Escritor carioca lança livro sobre ex-jogador JĂșnior, do Flamengo, e concede entrevista exclusiva ao ContilNet

Por MAURO TAVERNARD, PARA CONTILNET 05/10/2021 Ă s 17:05 Atualizado: hĂĄ 5 anos

O jornalista carioca Marcos Eduardo Neves possuí extensa carreira na produção de livros biográficos, sobretudo de personalidades esportivas. Lembro como se fosse hoje quando li “Nunca Houve um Homem como Heleno”, obra que narra a trajetória do famoso futebolista do Botafogo, Heleno de Freitas, escrita de forma magistral por Marcos.

A admiração foi tão grande que me inspirou a escrever meu primeiro livro, e durante uma viagem ao Rio de Janeiro para coletar informaçÔes de Alcino, maior ídolo da história do Clube do Remo, marquei de conhecer o autor num bar do Leblon, e desde lå nos tornamos amigos.

Atualmente ele Ă© Publisher da Approach Editora e estĂĄ lançando seu novo livro, “Maestro”, sobre a trajetĂłria no Flamengo do ex-jogador JĂșnior, do qual participou na edição e produção.Escritor carioca lança livro sobre ex-jogador JĂșnior, do Flamengo, e concede entrevista exclusiva ao ContilNet

Ele tambĂ©m passou por importantes veĂ­culos de comunicação do paĂ­s, como o Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, Lance!, Placar, e colaborou com revistas como Trip, Lola e Tam nas Nuvens; e livros como “Anjo ou DemĂŽnio – A polĂȘmica trajetĂłria de Renato GaĂșcho”, “Alex – A Biografia”, “Vendedor de Sonhos – A vida e a obra de Roberto Medina” e “Nunes – O Artilheiro das DecisĂ”es”.

Confira abaixo a entrevista exclusiva com o jornalista para a ContilNet:

CN: Conte-nos um pouco da sua vida antes de seu primeiro livro, do Renato GaĂșcho.

MEN: Fiz Psicologia durante seis perĂ­odos, ou trĂȘs anos. Mas, no fundo, queria mesmo era escrever sobre “comportamento”, tipo relação pais/filhos, casamentos, traição, paixĂŁo, essas coisas. Ou seja, fiz Psicologia mas queria ser jornalista! Descobri aos 24 anos que precisava mudar de faculdade. PorĂ©m, entrei “tarde” no Jornalismo. NĂŁo me davam chance de estagiar porque eu estava “velho”, principalmente diante dos estudantes de 18, 19 ou 20 anos. Acabei fazendo um livro para usar como currĂ­culo, cartĂŁo de apresentação. Por ter sido gandula e ter me aproximado do Renato GaĂșcho na GĂĄvea, escrevi sua biografia (Anjo ou DemĂŽnio, editado pela Gryphus em 2002). Acabou que descobri nisso que o que eu queria mesmo, mais do que ser jornalista, era me tornar biĂłgrafo.Escritor carioca lança livro sobre ex-jogador JĂșnior, do Flamengo, e concede entrevista exclusiva ao ContilNet

CN: O que o motivou a escrever o livro do Renato? Por quĂȘ vocĂȘ o escolheu e como foi o processo produtivo desse projeto.

MEN: Motivou o fato de eu precisar fazer algo que me destacasse dos demais estudantes de Jornalismo e pudesse, assim, conseguir estĂĄgios com mais facilidade, jĂĄ que entrei “velho” na faculdade. TambĂ©m motivou o fato de eu ter me aproximado dele quando fui gandula do Flamengo e termos criado uma amizade, tanto com ele como com sua mĂŁe, sua noiva, seus amigos. E o fato de ele ser um Ă­dolo nacional. Acreditei que seria um projeto interessante do ponto de vista mercadolĂłgico, o que me renderia visibilidade como escritor.

Em relação ao processo produtivo, aprendi fazendo. Apurando em jornais da Ă©poca, revistas, livros, escrevendo, reescrevendo, cortando, fazendo entrevistas com amigos e profissionais do meio, alĂ©m de familiares, revisando, editando, enfim, aprendi botando a mĂŁo na massa. NĂŁo tive teoria para me ajudar. Aprendi na marra, sĂł na prĂĄtica.Escritor carioca lança livro sobre ex-jogador JĂșnior, do Flamengo, e concede entrevista exclusiva ao ContilNet

CN: Quais livros vocĂȘ escreveu depois? Qual sĂŁo as dificuldades de ser um escritor no Brasil?

MEN: Tenho 12 livros no total. Biografias do Renato GaĂșcho, do Heleno de Freitas, do Alex, do Francisco Horta, do Nunes, do Loco Abreu (junto com Gustavo Rotstein), do Roberto Medina (o criador do Rock in Rio), da construtora Servenco, do desembargador Aloysio Maria Teixeira, de Gilberto Gama (uma espĂ©cie de “Forrest Gump” brasileiro), do engenheiro ApolĂŽnio Bechara e um livro sobre os 20 principais jogos do Flamengo atĂ© 2013.

As maiores dificuldades de ser escritor é que praticamente não då para ser apenas escritor. Hoje sou editor, na Approach Editora. Faço comentårios em rådios, dou palestras, faço matérias para jornais ou revistas, enfim, viver só de livros em um país de poucos leitores é muito complicado. Mas não desisto. Acredito que ainda estou trilhando o meu caminho e um dia chego lå!

CN: Com o livro do Heleno, vocĂȘ ganhou projeção nacional, com a obra virando atĂ© filme. Conte-nos a sua trajetĂłria, do inĂ­cio das pesquisas atĂ© a estreia do filme, estrelado por Rodrigo Santoro.

MEN: Realmente “Nunca houve um homem como Heleno” me consolidou como biĂłgrafo. Entrevistei mais de 100 pessoas, algumas que faleciam pouco depois, porque era um universo de octogenĂĄrios, alguns atĂ© de 90 e poucos anos. Heleno hoje teria 101 anos, para se ter ideia. Comecei as pesquisas pelo Google, mas muita coisa nĂŁo batia. Os jornais de Ă©poca foram mais confiĂĄveis, por virem com o que acontecera no dia anterior. As entrevistas foram cruciais, porque faziam as peças do quebra-cabeça se encaixar. E optei por dar um tempero a mais, reconstituindo uma Copacabana e um Rio de Janeiro que nĂŁo existem mais, de tĂŁo glamourosos que foram, com direito a cassinos e astros de Hollywood por aqui. Heleno era mais do que um jogador, era uma personalidade. Um homem que viveu 39 anos a mil. E que foi muito bem retratado pela atuação do Santoro. Uma pena o roteiro do filme ter ficado meio capenga. Mas ainda sonho que este livro virarĂĄ minissĂ©rie. E que eu possa participar de forma mais efetiva do roteiro.Escritor carioca lança livro sobre ex-jogador JĂșnior, do Flamengo, e concede entrevista exclusiva ao ContilNet

CN: VocĂȘ fez vĂĄrios livros ao longo da carreira, como o do Francisco Horta (Fluminense) e Roberto Medina (Rock In Rio), mas o do Alex foi um sucesso de vendas, principalmente na Turquia. Quantos livros do Alex foram vendidos somando Brasil e Turquia, e como esse livro foi avaliado no exterior.

MEN: Alex, A Biografia vendeu cerca de 20 mil cĂłpias no Brasil e estĂĄ sendo reeditado mĂȘs que vem na Turquia, porque nosso contrato de 5 anos expirou. Querem renovar os direitos porque continua vendendo, isso Ă© bom sinal. Vejo que Alex lĂĄ serĂĄ como o livro do Garrincha aqui. Enquanto nenhum outro jogador for para a Turquia e ganhar o reconhecimento nacional que ele fez jus por merecer, este livro terĂĄ mais e mais reimpressĂ”es. JĂĄ bateu a casa dos 150 mil livros vendidos. É, sem dĂșvida, meu maior sucesso comercial. E me deu esse “status” de autor mundial, porque onde tem turco – e turco tem em todo lugar, que nem judeu –, o livro Ă© comprado. Volta e meia recebo postagens de alguĂ©m com o livro em Berlim, em Nova York, em Sarajevo, enfim, no mundo todo. É muito gratificante ver um “filho” meu ganhar o mundo!

CN: VocĂȘ jĂĄ trabalhou em vĂĄrios veĂ­culos de comunicação, mas nĂŁo continuou no mainstream, digamos assim. Na sua opiniĂŁo, qual foi o motivo? HĂĄ panela de jornalistas no RJ ou preconceito com escritores?

 MEN: Acho que quando nos tornamos biĂłgrafos, deixamos de ser especialistas em um determinado assunto. Isso pesa. Sabemos pouco sobre muita coisa, mas deixamos de saber muito sobre uma coisa sĂł. EntĂŁo, por exemplo, jornalista que fala sobre futebol na TV domina este assunto, mas boia se tiver que falar sobre Engenharia. NĂŁo considero biĂłgrafo quem sĂł faz biografias de cantores. Considero historiador de mĂșsica. Se sĂł faz livros de futebol, considero historiador de futebol. BiĂłgrafo Ă© tipo ator. Rodrigo Santoro mesmo jĂĄ fez papel de padre, de galĂŁ, de homossexual, enfim, navega em sete mares. EntĂŁo, nĂŁo digo que seja preconceito, mas realmente assumo que nĂŁo sei tanto sobre um Ășnico assunto como quem estĂĄ no dia a dia daquela determinada profissĂŁo. Mas estudando conseguiria rapidamente me adaptar. É uma questĂŁo do que a vida me levou a ser. PorĂ©m, nĂŁo descarto voltar ao mainstream, se preciso for. Escritor carioca lança livro sobre ex-jogador JĂșnior, do Flamengo, e concede entrevista exclusiva ao ContilNet

Escritor carioca lança livro sobre ex-jogador JĂșnior, do Flamengo, e concede entrevista exclusiva ao ContilNetCN: VocĂȘ possui uma editora. Como funciona esse tipo de trabalho e quais os trabalhos publicados? Como Ă© o mercado de obras sob demanda?

MEN: Na Approach Editora, realizamos o sonho de muitos que acham que fazer livro Ă© coisa pra Paulo Coelho, Zuenir Ventura ou Luis Fernando VerĂ­ssimo. Qualquer um pode fazer um livro. Seja escrevendo ou dando depoimentos que um profissional sĂ©rio saberĂĄ organizar em texto. NĂłs desengavetamos projetos. É uma delĂ­cia fazer o “parto” de filhos dos outros. JĂĄ fizemos livro sobre Marilene Dabus, primeira mulher a cobrir futebol no Brasil; fizemos um livro de crĂŽnicas de futebol de um peladeiro; fizemos um livro de um CEO de uma grande loja que dĂĄ dicas para nĂŁo “quebrarem” na pandemia; temos um romance em ebook, de uma autora octogenĂĄria que assina sua primeira obra; temos uma enciclopĂ©dia de Ă­dolos dos primĂłrdios do futebol tambĂ©m em e-book e preparamos agora um livro sobre o Maestro Junior, outro que Ă© sobre racismo (escrito pelo ator e cantor Thiago ThomĂ©), um guia para quem quer se aventurar no mundo das corridas e, por fim, uma compilação de crĂŽnicas da A Pelada Como Ela É, do meu sĂłcio Sergio Pugliese, que toca o Museu da Pelada.

Quanto ao mercado de livros sob demanda, ou orçamos para criar do zero um livro ou para “resolver” o texto de alguĂ©m que nĂŁo Ă© escritor mas quer eternizar sua histĂłria em formato impresso ou digital. A ordem Ă© nĂŁo deixar morrer a ideia, muito menos colocĂĄ-la na gaveta.  Escritor carioca lança livro sobre ex-jogador JĂșnior, do Flamengo, e concede entrevista exclusiva ao ContilNet

CN: VocĂȘ possuĂ­ um ritual ou cronograma na elaboração de seus livros? Conte como funciona sua rotina produtiva.

MEN: NĂŁo tenho rituais. Tudo depende da necessidade. Às vezes entrevistas resolvem. Às vezes preciso fazer pesquisas, para afinar certos pontos, resgatar histĂłrias perdidas. Cronograma sĂł tenho quando sou contratado e tenho atĂ© o mĂȘs tal para finalizar. AtĂ© entrego, mas nĂŁo Ă© o melhor dos cenĂĄrios. Porque livro Ă© arte. Se Da Vinci tivesse que entregar sua Monalisa meses antes, nĂŁo daria alguns retoques que tornaram a obra imortal. Mesma coisa com um livro. Quanto mais tempo, mais lapidação no texto, que fluirĂĄ melhor.

Quanto à minha rotina produtiva, só consigo dormir quando estou consciente de que dei o máximo de mim no dia. Seja resolvendo um capítulo ou criando algo que, por eu ser muito exigente, tenho certeza que prenderá o leitor. Um degrau por dia e em meses temos uma escadaria da Igreja da Penha. Não dá para parar, porque aplicativos não captam mente humana e o “santo” só baixa quando ficamos diante do monitor e do teclado.

CN: O seu Ășltimo livro Ă© o do JĂșnior, Craque do Flamengo, tambĂ©m seu time do coração. É diferente escrever sobre o Flamengo? Como foi a relação com o Maestro na produção da obra.

MEN: Muitos acham que “Maestro” Ă© livro meu. NĂŁo Ă©. O livro Ă© do prĂłprio Junior, feito a quatro mĂŁos com um amigo pesquisador e fĂŁ dele, Mauricio Neves de Jesus. SĂł fui o “parteiro”. Peguei o word e revisei. Organizei. Editei. Mas considero filho, de certa forma. Porque sai pela minha editora, a Approach, com o selo do Pugliese, “Museu da Pelada”.

Mas jå escrevi sobre o Flamengo algumas vezes. Fiz um livro sobre 20 jogos do clube e as biografias de Renato, Alex, Nunes, todos que passaram pelo Flamengo. Não acho diferente escrever sobre meu time. Porque separo o pessoal do profissional. Saio do torcedor de arquibancada para ser alguém que retrata um momento, seja ele bom ou ruim. Com imparcialidade, senão perco credibilidade.

Quanto Ă  Ășltima questĂŁo, sempre fui fĂŁ do futebol do Junior, acompanhei de perto, principalmente entre 1989 e 1993. E agora estou conhecendo-o melhor. E, claro, admirando ainda mais, porque Ă© uma pessoa simples, incrĂ­vel, que sabe separar o Ă­dolo do ser humano.Escritor carioca lança livro sobre ex-jogador JĂșnior, do Flamengo, e concede entrevista exclusiva ao ContilNet

Livro: “Maestro”

Autor: Junior e Mauricio Neves de Jesus

ISBN- 978-65-992260-6-9

Preço de venda – R$ 67,00

DimensĂ”es – 21cm x 21cm

Editora: Approach Editora (selo Museu da Pelada) 1ÂȘ edição

NĂșmero de pĂĄginas – 172 pgs

À venda na Amazon e Mercado Livre.

Sinopse: 

HĂĄ 30 anos, em 1991, Junior se tornou o “Maestro”. Remanescente da geração mais vitoriosa da histĂłria do Flamengo, o craque trocou a lateral pelo meio-campo e, mesmo veterano, comandou o Rubro-Negro na conquista do Campeonato Carioca. Melhor jogador do paĂ­s, enaltecido por pĂșblico e crĂ­tica, aos 38 anos ainda teve fĂŽlego para presentear o clube com o pentacampeonato nacional no ano seguinte. O dia a dia destas duas conquistas Ă© retratada neste livro, que traz informaçÔes, fichas tĂ©cnicas e charges da Ă©poca.

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