Fígado humano pode ‘mudar de sexo’, mostra estudo

Por O GLOBO 10/03/2022 Ă s 10:10

O fĂ­gado humano masculino pode “mudar de sexo” como parte de um processo para se proteger de possĂ­veis lesĂ”es, descobriu um novo estudo publicado na revista cientĂ­fica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) por pesquisadores da Universidade de Queensland, na AustrĂĄlia.

O objetivo do trabalho, inicialmente, era entender como a disrupção do sono pode provocar doenças metabĂłlicas e problemas de saĂșde no ĂłrgĂŁo, como obesidade e diabetes. No entanto, durante os estudos, os pesquisadores observaram que lesĂ”es hepĂĄticas mais avançadas nos homens foram associadas a um processo de mudança do fĂ­gado para caracterĂ­sticas ligadas Ă  sua versĂŁo em mulheres.

O experimento, inicialmente feito com camundongos, foi depois replicado para seres humanos e, em ambos os casos, o mesmo processo foi observado. Nele, os cientistas partiram de uma relação jå estabelecida entre o relógio biológico e o desenvolvimento de problemas no fígado para estudar a resposta do órgão.

Com os animais, os pesquisadores eliminaram um gene responsåvel pelo funcionamento do relógio biológico e alimentaram os roedores com uma dieta rica em gorduras, na expectativa de que lesÔes no fígado seriam observadas rapidamente.

PorĂ©m, o fĂ­gado dos camundongos machos recorreu ao hormĂŽnio feminino estrogĂȘnio, que, segundo os autores do estudo, teria um efeito protetor para o ĂłrgĂŁo. Quanto maior a lesĂŁo, maior foi o processo de “feminilização” provocado pelo hormĂŽnio, disseram os pesquisadores.

Isso acontece porque o fígado é um órgão sexualmente dimórfico, ou seja, apresenta características diferentes entre homens e mulheres. Estudos mostram que mais de mil genes são responsåveis por essas variaçÔes. Na pråtica, elas tornam o fígado feminino, por exemplo, mais sensível à ação de medicamentos e do ålcool.

Um estudo de pesquisadores da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, descobriu que essas diferenças tornam as mulheres mais suscetĂ­veis a lesĂ”es hepĂĄticas induzidas por remĂ©dios e Ă  insuficiĂȘncia hepĂĄtica aguda. No trabalho, foi observado que mais de 70% dos pacientes internados com lesĂŁo no fĂ­gado devido a reaçÔes medicamentosas nĂŁo intencionais eram mulheres, e os responsĂĄveis pelo estudo atribuĂ­ram a prevalĂȘncia Ă s diferenças genĂ©ticas entre o ĂłrgĂŁo feminino e masculino.

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