Indígena grávida e em estado grave de malária morre em trabalho de parto

Por G1 30/11/2021 Ă s 21:27

Uma jovem indĂ­gena, de 19 anos, da comunidade Maloca Paapiu, que estava em estado grave de malária vivax morreu na Terra IndĂ­gena Yanomami, em Roraima. O Conselho Distrital de SaĂşde IndĂ­gena Yanomami e Ye’kuana (Condisi-YY) informou nesta terça-feira (30) que ela nĂŁo recebeu atendimento. Já o MinistĂ©rio da SaĂşde afirma que ela recusou o tratamento e tambĂ©m o prĂ©-natal.

A jovem estava com cerca de 7 meses de gestação, segundo o presidente do Condisi-YY, JĂşnior Hekurari Yanomami. O MinistĂ©rio da SaĂşde, responsável Distrito Sanitário Yanomami (Dsei-Y), informou que no Ăşltimo dia 25 “ela entrou em trabalho de parto e faleceu logo apĂłs.”

Hekurari disse que o Conselho recebeu a informação sobre a jovem na noite dessa segunda durante reunião com líderes Yanomami, em Boa Vista. Ele deve cobrar providências sobre o caso à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que responde ao Ministério da Saúde, ainda nesta terça-feira (30) por meio de ofício.

“Durante uma reuniĂŁo da plenária o pessoal nos informou que ela tinha falecido. Foram lideranças de conselheiros de lá [comunidade Maloca Paapiu] que nos comunicaram”, disse o presidente.

Hekurari relatou, ainda, que a jovem não chegou a receber atendimento e que não fazia tratamento contra a doença. O posto de saúde mais próximo de onde ela morava fica distante 40 minutos de caminhada, na comunidade Sikamabiu, conforme o presidente.

O MinistĂ©rio da SaĂşde, por sua vez, refutou a afirmação do Condisi-YY e disse, em nota, que a jovem recusou atendimento. A Terra Yanomami enfrenta surto de malária, casos graves e desnutrição e falta de atendimento de saĂşde — essa situação foi mostrada com exclusividade pelo Fantástico.

“No dia 15/11/2021, uma jovem de 19 anos, grávida, foi diagnosticada com malária vivax na comunidade de Sikamabiu. A mesma recusou o tratamento e tambĂ©m o prĂ©-natal oferecido pelas Equipes Multidisciplinares de SaĂşde IndĂ­gena (EMSI), que estiveram na maloca Paapiu”, informou.

Ainda de acordo com o presidente, lideranças afirmaram ao Condisi-YY que não há remédios para o tratamento de malária nas comunidades.

“Muitas lideranças, de 40 regiões, falaram que nĂŁo há remĂ©dio para malária e mesmo assim o coordenador reafirma que tem remĂ©dio, sim. EntĂŁo, os conselheiros e lideranças Yanomami ficaram muito chateados, estĂŁo muito chateados”, afirmou Hekurari.

Procurado, o coordenador do Dsei-Y, Rômulo Pinheiro, informou que o Distrito possui equipe de saúde no local e que está apurando o que de fato ocorreu.

O MinistĂ©rio ainda informou que “no dia 24/11, um mĂ©dico e um enfermeiro reforçaram a importância do acompanhamento, mas nĂŁo obtiveram ĂŞxito com a indĂ­gena”, acrescentando que, segundo eles, nenhum dos dois servidores “foram solicitados para prestar ajuda necessária no parto, portanto, as denĂşncias de falta de apoio e assistĂŞncia mĂ©dica sĂŁo infundadas.”

Esse Ă© o sĂ©timo caso de morte por malária em trĂŞs meses na Terra IndĂ­gena Yanomami. Em setembro, duas crianças indĂ­genas — uma delas um bebĂŞ de 6 seis meses — morreram na comunidade de Xaruna.

No dia 4 de novembro, uma adolescente indígena, de 17 anos, morreu na comunidade Yaritopi, que estava em estado grave de malária falciparum. Em 1º de outubro, um pajé da comunidade Makuxi Yano, de 50 anos, morreu sem atendimento.

No Ăşltimo dia 20, uma criança Yanomami tambĂ©m morreu na Terra IndĂ­gena Yanomami. A vĂ­tima tinha sintomas de malária, desnutrição e pneumonia, conforme relato do Conselho Distrital de SaĂşde IndĂ­gena Yanomami e Ye’kuana (Condisi-YY).

O óbito foi em Xaruna, mesma comunidade onde outra criança, de 3 anos, também morreu. Nos dois casos, o Condisi-YY afirmou que não houve atendimento por parte do Dsei-Y.

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