A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, acredita que o encontro entre o governador do EspĂrito Santo, Renato Casagrande (PSB), e o ex-juiz Sergio Moro, prĂ©-candidato Ă PresidĂȘncia da RepĂșblica pelo Podemos, torna mais difĂcil as  negociaçÔes com o PSB para formação de uma federação.
â Achei muito ruim o fato de o Casagrande ter se encontrado com o Moro. VocĂȘ nĂŁo serve a dois senhores â afirmou Gleisi.
A dirigente considera difĂcil para os petistas apoiarem Casagrande depois do gesto. Moro condenou Lula no processo que o fez passar 580 dias preso. No ano passado, a setença foi anulada.
O encontro de Casagrande com o ex-juiz estå previsto para acontecer neste såbado. Indagada se a reunião inviabiliza a aliança entre PT e PSB, Gleisi respondeu:
â NĂŁo. Mas realmente torna a coisa mais azeda, mais difĂcil. Ă uma sinalização polĂtica ruim. Estamos falando de um projeto e o PSB estĂĄ na discussĂŁo da federação.
O PSB quer que o PT apoie a reeleição de Casagrande no EspĂrito Santo. O governador alega que o Podemos faz parte de sua base no estado e que conversarĂĄ com Moro como tambĂ©m conversou com outros presidenciĂĄveis, como Ciro Gomes (PDT).
Apesar do mal-estar, as negociaçÔes para a formação da federação, que inclui também o PCdoB e o PV, devem prosseguir. Uma nova reunião deve acontecer daqui a dez dias. Haverå conversas para tentar chegar a um acordo no Rio Grande do Sul. O PT quer lançar o deputado estadual Edegar Pretto no estado e o PSB, o ex-deputado Beto Albuquerque.
Nesta sexta-feira, o PSOL, que não cogita entrar na federação, aprovou, em reunião da sua executiva nacional, a abertura de negociaçÔes com o PT e demais partidos de esquerda para firmar uma aliança eleitoral em torno da candidatura do ex-presidente Lula.
O partido pede que Lula se comprometa com questĂ”es programĂĄticas. Os trĂȘs principais pontos sĂŁo: revogaçÔes das reformas trabalhista e da PrevidĂȘncia e do teto de gastos; medidas para financiar a transição energĂ©tica e defesa de um novo modelo de desenvolvimento da AmazĂŽnia; e uma reforma tributĂĄria que inclua a criação de impostos para os super-ricos.
Com relação à taxação dos super-ricos, Gleisi afirmou que o PT tem afinidade com a proposta.
â Ă uma discussĂŁo que a gente tem feito no PT. Ă necessĂĄrio taxar quem ganha mais.
Em declaração no ano passado, Lula se mostrou cĂ©tico sobre a taxação de grandes fortunas por considerar que os ricos poderiam tirar seu dinheiro do paĂs.

