Conta de luz deve ficar sem taxa extra durante todo o ano, diz ONS

Por FOLHA DE SÃO PAULO, UOL 12/04/2022 às 08:24

O diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Luiz Carlos Ciocchi afirmou nesta segunda-feira (11) esperar que a conta de luz dos brasileiros passe todo o ano de 2022 sem taxas extras para bancar usinas térmicas.

JĂĄ na segunda quinzena de abril a Aneel (AgĂȘncia Nacional de Energia ElĂ©trica) adotarĂĄ a chamada bandeira verde na conta de luz, depois de oito meses de vigĂȘncia da bandeira de escassez hĂ­drica, taxa extraordinĂĄria para cobrir o rombo gerado pela seca no setor.

Essa taxa extraordinåria duraria até o fim de abril, mas o governo decidiu antecipar seu fim, alegando que os reservatórios foram recuperados com as fortes chuvas de verão e as medidas adotadas pelas autoridades do setor para poupar ågua durante a seca de 2021.

Ciocchi lembra que os reservatórios das regiÔes Sudeste e Centro-Oeste terminam o período de chuvas no melhor nível desde 2012. Nesta segunda, eles estavam com 65,14% de sua capacidade de armazenamento de energia.

As projeçÔes do ONS indicam que, mesmo com chuvas semelhantes às de 2021, não perderiam tanta ågua em relação ao momento atual. Nesse cenårio, o nível de armazenamento ao fim de novembro chegaria a 62,9%.

Mesmo considerando a média de chuvas de 2008, quando o fenÎmeno La Niña atrasou a chegada das chuvas de fim de ano, a situação é mais confortåvel do que a de 2021, com os reservatórios encerrando novembro com 39,6% da capacidade, o dobro do verificado no ano passado.

Por isso, a expectativa Ă© que a geração tĂ©rmica se limite a usinas inflexĂ­veis, aquelas que nĂŁo podem parar, disse o executivo. Essas usinas tĂȘm capacidade em torno de 4 mil MW (megawatts), bem inferior aos mais de 20 mil MW demandados de tĂ©rmicas nos piores momentos da crise de 2021.

“Teremos um ano bastante bom, bastante tranquilo, que nĂŁo vai causar tanta dor de cabeça, tanta dor no bolso”, disse Chiocchi, em encontro virtual com a imprensa para falar do cenĂĄrio do setor apĂłs o fim do perĂ­odo chuvoso.

Em 2021, a adoção da bandeira de escassez hídrica foi um dos vilÔes da inflação, que fechou o ano em 10,6%, a maior taxa anual desde 2015. A expectativa é que o fim da taxa extra ajude a aliviar o indicador, que hoje sofre com o mega-aumento nos preços dos combustíveis.

O diretor-geral do ONS defendeu a manutenção dos contratos das térmicas emergenciais contratadas pelo governo no auge da crise, que custarão R$ 39 bilhÔes pelos próximos cinco anos. Essas usinas foram justificadas à época como necessårias para ajudar na recuperação de longo prazo dos reservatórios.

“Na hora que tomamos a decisĂŁo [pela contratação] existia uma incerteza muito grande. TĂ­nhamos duas escolhas: o arrependimento de contratar e o arrependimento de nĂŁo contratar”, afirmou. “A decisĂŁo acertada, a meu ver, foi contratar”.

Ciocchi argumenta que o setor elétrico brasileiro é reconhecido pelo cumprimento dos contratos e que seria prejudicial para a segurança jurídica do setor romper com os vencedores do leilão realizado em outubro de 2021.

“Imagine se a gente quebra um contrato desse agora? Qual a confiança que os empreendedores, o mercado em geral, tĂȘm no setor elĂ©trico?”, questionou, dizendo que essas tĂ©rmicas podem ajudar a poupar mais ĂĄgua em reservatĂłrios de cabeceira dos principais rios do setor.

Ele reconheceu que algumas dessas usinas devem atrasar o inĂ­cio das operaçÔes, previsto para maio, por dificuldades na obtenção de licenças ambientais. Elas tĂȘm, por contrato, trĂȘs meses adicionais para resolver eventuais pendĂȘncias.

Seu custo, segundo o diretor-geral do ONS, nĂŁo Ă© significativo para a conta das bandeiras tarifĂĄrias e, por isso, nĂŁo demandarĂĄ taxas extras.

Ciocchi afirmou que a entrada de novos projetos de geração e de novas linhas de transmissão indica um que 2023 também deve ser um ano tranquilo para o setor elétrico, mesmo com poucas chuvas no período seco de 2022.

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