LĂder no ranking de paĂses com incidĂȘncias de raios, com uma mĂ©dia de 77,8 milhĂ”es de registros por ano, o Brasil ainda estĂĄ abaixo do no nĂșmero de ocorrĂȘncia de 2021, quando sobre o territĂłrio nacional 154 milhĂ”es. Em 2020 foram 126 milhĂ”es. Os nĂșmeros foram divulgados Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), nesta quinta-feira (27), em SĂŁo JosĂ© dos Campos (SP).
De acordo com o INPE, a expectativa Ă© de que, ao final deste sĂ©culo, que a mĂ©dia brasileira seja de 100 milhĂ”es de raios por ano, disse o coordenador do Grupo de Eletricidade AtmosfĂ©ricas do Inpe, Osmar Pinto JĂșnior, no boletim emitido hoje.
Segundo ele, as mudanças climĂĄticas influenciam esse fenĂŽmeno, uma vez que âtempestades e raios aumentam devido Ă umidade do ar e altas temperaturasâ. Ele acrescenta que a incidĂȘncia fica ainda maior durante a primavera e o verĂŁo, temporada que Ă© mais propĂcia para esse tipo de fenĂŽmeno.
A liderança brasileira no ranking de incidĂȘncia de raios por ano nĂŁo Ă© pequena. O segundo lugar Ă© ocupado pela RepĂșblica DemocrĂĄtica do Congo, onde incidem, anualmente, 43,2 milhĂ”es de raios. Em terceiro lugar estĂŁo os Estados Unidos, com 35 milhĂ”es de raios por ano, seguidos de AustrĂĄlia (31,2 milhĂ”es de raios), China (28 milhĂ”es) e Ăndia (26,9 milhĂ”es).
Sobre a incidĂȘncia de raios observada no final do sĂ©culo 21 no Brasil, o coordenador do Inpe explica que, segundo a literatura, ela foi feita a partir da relação dos raios com algumas condiçÔes meteorolĂłgicas previstas pelos Modelos ClimĂĄticos Globais (MCG).
âEstes modelos, diferentemente dos modelos meteorolĂłgicos rotineiramente utilizados na previsĂŁo do tempo, permitem estimar as condiçÔes meteorolĂłgicas para perĂodos mais distantes, da ordem de dĂ©cadas. Para minimizar as incertezas nos resultados gerados pelo MCG, rodamos o modelo 12 vezes considerando pequenas diferenças na evolução das condiçÔes ambientais e calculamos a mĂ©dia dos resultadosâ, disse ele Ă AgĂȘncia Brasil.
O estudo, acrescenta o coordenador, utiliza um cenĂĄrio de emissĂ”es de gases do efeito estufa que âcorresponde a nĂŁo haver nenhuma mudança significativa nas emissĂ”esâ nas prĂłximas dĂ©cadas, o que hoje parece, segundo ele, ser o mais provĂĄvel.
âNeste cenĂĄrio Ă© esperado um aumento da temperatura mĂ©dia global de quatro graus Celsius atĂ© o final do sĂ©culo, em relação ao perĂodo de 1961 a 1990â, acrescenta. Ainda segundo o especialista, âo padrĂŁo geral da distribuição geogrĂĄfica dos raios no paĂs nĂŁo deve se alterar atĂ© o final do sĂ©culo, com a regiĂŁo norte mantendo a maior incidĂȘncia e a regiĂŁo nordeste a menor incidĂȘnciaâ.
A expectativa Ă© de que as maiores altas na ocorrĂȘncia de raios ocorram na RegiĂŁo Norte (50%). JĂĄ a RegiĂŁo Nordeste deve sofrer pequeno crescimento (10%). âAs demais regiĂ”es devem ter aumentos na ocorrĂȘncia de raios entre 20% a 40%. Aumentos maiores podem ocorrer em pequenas regiĂ”es localizadasâ, acrescentou.
âDessa forma, a atual incidĂȘncia de 70 milhĂ”es de raios por ano no paĂs deve aumentar para 100 milhĂ”es de raios por anoâ, completou.
