pelo próprio pai, quando este encontrava-se sob efeito de bebida alcoólica. Além desta denúncia, o pai também foi autuado por abandono de incapaz.

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