Um caso rarĂssimo na medicina ocorreu no UzbequistĂŁo: um menino de 7 anos nasceu com dois pĂȘnis e precisou passar por uma cirurgia para corrigir o problema. O caso foi recentemente divulgado na revista cientĂfica “Science Direct”.
A operação ocorreu em outubro. O nome da condição, difalia, ocorre uma vez a cada 5 ou 6 milhÔes de nascimentos; em todo o mundo, hå apenas cerca de 100 casos registrados. A causa do problema não é bem definida.
“O pĂȘnis Ă© formado por trĂȘs cilindros: dois corpos cavernosos, que ficam juntos um do outro lateralmente, e um no meio, que Ă© o corpo esponjoso, que Ă© onde estĂĄ a uretra dentro“, explica o urologista Ubirajara Barroso Jr, especialista em reconstrução genital e chefe de cirurgia reconstrutiva de uretra do Hospital das ClĂnicas da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
No caso da difalia verdadeira, que Ă© a do menino uzbeque, “dois pĂȘnis completamente normais sĂŁo formados, ou seja, cada um com seus dois corpos cavernosos e o corpo esponjoso, e tambĂ©m com sua glande”, completa o mĂ©dico. Em outros tipos de difalia, essa configuração pode ser um pouco diferente.
Para corrigir o problema, quem vai fazer a cirurgia escolhe um dos pĂȘnis para ser retirado â o mais robusto ou desenvolvido, se houver diferença entre os dois. “Na maior parte das vezes, eles sĂŁo muito parecidos um com o outro”, completa Ubirajara Barroso Jr.
Vida normal com dois pĂȘnis Ă© possĂvel
O urologista explica que, geralmente, a cirurgia para retirada de um dos pĂȘnis pode ser feita a partir dos seis meses de idade.
No caso do menino do UzbequistĂŁo, que sĂł passou pela operação aos 7 anos, pode ter havido problemas no acesso Ă saĂșde, por exemplo.
Por outro lado, Ă© possĂvel, tambĂ©m, levar uma vida normal tendo dois pĂȘnis.
O menino nĂŁo sofria, por exemplo, de problemas de incontinĂȘncia urinĂĄria â que nĂŁo costuma ocorrer apenas por existirem dois ĂłrgĂŁos genitais, e sim quando hĂĄ problemas associados.
Na operação, os cirurgiĂ”es uniram as uretras, e tambĂ©m nĂŁo houve problemas de incontinĂȘncia no pĂłs-operatĂłrio. Segundo o urologista, a cirurgia Ă© “muito mais uma reconstrução”, que nĂŁo traz risco adicional de continĂȘncia da urina ou Ă função erĂ©til.
Sem Ăąnus
Um problema que pode acontecer ao mesmo tempo que a duplicação do pĂȘnis Ă© a imperfuração do Ăąnus, ou seja, a pessoa nasce sem o Ăąnus. Foi o caso do menino, que teve o problema corrigido em uma cirurgia anterior, logo apĂłs nascer.
“HĂĄ uma mĂĄ-formação muito associada [Ă difalia] que Ă© o Ăąnus imperfurado, ou seja, uma pessoa que nasce sem Ăąnus. Consequentemente, o intestino nĂŁo tem como escoar para fora e aĂ Ă© preciso, ao nascimento, fazer uma derivação â pegar o intestino, colocar para fora, atĂ©, depois, reconstruir esse trĂąnsito”, explica Ubirajara Barroso Jr.
“E isso tem uma implicação, porque, dos Ăąnus imperfurados, 30% tĂȘm uma alteração da formação da medula dos nervos que vĂŁo para a bexiga”, completa. Nesses casos, pode haver incontinĂȘncia.

