‘Estamos caminhando em direção a um desastre nuclear na UcrĂąnia’, diz especialista em desarmamento

Por O GLOBO 07/03/2022 Ă s 14:29

Na Ășltima semana, um incĂȘndio na central nuclear ucraniana de ZaporĂ­jia, durante combates entre forças ucranianas russas, elevou os nĂ­veis de alerta para o risco de um acidente nuclear. Na guerra, que jĂĄ dura mais de uma semana, jĂĄ foram registrados outros conflitos prĂłximos a instalaçÔes nucleares. Um passo em falso poderia ter os mesmos efeitos que o acidente nuclear em Fukushima, em 2011, quando um terremoto seguido de um tsunami causou o derretimento de trĂȘs reatores — o pior desastre nuclear desde a tragĂ©dia de Chernobyl, em 1986. É o que explica o cientista polĂ­tico Joe Cirincione, especialista em nĂŁo proliferação nuclear e analista de segurança nacional ligado ao centro de estudos Instituto Quincy. Ele jĂĄ foi presidente de uma fundação voltada para a nĂŁo proliferação nuclear e resolução de conflitos e tambĂ©m trabalhou na assessoria da ComissĂŁo de Serviços Armados e da ComissĂŁo de OperaçÔes Governamentais da CĂąmara de Deputados dos Estados Unidos. Foi conselheiro das campanhas presidenciais de Barack Obama, Bernie Sanders e Elizabeth Warren.

Cirincione adverte que os confrontos podem levar a consequĂȘncias sem precedentes caso as partes envolvidas na guerra decidam usar seu arsenal nuclear.

Quais sĂŁo os riscos de um acidente nuclear na guerra na UcrĂąnia?

Hå muitos riscos. O primeiro e mais imediato é o risco de algo catastrófico acontecer em um dos reatores nucleares que os russos estão tomando agora. O perigo é que, ao tentar tomar as usinas, os russos danifiquem as estruturas de contenção ao redor dos reatores, ou a eletricidade que os alimenta ou o encanamento que os resfria.

Basicamente, se a eletricidade for cortada, isso significa que nĂŁo serĂĄ mais possĂ­vel bombear a ĂĄgua para o reator para resfriar as barras de combustĂ­vel.  As barras de combustĂ­vel, entĂŁo, superaqueceriam e vocĂȘ teria um colapso do corpo nuclear como vimos em Fukushima. Fukushima Ă© o cenĂĄrio mais provĂĄvel do que poderia dar errado com esses reatores ucranianos.

HĂĄ tambĂ©m a questĂŁo dos danos estruturais. Por algum motivo, funcionĂĄrios do Departamento de Energia dos EUA estĂŁo minimizando os riscos. A secretĂĄria de Energia Jennifer Granholm postou um tuĂ­te falando que os reatores foram desligados e que hĂĄ estruturas de contenção robustas que estavam intactas. Mas isso estĂĄ errado. Basta ver o que diz o diretor-geral da AgĂȘncia Internacional de Energia AtĂŽmica (AIEA), Rafael Mariano Grossi. Ele estĂĄ extremamente preocupado com o grave risco do que chamou de um incidente catastrĂłfico nessas usinas.

Soubemos depois, por uma reportagem do New York Times, que uma das instalaçÔes de contenção na usina de ZaporĂ­jia foi atingida no ataque russo. Ou seja, houve dano estrutural. Ora, veja, essas sĂŁo instalaçÔes extremamente robustas, sĂŁo projetadas para suportar o impacto de um jato de mĂ©dio porte, um 737, por exemplo, que era a maior aeronave que existia na Ă©poca em que a maioria dessas estaçÔes foi construĂ­da. Bem, Ă© verdade, mas nenhuma usina foi projetada para resistir a um ataque sustentado de tanque ou de artilharia. E Ă© por isso que existe uma convenção internacional, de Genebra, contra o ataque a usinas nucleares. E a RĂșssia foi signatĂĄria dessa convenção.

EntĂŁo Ă© outra lei que a RĂșssia estĂĄ violando, outra norma internacional que eles estĂŁo rompendo. NinguĂ©m jamais atacou uma usina nuclear antes na histĂłria. E sem precedentes Ă© uma expressĂŁo que que estamos usando muito para descrever esta guerra na UcrĂąnia.

Apesar de décadas de hostilidades entre årabes e israelenses, ninguém jamais atacou o reator de pesquisa em Dimona, em Israel. Apesar de décadas de tensÔes em torno do Irã, ninguém jamais atacou o reator nuclear de Bushehr, no Irã. Então isso é apenas o começo dos riscos nucleares. Tem mais dois.

Quais são esses dois? 

O segundo risco sĂŁo os tanques de combustĂ­vel desprotegidos. A secretĂĄrio de Energia dos EUA diz “nĂŁo se preocupe, os reatores foram desligados e postos em modo de segurança”. Muito legal. Mas, enquanto isso, hĂĄ centenas de barras de combustĂ­vel armazenadas em tanques desprotegidos ao lado dos reatores. É possĂ­vel vĂȘ-los nas fotos de satĂ©lite das usinas. Essas barras de combustĂ­vel precisam ser resfriadas, elas permanecem quentes por meses ou atĂ© anos. Se uma bala de artilharia atingir um desses tanques e a ĂĄgua de lĂĄ for drenada, essas barras de combustĂ­vel superaqueceriam. E isso causaria uma explosĂŁo que lançaria material intensamente radioativo no ar por centenas de quilĂŽmetros quadrados. VocĂȘ contaminaria a ĂĄrea imediata, mas a radioatividade tambĂ©m se dissiparia na atmosfera, independentemente da direção em que o vento estivesse soprando.

Por fim, hĂĄ um terceiro risco. E este Ă© realmente o que me preocupa bastante preocupado agora. Mesmo sob as melhores circunstĂąncias, operar uma usina nuclear Ă© um negĂłcio complicado, vocĂȘ precisa de tĂ©cnicos altamente treinados e bem descansados. Segundo relatos, os russos nĂŁo permitiram mudar o turno dos funcionĂĄrios em ZaporĂ­jia desde quinta-feira. EntĂŁo, as mesmas pessoas que estavam lĂĄ na quinta-feira estĂŁo agora operando sob a mira de uma arma. Isso afeta a eficiĂȘncia de suas operaçÔes, aumenta o risco de um conflito dentro da instalação, o que pode danificar os controles, danificar a sala de controle, ou atĂ© um tĂ©cnico pode cometer um erro na operação da usina. Tudo poderia levar a um desastre.

VocĂȘ sabe, os operadores de Chernobyl nĂŁo pretendiam causar um acidente, os operadores de Three Mile Island nĂŁo pretendiam causar um acidente. Foi um erro que eles cometeram. Portanto, mesmo na melhor das circunstĂąncias, as usinas nucleares exigem atenção detalhada Ă  operação. Isso nĂŁo Ă© o que estĂĄ acontecendo na UcrĂąnia agora.

EntĂŁo, pelo que o senhor explicou agora, ainda Ă© preciso ter bastante atenção Ă  situação da usina de ZaporĂ­jia. As agĂȘncias de fiscalização de atividade nuclear disseram que nĂŁo detectaram vazamento de material radioativo da estação. 

As medidas de radiação nĂŁo sĂŁo um indicativo do que pode acontecer no futuro. Elas sĂŁo apenas um indicador do status atual. EntĂŁo, atualmente, nĂŁo detectamos nenhum vazamento de radiação em ZaporĂ­jia. É um bom sinal, mas nĂŁo Ă© um indicativo do que pode ou nĂŁo acontecer.

E quais são os impactos de um incidente nuclear?  

O presidente da UcrĂąnia [Volodymyr Zelensky] disse que um incidente poderia ser dez vezes pior do que Chernobyl. NĂŁo acho, ele estĂĄ exagerando. Mesmo que a usina nuclear de ZaporĂ­jia tenha o dobro de potĂȘncia de Chernobyl, Ă© um tipo diferente de reator, Ă© mais seguro. Chernobyl, por exemplo, nĂŁo tinha nenhuma estrutura de contenção. EntĂŁo Ă© um tipo de reator mais seguro, Ă© mais como Fukushima. Esse Ă© o exemplo com o qual eu compararia. Provavelmente nĂŁo haveria uma enorme explosĂŁo, como houve em Chernobyl. Mas vocĂȘ teria derretimentos e radioatividade contaminando o solo, contaminando as ĂĄguas subterrĂąneas e contaminando a atmosfera.

Se houvesse tambĂ©m uma explosĂŁo de gĂĄs hidrogĂȘnio que rompesse as estruturas de contenção, ou se houvesse um incidente com as bombas de combustĂ­vel, seria catastrĂłfico. Qualquer pessoa na vizinhança imediata da usina, em um raio de um quilĂŽmetro e meio ou um pouco mais, seria irradiada e morreria imediatamente. E a radiação se dispersaria na atmosfera. Caso isso acontecesse, as pessoas passariam a respirar partĂ­culas dela. PartĂ­culas de estrĂŽncio-90, cobalto, cĂ©sio e plutĂŽnio, que Ă© a substĂąncia mais tĂłxica conhecida na Terra. Um grĂŁo de plutĂŽnio ingerido em seus pulmĂ”es causarĂĄ cĂąncer, nĂŁo o matarĂĄ imediatamente.

Pela sua experiĂȘncia, o senhor acha que os paĂ­ses envolvidos no conflito estĂŁo cientes dos riscos e consequĂȘncias de um incidente nuclear causado pela guerra? 

Os lĂ­deres certamente estĂŁo. Os comandantes dos tanques? Duvido. Os comandantes ou as brigadas de artilharia? Eu duvido. Quero dizer, eles estĂŁo basicamente fazendo com os reatores nucleares o que estĂŁo fazendo com as cidades da UcrĂąnia, eles estĂŁo usando um poder de fogo esmagador para dominar e capturar a instalação.  Eu entendo porque querem tomar o controle de uma usina. É a doutrina militar padrĂŁo, vocĂȘ domina a economia, a força industrial e, neste caso, os centros de energia. Mas entĂŁo se quer fazer isso, se quer tomar uma usina nuclear, cerque-a, negocie, elabore uma rendição, mas nĂŁo a ataque.

A propósito, a tomada de instalaçÔes civis como esta, novamente, é contra a Convenção de Genebra.

Além de um incidente nuclear em uma usina, a guerra na Ucrùnia também levantou um alerta sobre um possível uso de armas nucleares. Qual é a chance de isso acontecer? 

Estamos mais prĂłximos do uso nuclear em combate do que estivemos desde a Crise dos Misseis de Cuba em 1962. Mas sĂŁo crises muito diferentes. Estamos caminhando em direção Ă  beira de um desastre nuclear na UcrĂąnia, nĂŁo tenha dĂșvidas disso. Vou explicar desde o inĂ­cio. Essa guerra estĂĄ expondo a falĂĄcia de nossa teoria de dissuasĂŁo nuclear. As armas nucleares deveriam prevenir guerras como essa. As armas nucleares deveriam ser uma força que permita aos Estados Unidos, por exemplo, enfrentarem agressĂŁo nos nĂ­veis mais baixos, porque sabemos que estamos protegidos nos nĂ­veis mais altos. Estamos vendo exatamente o oposto na UcrĂąnia.

Vladimir Putin estĂĄ usando suas armas nucleares como escudo, ameaçando diretamente qualquer paĂ­s que interfira no conflito com o uso nuclear. É por isso que a Otan nĂŁo estĂĄ intervindo. NĂŁo Ă© pelo fato de que a UcrĂąnia nĂŁo faz parte da Otan. A Otan interveio no AfeganistĂŁo. Os EUA tĂȘm pressionado a Otan a intervir no que chamam de conflitos fora da ĂĄrea hĂĄ algum tempo, estĂŁo pressionando a Otan a se envolver ainda mais na oposição Ă  China, que estĂĄ o mais longe possĂ­vel da Europa.  NĂŁo, a Otan nĂŁo estĂĄ envolvida porque a RĂșssia tem armas nucleares. Se as forças da Otan e dos Estados Unidos se envolverem com as forças russas em combate, isso poderĂĄ levar rapidamente ao uso de armas nuclear.

HĂĄ uma razĂŁo pela qual as forças americanas nĂŁo se envolveram em combate com as forças russas desde o final da Segunda Guerra Mundial, com uma exceção de um tiroteio na SĂ­ria hĂĄ cerca de trĂȘs anos, no qual as tropas dos EUA foram atacadas por mercenĂĄrios russos — os mesmos mercenĂĄrios russos que agora estĂŁo sendo enviados para a UcrĂąnia. Nessa ocasiĂŁo, os americanos mataram 300 mercenĂĄrios russos. Como nĂŁo eram oficialmente do ExĂ©rcito russo, Moscou nĂŁo disse nada e os EUA saĂ­ram ilesos dessa. Mas essa foi a Ășnica exceção.

NĂŁo hĂĄ dĂșvida de que, se as forças da Otan ou dos EUA se envolverem em combate na UcrĂąnia e começarem a matar russos, derrubando aviĂ”es russos, impondo uma zona de exclusĂŁo aĂ©rea, duas coisas podem acontecer. Uma Ă© que os paĂ­ses da Otan se tornariam alvos do ataque russo e do que quer que Putin escalasse Ă  nĂ­vel nuclear. Por que eu digo isso? Porque nos Ășltimos 10 anos ou mais, tanto os EUA quanto a RĂșssia desenvolveram essas teorias de dissuasĂŁo integrada. Ou seja, queriam desenvolver uma linha contĂ­nua de todos os nossos instrumentos de coerção, indo desde as sançÔes econĂŽmicas Ă  guerra convencional, guerra cibernĂ©tica e atĂ© nuclear. E a teoria Ă© que isso fortalece a dissuasĂŁo em nĂ­veis mais baixos. Isso impediria um inimigo de entrar em conflito em nĂ­veis mais baixos, porque eles saberiam que estarĂ­amos dispostos a escalar atĂ© o ponto em que eles nĂŁo poderiam nos derrotar no nĂ­vel superior.

Bem, isso soa muito bem no papel, e em muitos lugares funciona. Mas Ă© muito diferente quando Ă© vocĂȘ que estĂĄ na mira de uma arma nuclear, e Ă© isso que Vladimir Putin estĂĄ fazendo conosco. Ele estĂĄ dizendo “nĂŁo se envolva comigo porque eu vou atĂ© o fim”. E como sabemos disso? Porque em seus principais exercĂ­cios, incluindo os que ele conduziu logo antes da invasĂŁo Ă  UcrĂąnia, ele testou armas com capacidade nuclear. Foram feitos teste de sete armas nucleares diferentes apenas uma semana antes da invasĂŁo. Houve testes de mĂ­sseis de cruzeiro com capacidade nuclear, mĂ­ssil balĂ­stico intercontinental, mĂ­ssil balĂ­stico baseado em submarino, armas hipersĂŽnicas…

Depois, Putin ainda nos ameaçou diretamente em seus dois discursos antes da invasĂŁo. Principalmente no discurso anunciando a invasĂŁo, dizendo que era uma “operação militar especial”. Ele ameaçou que qualquer um que interviesse enfrentaria graves consequĂȘncias. Ou seja, armas nucleares.

AlĂ©m disso, ele elevou o nĂ­vel de ameaça anunciando que estava colocando suas forças nucleares em “prontidĂŁo especial de combate”. Esse termo nunca tinha aparecido antes. NĂŁo sabemos o que isso significa exatamente. Este Ă© outro movimento sem precedentes, nunca na histĂłria da RĂșssia e, atĂ© onde eu sei, nunca na histĂłria da UniĂŁo SoviĂ©tica, as forças foram elevadas a um nĂ­vel de alerta tĂŁo alto.

O que isso significa?

Bem, sabemos que não significa nenhuma movimentação física. Nenhum míssil balístico intercontinental foi movido, nenhum submarino foi colocado no mar. Nenhum bombardeiro foi carregado com bombas nucleares.

O que achamos que significa Ă© que ele aumentou o nĂ­vel de alerta do sistema de comando e controle. Quando estĂĄ na operação de dia a dia, o sistema de comunicação Ă© projetado para bloquear a transmissĂŁo de uma ordem de lançamento. É uma medida de segurança, para evitar que uma ordem de lançamento acidental ou inadvertida passe. Achamos que ele estĂĄ agora fazendo troca tĂ©cnica para que uma ordem de lançamento possa ser transmitida. Bem, isso levanta um perigo imediato que, no calor da batalha, uma ordem poderia ser transmitida por acidente, ou mal-entendido, e o sistema aceitaria. Mas tambĂ©m levanta a possibilidade real de que ele faria isso intencionalmente.

Existe uma doutrina russa chamada “escalar para desescalar”. Ou seja, se a RĂșssia estiver perdendo uma guerra convencional com o Ocidente, eles usarĂŁo uma arma nuclear primeiro para sinalizar a gravidade da situação, para sinalizar que esta foi uma batalha de uma guerra de tal importĂąncia que estĂŁo dispostos a se tornarem nucleares sem irem atĂ© o fim. Talvez seja um tiro de demonstração, talvez seja uma pequena arma nuclear de baixo rendimento, menor que a bomba de Hiroshima. EntĂŁo, em teoria, o Ocidente reconheceria o quĂŁo sĂ©rio estĂĄ a situação e recuaria. O problema Ă© que nas simulaçÔes em que isso acontece, nĂłs nĂŁo recuamos. A resposta costuma ser na mesma moeda, e a tensĂŁo aumenta. É como um jogador que estĂĄ perdendo na mesa de aposta, vocĂȘ continua pensando que mais uma aposta o tirarĂĄ da situação. EntĂŁo vocĂȘ aposta tudo.

Mas hĂĄ possibilidade de chegarmos a esse ponto?

O risco do uso nuclear em combate Ă© baixo, mas nĂŁo Ă© zero. Existem barreiras reais para evitĂĄ-lo, mas estamos vendo muitas dessas barreiras serem quebradas agora. Estamos vendo muitas coisas sem precedentes acontecerem. Como Putin estĂĄ conduzindo a guerra, a retĂłrica que ele estĂĄ usando nas ameaças. Esse seria sĂł mais um passo que poderia tomar. VocĂȘ tem que entender que ele pode nĂŁo querer eliminar a vida humana na Terra. Ele quer sĂł ganhar a guerra, mas ela poderia escalar rapidamente e ficar fora de controle.

E se chegåssemos ao ponto em que ele estiver usando não uma ou duas armas nucleares, mas dezenas de armas nucleares, isso não apenas destruiria fisicamente os centros dos Estados Unidos e da Europa, esses países seriam trincheiras radiativas. Contaminaria a atmosfera e enviaria nuvens de radiação por todo o globo. E aí haveria uma nova ameaça.

Nossos modelos climĂĄticos, que agora sĂŁo bastante sofisticados, mostram que uma guerra nuclear envolvendo apenas cem armas nucleares poria fumaça e partĂ­culas suficientes na atmosfera para cobrir a Terra em uma nuvem por dois ou trĂȘs anos, baixando as temperaturas globais em cerca de dois ou trĂȘs graus. Isso mataria cerca de 40% das culturas alimentares da Terra, fazendo com que o restante da população passasse fome. E, bem, esse seria o fim da civilização humana.

E o que fazer para evitar com que isso aconteça? Evitar um incidente nuclear ou até uma guerra dessas proporçÔes. 

Por dĂ©cadas, pessoas como eu vĂȘm alertando sobre situaçÔes como essa. Temos falado aos lĂ­deres mundiais: “VocĂȘ tem que se livrar das armas nucleares. NĂłs nĂŁo precisamos delas. Elas nĂŁo nos protegem. Eles nĂŁo sĂŁo nossa maior segurança. Elas sĂŁo nossa maior ameaça”. Porque uma guerra local em algum lugar que vocĂȘ nunca ouviu falar pode se transformar no fim da civilização humana. NĂłs temos que nos livrar dessas armas. Mas ainda nĂŁo o fizemos. NĂŁo o fizemos quando os nossos lĂ­deres estavam mais preocupados com isso, e eu preciso que dizer a vocĂȘs que nossos lĂ­deres de agora nĂŁo estĂŁo preocupados. Eles querem que as armas nucleares sejam parte da ameaça, que façam parte da defesa.

Esse Ă© o panorama geral. Olhe para as nossas polĂ­ticas nos Ășltimos 20, 30 anos e veja o que poderĂ­amos ter feito de forma diferente. NĂŁo Ă© como se isso fosse inevitĂĄvel. NĂŁo Ă© como se isso fosse inerente Ă  sociedade humana. NĂŁo precisamos de energia nuclear. Por que temos energia nuclear? NĂŁo precisamos de armas nucleares.

E agora especificamente sobre a guerra na UcrĂąnia, Ă© preciso que seja negociada uma solução diplomĂĄtica. NinguĂ©m vai ganhar essa guerra. A UcrĂąnia nĂŁo vai ganhar, a RĂșssia nĂŁo vai ganhar.  Como negociar uma solução diplomĂĄtica? Bem, vai envolver compromissos de ambos os lados. Teremos que dar a Putin um pouco do que ele quer, as pessoas jĂĄ estĂŁo esboçando como seria conceder autonomia Ă s repĂșblicas autodeclaradas independentes na UcrĂąnia, reconhecer o controle russo na Crimeia. E o mais difĂ­cil, mesmo que a UcrĂąnia aceite isso, eles aceitariam a neutralidade ucraniana? NĂŁo entrar para a UniĂŁo Europeia nem para a Otan? Portanto, Ă© difĂ­cil ver como isso aconteceria, mas essas sĂŁo as concessĂ”es para que, em troca, a RĂșssia se retire.

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