Pai leva filha para se vacinar contra Covid escondido da mĂŁe da criança e Ă© ameaçado: ‘nunca mais vocĂȘ vai vĂȘ-la’

Por G1 08/02/2022 Ă s 10:04 Atualizado: hĂĄ 4 anos

Um pai, morador de Campo Grande, levou a filha, de 9 anos, para se vacinar contra a Covid-19 escondido da mãe da criança. O motivo, segundo o homem, é a ex-esposa ser contråria à vacinação. Ao contar sobre a imunização da filha, ele foi ameaçado de nunca mais ver a menina. O homem, de 48 anos, prefere não se identificar, com receio de ter mais problemas com a ex-esposa.

Segundo ele, contar a histĂłria serve de incentivo para outros responsĂĄveis.

“É um alerta para os pais, para nĂŁo terem dĂșvida, ir sempre pela ciĂȘncia e proteger a criança em primeiro lugar”, afirma o pai.

De acordo com o pai, ele e a ex-esposa tĂȘm a guarda compartilhada da filha. Por conta disso, a criança passa os finais de semana com ele. Foi nessa ocasiĂŁo, que o homem a levou para tomar o imunizante contra a Covid-19, no final de janeiro.

Em conversa com o g1 MS, o pai contou que a mĂŁe, apesar de ter se vacinado contra a Covid-19, era contra a imunização da filha. “Ela me mandava fake news por mensagens, sobre vĂ­rus chinĂȘs, chip, essas coisas. Ela se vacinou quando surgiu a Janssen, usou como desculpa que era dose Ășnica”. Segundo ele, a relação com a mĂŁe da filha era normal atĂ© 2018.

“A gente tem um relacionamento atĂ© bom, nunca tivemos problema com relação Ă  nossa filha, educação, saĂșde. Pelo perfil ideolĂłgico que ela teve a partir de 2018, as coisas mudaram”, relata.

AtĂ© para a filha, o homem nĂŁo revelou de imediato que eles estavam indo vacinar, pois a criança estava com medo. “A menina estava morrendo de medo, achando que ia morrer. Falei que ia levar sĂł ao mĂ©dico para consulta”, lembra.

ApĂłs a imunização, a menina ficou mais tranquila, pois nĂŁo teve reaçÔes. Apesar da negativa da mĂŁe, o pai sempre planejou contar o que havia acontecido. “NĂŁo quis esconder de jeito nenhum, mas eu sabia que ia vir tempestade”, diz.

O clima fechou quando a mãe foi buscar a filha. Assim que contou que a criança estava vacinada, uma discussão começou entre o ex-casal na presença da criança.

“Falou palavrĂ”es, falou que eu nunca mais ia vĂȘ-la, que elas iam se mudar. Eu fiquei quieto, porque na frente da menina eu nĂŁo ia falar nada”, afirma o homem.

Apesar das ameaças, o pai estĂĄ esperançoso de que conseguirĂĄ levar a filha para tomar a segunda dose do imunizante no dia 18 de fevereiro. “Estou com a consciĂȘncia tranquila, dever comprido. [Se acontecer algo] por omissĂŁo nĂŁo vai ser”, pontua.

O que diz a lei

Segundo a advogada especialista em Direito Infancista e FamĂ­lia e presidente da ComissĂŁo de Direito de FamĂ­lia da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Mato Grosso do Sul (OAB-MS), Paula Guitti Leite, tanto em casos de guarda compartilhada, quanto de unilateral, o pai ou a mĂŁe Ă© autorizado a vacinar os filhos, mesmo sem o consentimento da outra parte. “Pode e deve”, afirma a advogada a respeito de guarda compartilhada.

“Nos casos de guarda unilateral, conferida à mãe, o pai, como detentor do poder familiar deve exercer sua função parental. Sendo assim, deve primar pela integridade mental, emocional e física da criança, devendo, portanto, vacinar a filha, conforme o artigo 227 da Constituição Federal”, encerra Leite.

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