A AgĂȘncia Nacional de Energia ElĂ©trica (Aneel) aprovou nesta terça-feira, 30, as regras para a inscrição automĂĄtica de famĂlias de baixa renda na Tarifa Social, programa que garante descontos na conta de luz aos mais carentes. Hoje, 12,4 milhĂ”es sĂŁo beneficiadas com a polĂtica social. Pelas estimativas da agĂȘncia reguladora, esse nĂșmero poderia quase dobrar a partir do prĂłximo ano, pois hĂĄ 11,3 milhĂ”es de famĂlias que tĂȘm potencial para participarem do programa com o novo formato de cadastro.
A nova lei facilita que novas famĂlias carentes passem a receber os benefĂcios. Segundo o relator do processo, diretor Sandoval Feitosa, houve um aumento de 45% no nĂșmero de beneficiados no programa nos Ășltimos trĂȘs anos, mas Ă© possĂvel contemplar mais cidadĂŁos. “Essa polĂtica pĂșblica tem tanta justiça social, tanta cidadania envolvida, que ela enfrenta de frente um problema que nĂłs podemos caracterizar como a pobreza energĂ©tica. Uma parcela significativa da população, hoje 23,7 milhĂ”es fazem jus ao benefĂcio, mas apenas 52% recebem efetivamente”, disse.
As inscriçÔes automĂĄticas serĂŁo feitas pelo cruzamento de dados do MinistĂ©rio da Cidadania e das distribuidoras de energia, desde que a famĂlia atenda todos os critĂ©rios para participar do programa. A pasta Ă© responsĂĄvel por gerir os dados do Cadastro Ănico e do BenefĂcio de Prestação Continuo de AssistĂȘncia Social (BPC). Cerca de 23,7 milhĂ”es de famĂlias brasileiras estĂŁo cadastradas nessas bases de dados.
O relator do processo afirma que a alteração nĂŁo criarĂĄ um novo subsĂdio, nem altera as regras para as famĂlias jĂĄ beneficiadas. “A lei nova nĂŁo incluiu um Ășnico real de custo, elas apenas desburocratizou o acesso ao benefĂcio, fazendo efetiva a polĂtica pĂșblica”, disse. “O novo marco legal possibilitarĂĄ a inclusĂŁo de famĂlias que jĂĄ possuĂam o direito Ă Tarifa Social a exercĂȘ-lo de fato. AlĂ©m do impacto positivo para as finanças das famĂlias de baixa renda, a alteração legal traz consigo as seguintes externalidades positivas: combate Ă pobreza energĂ©tica do Brasil, a redução da burocracia”, diz em seu voto.
Com o aumento de beneficiĂĄrios do programa, o valor a ser pago por todos possivelmente irĂĄ aumentar. Isso porque os custos para manter os subsĂdios aos mais carentes sĂŁo bancados por todos os consumidores do PaĂs, incluindo grandes indĂșstrias, por meio de encargos nas contas de luz. O custo para manter o programa este ano foi de R$ 3,6 bilhĂ”es. Os recursos sĂŁo incluĂdos no orçamento da Conta de Desenvolvimento EnergĂ©tico (CDE), fundo financiado por meio de encargos nas contas de luz de todos, incluindo grandes indĂșstrias, para garantir subsĂdios para alguns consumidores e segmentos.
Regras
As famĂlias ainda poderĂŁo solicitar por conta prĂłpria a inscrição ao programa para as distribuidoras, como acontece atualmente, mas a empresa ficarĂĄ obrigada a identificar quais atendem os critĂ©rios para receber o benefĂcio. As empresas deverĂŁo consultar, mensalmente, a base do governo utilizando o CPF ou outros dados fornecidos. Uma vez que seja identificado que o consumidor tem direito, o desconto jĂĄ deve ser aplicado na fatura seguinte.
Como serĂĄ difĂcil que empresas identifiquem todas essas famĂlias em um momento, a agĂȘncia propĂŽs um prazo de transição, que foi alterado a pedido das empresas. Para as distribuidoras que tĂȘm atĂ© 120 mil unidades consumidoras, fica mantido o prazo atĂ© 30 de junho. Para as demais, que possuem mais de 10 mil famĂlias potenciais para entrar no programa, o prazo para realização da busca serĂĄ atĂ© 31 de dezembro de 2022.
As empresas tambĂ©m poderĂŁo fazer a busca por contato telefĂŽnico e visitas a domicĂlios. Durante anĂĄlise na Aneel, elas foram dispensadas de informar sobre a medida por meio das faturas de energia, mas deverĂŁo divulgar em suas pĂĄginas na internet, redes sociais e por mensagens eletrĂŽnicas. As distribuidoras solicitaram ainda a exclusĂŁo da devolução em dobro de valores jĂĄ pagos em casos de nĂŁo realizar a inscrição automĂĄtica, mas o pedido foi negado.
A inscrição automåtica estå prevista em projeto de lei aprovado pelo Congresso em agosto e sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro em setembro deste ano. O chefe do Executivo e os ministros Bento Albuquerque, de Minas e Energia, e João Roma, da Cidadania, participam de evento para anunciar as novas regras do programa às 17h.
Tarifa Social
O programa Tarifa Social concede descontos escalonados na conta de luz de acordo com consumo de cada famĂlia: 65% para os primeiros 30 kWh consumidos, 40% de 31 kWh a 100 kWh; 10% de 101 kWh a 220 kWh; e zero a partir de 221 kWh. IndĂgenas e quilombolas tĂȘm 100% de desconto caso consumam atĂ© 50 kWh; 40% entre 51 kWh e 100 kWh; 10% de 101 kWh a 220 kWh; zero a partir de 221 kWh. Em mĂ©dia, cada famĂlia consome 126 kWh mensais e recebe um desconto de R$ 24,00.
