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Professor da UEA suspeito de traficar órgãos humanos irá contribuir com investigação, diz defesa

Por G1

Polícia Federal deflagrou operação contra tráfico internacional de órgãos humanos em Manaus. — Foto: Divulgação

O professor universitário Helder Bindá Pimenta, suspeito de traficar órgãos humanos de Manaus para Singapura, na Ásia, irá contribuir com as investigações da Polícia Federal, informou a defesa dele, por meio de nota, nesta quarta-feira (23).

Segundo a defesa, o professor está à disposição das autoridades para prestar os devidos esclarecimentos sobre o caso. O homem leciona Anatomia na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e foi afastado por 30 dias após a Operação Plastina, que investiga o envio dos materiais para o artista indonésio.

Em nota enviada ao g1, a defesa salientou ainda que o professor é apenas investigado em um processo que está na fase inicial, não havendo nenhuma condenação contra o mesmo.

A defesa também disse que apesar de estar afastado de suas funções de professor universitário, ele irá contribuir com a investigação e está à disposição das autoridades para prestar todo e qualquer esclarecimento.

g1 questionou da defesa se o professor havia mesmo enviado o órgão e, se sim, quanto teria recebido por isso. Também foi questionado se o docente também tinha alguma autorização especial para o procedimento e se já havia feito isso antes. No entanto, a defesa não respondeu.

O professor envolvido no caso vai ser investigado pela polícia por tráfico internacional de órgãos. Se condenado, o investigado poderá responder, na medida de sua responsabilidade, com pena de até 8 anos de reclusão.

Destinatário identificado

Ainda nessa terça (22), a Polícia Federal disse que destinatário da mão e das placentas humanas era o artista indonésio Arnold Putra. O homem já causou polêmica nas redes sociais por produzir uma bolsa que tinha como alça uma coluna vertebral humana.

Artista é de Singapura. — Foto: Reprodução/Instagram

De acordo com o delegado Igor de Souza Barros, que está à frente do caso, a Polícia Federal identificou que o homem é acostumado a receber encomendas desse tipo:

“Verificamos que esse destinatário já tinha indícios de recebimento de materiais humanos não só do Brasil, mas de outros lugares para fazer artesanato, adornos e peças”, explicou.

O homem, inclusive, já visitou a Amazônia em 2016. Na ocasião, ele disse que esteve em uma aldeia de índios yagua, no Vale do Javari, mas o grupo indígena se localiza próximo do município de Tabatinga, na fronteira com o Peru e a Colômbia.

Em uma rede social, o homem caçoou de índios, afirmando ter dado um presente falsificado para o chefe da tribo.

Foto foi tirada entre índios da etnia yaguas. — Foto: Reprodução/Instagram

Operação Plastina

A operação Plastina foi deflagrada na manhã dessa terça-feira (22). Segundo a PF, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão: um na UEA e outro na casa do professor suspeito do crime.

A operação também cumpriu um mandado de afastamento de função pública. Os documentos foram expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da SJAM. Em nota, a UEA informou que um professor concursado da disciplina de anatomia foi afastado por 30 dias por suspeita de traficar órgãos humanos, após ordem da Justiça Federal.

De acordo com a instituição, foi realizada busca e apreensão pela Polícia Federal de um computador e de peças anatômicas tratadas por meio de plastinação, utilizadas como prática de ensino da disciplina, no laboratório de anatomia.

O nome da operação da Polícia Federal é uma alusão ao procedimento utilizado pelo investigado para conservar os órgãos traficados. Segundo a investigação, o professor que enviou a mão e as placentas para o artista é especialista na técnica.

A plastinação é o procedimento técnico e moderno da preservação de matéria biológica, que consiste basicamente em extrair os líquidos corporais (água e soluções fixadoras) e os lipídios, através de métodos químicos, substituindo-os por resinas plásticas como silicone, poliéster e epóxi, resultando em tecidos secos, inodoros e duráveis.
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