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24 novembro 2021 2:46 pm

Muito além do futebol, Michael celebra vida renovada no Flamengo: “Às vezes, quem mais ri é quem mais sofre!”

Uma das principais esperanças na final da Libertadores, atacante fala sobre recuperação de quadro de depressão, "dribles que nem ele mesmo sabe" e se vê reserva no time de Renato

POR GLOBO ESPORTE

Última atualização em 22/11/2021 21:36

O sorriso sempre esteve ali. A alegria não. O talento sempre esteve ali. O desempenho não. O fantástico mundo do futebol sempre esteve ali. O equilíbrio na vida real não.

Os gols e dribles desconcertantes garantiram a Michael o posto de xodó da torcida do Flamengo, mas o atacante irreverente que vive a expectativa da final da Libertadores tem muito mais a comemorar no próximo sábado em Montevidéu. O Palmeiras é somente um rival a mais para quem carrega em gestos e palavras a vitória sobre a depressão.

Uma das armas de Renato Gaúcho na busca pelo tricampeonato da América, Michael é daqueles que trocam clichês por respostas surpreendentes em uma entrevista. Tanto que, em bate-papo com o ge, deixou claro: não se vê como titular se Arrascaeta, Everton Ribeiro, Bruno Henrique e Gabriel estiverem à disposição. Postura de quem enxerga um jogo de futebol como apenas mais uma oportunidade de se divertir, seja por um ou 90 minutos.

O jeito “maluco”, como ele mesmo se define, não esconde a personalidade forte de quem encara os problemas da vida com mais consciência do que encara os zagueiros:

“Do nada, faço um trem que nem eu sei e acontece. Quando o cara está confiante, faz coisas que nem ele sabe. Se eu nem sei para onde vou cortar, como o marcador vai saber?”

 

Quando fala de desafios da vida real, Michael aprendeu o que fazer conscientemente. Depois de superar seus próprios fantasmas, como revelou no podcast “Barbacast”, usa a representatividade para ligar o alerta para quem sofre com transtornos como depressão e ansiedade:

“Venci, graças a Deus! Tomei remédio? Tomei. Mas venci. Hoje, sou um cara um pouco diferente, mas com o mesmo carisma e amizade que eu sempre tive. Às vezes, quem mais sorri é quem mais sofre, mas sofre calado”

 

– Sou grato a Deus, ao clube, aos meus médicos, minha mulher… Estava naquela época do “fique em casa” e eu trancado. Eu sou hiperativo, estava ficando doido. E Deus me ajudou. Depois de tudo isso, viver esse momento é maravilhoso.

Em 20 minutos de conversa divertida, mas não menos séria, Michael falou sobre a boa fase, a origem do bordão “quando está feio, esquece”, a recuperação do equilíbrio entre corpo e mente e das expectativas para a final da Libertadores. Flamengo e Palmeiras disputam o título mais importante das Américas no sábado, às 17h (de Brasília), no estádio Centenário, em Montevidéu.

Confira a íntegra da entrevista:

Ansiedade para decisão

 

– Sempre sonhei em disputar a Libertadores e estou feliz pela primeira oportunidade de disputar a final. Claro que fico apreensivo querendo que chegue o dia, mas não podemos esquecer o Brasileiro. Foco em cada partida, porque o amanhã pode não existir. Tenho que aproveitar o hoje para chegar ao dia 27 inteiro e bem.

Tem chances de ser titular?

 

– Ainda sou (reserva). Não (tenho esperanças de ser titular). Primeiro, por ser um cara que respeita muito os companheiros. Respeito a história e o futebol que cada um tem. Estou aqui para agregar, para acrescentar. Vou dar o meu melhor, seja um minuto, 10, 45, 90… Nunca quis menosprezar e ser melhor que os outros. Quero contribuir. Claro que sei da importância que tenho para o grupo hoje, mas sei também dos meus companheiros e mantenho meu pensamento.

“Hoje, eu sou reserva dos quatro melhores atacantes do Brasil. Ah, mas tem melhor? A minha opinião é que eles são os quatro melhores. Eu trabalho para um dia ser como eles ou até melhor, mas sabendo respeitar e trabalhar”

 

Causas do bom momento

 

– Fé! Se não fosse a fé em Deus, acho que não teria conseguido. O Flamengo como um todo, comissão, jogadores, torcida… Sempre recebi críticas, ficava chateado com algumas, outras não. Sempre discernia a boa e a ruim, a construtiva e a destrutiva. E nunca abaixei a cabeça. O carinho que esse clube aqui depositou em mim, junto com minha fé e dedicação, me permitiu entregar o melhor. Não sou um cara que pensa individual, penso coletivo. Quero ganhar par ou ímpar ou Libertadores, mas respeitando a todos e os momentos ruins. Nunca vou errar querendo errar, eu quero acertar. De tanto querer acertar, às vezes vou errar. Pode ter certeza que vou tentar do minuto 1 ao 90. Esse é meu diferencial. Não coloco a dúvida na cabeça. Se eu errar, ligo o f… e vou embora.

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