Golpes no Whatsapp: como se proteger e o que fazer se for vĂ­tima

Por G1 24/02/2022 Ă s 14:49

Se uma oferta que parece boa demais para ser verdade chegou em seu Whatsapp, e-mail, SMS ou qualquer outro canal digital, desconfie. Ainda que a suposta vantagem oferecida tenha vindo de um amigo ou parente, vale sempre manter em mente que essa pessoa pode ter sido hackeada, e do outro lado da tela estĂĄ, na verdade, um golpista.

Um levantamento da empresa de segurança digital PSafe, feito em 2020, estimou que, sĂł em outubro, 453 mil pessoas tiveram o WhatsApp clonado ou tiveram a conta falsificada – uma mĂ©dia de 15 mil vĂ­timas por dia.

Novos mecanismos para driblar a segurança digital e enganar os usuĂĄrios sĂŁo desenvolvidos por criminosos com frequĂȘncia, mas a maioria dos golpes segue um padrĂŁo. “SĂŁo feitos a partir de um acesso concedido de maneira inadvertida pela vĂ­tima, atravĂ©s do clique em um link, por exemplo, ou mesmo atravĂ©s da navegação em sites ou aplicativos duvidosos”, aponta Gustavo Fiuza Quedevez, especialista em privacidade de dados e tecnologia do escritĂłrio BVA Advogados.

Na opiniĂŁo do especialista, qualquer um estĂĄ sujeito a ser enganado, mas quem nĂŁo tem familiaridade com os aplicativos pode ser um alvo mais fĂĄcil.

Conheça, a seguir, alguns dos mecanismos mias comuns de golpes e entenda o que vocĂȘ pode fazer se caiu em algum deles.

1. Promessa de resgate de dinheiro

Na Ășltima semana, o lançamento do sistema do BC (Banco Central) que permite a consulta a valores em dinheiro esquecidos em bancos e outras instituiçÔes financeiras foi usado para tentativas de golpes com links falsos que prometem a consulta do saldo e atĂ© o saque adiantado.

Quando o usuårio clica e insere seus dados, as informaçÔes vão direto para os criminosos. Além disso, os links podem instalar vírus diretamente no aparelho.

Como evitar esse golpe

O prĂłprio Banco Central distribuiu algumas dicas:

“Os criminosos criam links falsos com frequĂȘncia quando um novo serviço Ă© lançado, como no caso do resgate. Nesses casos, as pessoas devem verificar nos sites oficiais (no exemplo, do Banco Central), onde estarĂŁo definidos todos os procedimentos a serem adotados. Vale muito a pena verificar tambĂ©m o nĂșmero ou o endereço eletrĂŽnico que ‘enviou’ o email. JĂĄ tivemos oportunidade de identificar golpes sofisticados que utilizam endereços eletrĂŽnicos que, em principio, se vinculam a uma determinada empresa, mas a maior parte dos golpes utiliza as plataformas gratuitas de envio de email, utilizando o nome da entidade vinculada ao golpe, como por exemplo ‘banco.central@mail.com'”, indica Quedevez.

CaĂ­ em um golpe e transferi dinheiro para o criminoso. E agora?

Caso a transferĂȘncia de recursos tenha se concretizado, Ă© importante fazer o boletim de ocorrĂȘncia o quanto antes e comunicar imediatamente a instituição financeira, tanto a de origem quanto a de destino, se diferentes.

Os dados da conta bancĂĄria e o nĂșmero do telefone de origem do golpe contribuem para as investigaçÔes que podem ser iniciadas a partir da denĂșncia formal. “Claro que hĂĄ de se considerar a possibilidade de o criminoso estar utilizando um CPF que nĂŁo lhe pertence e uma conta corrente fraudulenta, mas ainda assim, para a denĂșncia, todo e qualquer dado pode ser relevante e merece ser reportado, jĂĄ que tais informaçÔes associadas a outras igualmente relevantes e objeto de denĂșncias realizadas por outras vĂ­timas podem contribuir para identificação do crime e do golpista”, instrui a advogada Alessandra Borelli, CEO da Opice Blum Academy, empresa especializada em conhecimento em direito digital e proteção de dados.

As capitais e grandes cidades geralmente possuem delegacias especializadas em crimes digitais, que possuem mais ferramentas e expertise para lidar com esse tipo de golpe. “Independentemente disso, como os criminosos atuam em todo o paĂ­s, a vĂ­tima deverĂĄ sempre buscar a autoridade policial local”, diz Gustavo Fiuza Quedevez.

AlĂ©m do boletim de ocorrĂȘncia, a denĂșncia tambĂ©m pode ser feita diretamente para o e-mail ‘support@whatsapp.com’. Quanto mais informaçÔes para demonstrar a estratĂ©gia utilizada para o golpe e possĂ­vel identificação de autoria, melhor.

2. WhatsApp clonado

Para clonar a conta de Whatsapp, o golpista se passa por uma empresa conhecida do usuĂĄrio, como sites de varejo muito populares ou com alguma oportunidade – de evento ou de trabalho, por exemplo – que seja interessante para a vĂ­tima.

Na ligação ou troca de mensagens, o criminoso envia uma solicitação para o nĂșmero de celular da vĂ­tima e, em seguida, pede o cĂłdigo de seis dĂ­gitos do WhatsApp que aparece na tela, o que permite que eles habilitem a conta em outro celular e começar a receber mensagens dos contatos da vĂ­tima. Assim, o WhatsApp da vĂ­tima Ă© clonado e o golpista passa a ter acesso Ă  sua lista de contatos, a quem normalmente solicita dinheiro.

Como evitar esse golpe e o que fazer se vocĂȘ foi vĂ­tima

Além de criar a desconfiança jå citada, o usuårio deve utilizar a confirmação de duas etapas no Whatsapp (que funciona como uma senha), além de buscar um antivírus reconhecido no mercado.

“Embora nĂŁo inviabilizem por completo a possibilidade de golpe, as açÔes reduzem o risco. AlĂ©m disso, nunca Ă© demais indicar que o usuĂĄrio deve trocar suas senhas periodicamente, evitando a utilização de nĂșmeros vinculados Ă  datas previsĂ­veis, como aniversĂĄrio, data de casamento ou nĂșmero de celular”, diz o advogado do escritĂłrio BVA.

Se ainda assim o usuĂĄrio sofreu o golpe, a estratĂ©gia, aponta o especialista, deve envolver a contenção dos danos imediatos, como informar bancos, bloquear cartĂ”es e alterar senhas de email e de plataformas que contenham dados pessoais e financeiros. “O registro perante a autoridade policial deve vir em seguida.”

3. Contas falsas

O uso de contas falsas para enganar contatos Ă© outro tipo de golpe que se tornou bastante popular no Ășltimo ano. O criminoso cria uma conta no WhatsApp com um nĂșmero novo e registra como se fosse a vĂ­tima, copiando seu nome, foto de perfil e status. Depois, entra em contato com os familiares afirmando ter “trocado de nĂșmero” e pedindo dinheiro emprestado, geralmente para situaçÔes com suposta urgĂȘncia.

O que fazer se criaram uma versĂŁo falsa da sua conta

“Informe o quanto antes para a sua rede de contatos de que nĂŁo se trata de vocĂȘ, registre um boletim de ocorrĂȘncia e contate a operadora de telefonia para denunciar que aquele determinado nĂșmero estĂĄ sendo utilizado para prĂĄticas criminosas. AlĂ©m disso, busque ao mĂĄximo limitar o acesso a fotos a terceiros. Alguns aplicativos, como o Whatsapp, oferecem a opção de limitar o acesso Ă  sua foto (de perfil) a seus contatos”, alerta Quedevez.

Aplicar golpes virtuais pode resultar em prisĂŁo?

De acordo com a Lei 14.155/21, a pråtica de fraudes, estelionatos, invasão de dispositivos com o intuito de furtar, apagar ou alterar dados nos meios digitais, incluindo os golpes via WhatsApp, pode resultar em uma condenação de quatro a oito anos de prisão.

“Para crimes de estelionato, a lei torna agravante o furto qualificado por meio eletrĂŽnico, o que pode resultar em pena de reclusĂŁo de 4 a 8 anos e multa. A pena tambĂ©m Ă© aumentada de um a dois terços se o crime for praticado mediante a utilização de servidor mantido fora do paĂ­s e de um terço ao dobro se praticado contra idoso ou vulnerĂĄvel”, explica a advogada Alessandra Borelli.

4. Aplicativos espiÔes

O WhatsApp tambĂ©m pode ser clonado por spywares, aplicativos espiĂ”es que permitem que um hacker – ou atĂ© alguĂ©m prĂłximo da vĂ­tima – monitore as atividades em seu celular.

Assim, o criminoso consegue vigiar a vítima e tem acesso a seus dados pessoais, incluindo informaçÔes bancårias e código de verificação do WhatsApp.

Para se proteger, a recomendação é não baixar aplicativos que prometam ganhos (financeiros ou de seguidores nas redes sociais), ou funçÔes que não existem (para saber quem visitou seu perfil no Instagram, por exemplo).

5. Roubo de chip

Para aplicar o golpe, o criminoso liga para a operadora se passando pelo responsĂĄvel pela conta, afirmando que o celular foi roubado, e pede o registro de um novo chip. Se a operadora for enganada, o antigo nĂșmero Ă© registrado no novo chip, dando ao golpista o acesso aos grupos e Ă  lista de contatos da pessoa no WhatsApp. Quando o novo chip Ă© ativado, o original Ă© bloqueado.

DĂĄ para evitar esse golpe? O que fazer se vocĂȘ foi vĂ­tima?

Neste caso, o criminoso age sem qualquer interação com a vítima, então é possível somente controlar os danos, segundo os especialistas.

“A pessoa deve contatar a operadora, formalizar um boletim de ocorrĂȘncia e contatar as empresas perante as quais foram realizadas compras (caso tenham ocorrido) para que o cadastro seja bloqueado, buscando ainda os ressarcimentos e indenizaçÔes perante o judiciĂĄrio”, diz Gustavo Quedevez.

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