Por 418 votos a sete, a Câmara aprovou nesta quarta-feira a medida provisĂłria (MP) que estabeleceu R$ 400 como valor mĂnimo do programa AuxĂlio Brasil, substituto do Bolsa FamĂlia. Para garantir acordo, o ex-ministro da Cidadania JoĂŁo Roma (PL-BA), relator do projeto, incluiu de Ăşltima hora uma alteração para que o benefĂcio tenha caráter permanente, e nĂŁo acabe no fim deste ano, como previsto originalmente pelo governo. O texto segue agora para o Senado, que tem atĂ© o dia 16 de maio para concluir a votação.
Inicialmente, a proposta do governo estabelecia que o programa durasse apenas atĂ© 31 de dezembro deste ano. Depois, o valor seria uma incĂłgnita, o que provocou crĂticas de oposicionistas que acusaram a medida de ser “eleitoreira”. Uma das opções seria o retorno ao valor anterior ao programa, de benefĂcio mĂ©dio de R$ 224.
A busca por este valor mĂnimo de R$ 400 mensais foi uma das grandes disputas polĂticas do segundo semestre do ano passado. O governo queria turbinar o programa social como forma de ajudar a popularidade de Jair Bolsonaro, que tentará a reeleição.
Parte do governo defendia uma beneĂcio mĂnimo de R$ 600 mensais, enquanto o MinistĂ©rio da Economia defendia que, por uma questĂŁo fiscal, sĂł era possĂvel um AuxĂlio Brasil de R$ 300.
No fim, o governo promoveu a PEC dos Precatórios, que alterou o teto dos gastos — âncora que impede crescimento das despesas para além da inflação anterior — e da regra de pagamento dos precatórios, condenações judiciais contra o governo, para fazer caber o programa social turbinado de R$ 400.

