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6 dezembro 2021 2:26 pm

PSDB expõe divisão em prévias neste domingo para escolha do candidato do partido a presidente

POR G1

Última atualização em 21/11/2021 09:47

PSDB realiza neste domingo (21) as prévias do partido para definir quem será o candidato tucano na eleição para presidente da República em 2022.

A disputa se dá em meio a divergências internas. Segundo os organizadores, as prévias foram a solução encontrada para viabilizar a “unidade” partidária.

Ao todo, quase 45 mil filiados, entre militantes e detentores de mandato, devem votar em um dos três candidatos:

  • Arthur Virgílio, 76 anos, ex-prefeito de Manaus e ex-senador
  • Eduardo Leite, 36 anos, governador do Rio Grande do Sul
  • João Doria, 63 anos, governador de São Paulo

O senador Tasso Jereissati (CE) chegou a registrar o nome na disputa, mas acabou desistindo de concorrer.

Esta será a primeira vez que o partido recorrerá à realização de prévias para escolher o candidato ao Palácio do Planalto.

Em entrevista ao g1, o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, afirmou que o modelo é um procedimento “sem volta” e deve passar a ser incorporado como rotina partidária.

“As pessoas se acostumam com a incorporação de poder. O PSDB transferiu um poder concentrado, desde a sua fundação — em poucos — e pulverizou esse modelo de decisão para todo o conjunto do partido. Isso não terá mais volta”, disse.

A adoção das prévias foi necessária porque o PSDB enfrenta uma divisão interna sobre quem deve ser o candidato e, apesar das tentativas de acordo, não houve consenso.

Tucanos afirmam que historicamente a legenda costuma ter mais de um postulante – como em 2010, com Aécio Neves e José Serra. No entanto, em nenhuma das ocasiões anteriores a escolha teve de ser definida no voto.

“As pessoas falam muito em divisão, em disputa, como se eleição fosse distribuição de beijos e abraços. Eleição é disputa. É assim com os democratas e os republicanos na maior democracia do Ocidente [os Estados Unidos], não vai deixar de ser assim conosco”, afirmou Bruno Araújo.

Entre os tucanos, a avaliação é que a disputa está concentrada entre Doria e Leite, e o resultado será imprevisível.

“Acho que hoje não tem favorito. O Arthur, claramente, teve uma presença nas prévias para afirmar certas questões, como a da Amazônia e da sustentabilidade. De outro lado, o Leite e o Doria estão numa disputa mais acentuada. Acho difícil, neste momento, prever o resultado — o que dá ainda mais motivação às tropas, aos filiados, de se posicionarem, tentar ganhar voto. Por isso venho dizendo que as prévias serão quentes – no bom sentido e para o debate”, afirmou o senador José Anibal (PSDB-SP), coordenador da Comissão de Prévias.

Divergências

Nos últimos meses, os candidatos a candidato viajaram para diversos estados em busca de apoio entre os tucanos. Também participaram de debates para apresentar propostas.

Nesse período, houve uma série de desentendimentos sobre a forma de contabilidade dos votos, com acusações de tentativa de fraude sobre o sistema eletrônico de votação.

Na reta final da campanha, em revelação que tensionou o debate, veio a público a informação de que Eduardo Leite telefonou para Doria a fim de repassar um pedido de um ministro do governo Bolsonaro para que o início da vacinação contra a Covid, em janeiro deste ano, fosse adiado.

Em reação, o governador gaúcho negou ter feito qualquer tipo de pedido para Doria atrasar a vacinação, e chamou a divulgação do episódio de “tentativa de factoide” nas prévias.

O PSDB quer lançar um pré-candidato justamente para se opor, desde já, ao presidente Jair Bolsonaro.

Em 2018, após a derrota de Geraldo Alckmin (quarto colocado no primeiro turno), tanto Doria quanto Leite apoiaram Bolsonaro no segundo turno.

No início da gestão, os tucanos adotaram posição de independência em relação ao governo. Após os atos com ameaças golpistas em 7 de Setembro, o partido anunciou que migraria para a oposição. Na prática, porém, ainda há parlamentares da legenda alinhados ao Planalto.

“As divergências existem. Tem gente que acha que deve jogar para debaixo do tapete. Aí parece que está tudo calmo, aquela anestesia geral. É uma falsa solução. Democracia é vida, é uma forma de tratar divergência. As diferenças existem, as divergências existem, mas você pode ou jogar para debaixo do tapete e fingir que não existe ou explicitar, botar à luz do dia e debater – como foi feito”, afirmou Marcus Pestana, coordenador das prévias.

Leia mais em G1.

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