O diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Luiz Carlos Ciocchi afirmou nesta segunda-feira (11) esperar que a conta de luz dos brasileiros passe todo o ano de 2022 sem taxas extras para bancar usinas térmicas.
JĂĄ na segunda quinzena de abril a Aneel (AgĂȘncia Nacional de Energia ElĂ©trica) adotarĂĄ a chamada bandeira verde na conta de luz, depois de oito meses de vigĂȘncia da bandeira de escassez hĂdrica, taxa extraordinĂĄria para cobrir o rombo gerado pela seca no setor.
Essa taxa extraordinåria duraria até o fim de abril, mas o governo decidiu antecipar seu fim, alegando que os reservatórios foram recuperados com as fortes chuvas de verão e as medidas adotadas pelas autoridades do setor para poupar ågua durante a seca de 2021.
Ciocchi lembra que os reservatĂłrios das regiĂ”es Sudeste e Centro-Oeste terminam o perĂodo de chuvas no melhor nĂvel desde 2012. Nesta segunda, eles estavam com 65,14% de sua capacidade de armazenamento de energia.
As projeçÔes do ONS indicam que, mesmo com chuvas semelhantes Ă s de 2021, nĂŁo perderiam tanta ĂĄgua em relação ao momento atual. Nesse cenĂĄrio, o nĂvel de armazenamento ao fim de novembro chegaria a 62,9%.
Mesmo considerando a média de chuvas de 2008, quando o fenÎmeno La Niña atrasou a chegada das chuvas de fim de ano, a situação é mais confortåvel do que a de 2021, com os reservatórios encerrando novembro com 39,6% da capacidade, o dobro do verificado no ano passado.
Por isso, a expectativa Ă© que a geração tĂ©rmica se limite a usinas inflexĂveis, aquelas que nĂŁo podem parar, disse o executivo. Essas usinas tĂȘm capacidade em torno de 4 mil MW (megawatts), bem inferior aos mais de 20 mil MW demandados de tĂ©rmicas nos piores momentos da crise de 2021.
“Teremos um ano bastante bom, bastante tranquilo, que nĂŁo vai causar tanta dor de cabeça, tanta dor no bolso”, disse Chiocchi, em encontro virtual com a imprensa para falar do cenĂĄrio do setor apĂłs o fim do perĂodo chuvoso.
Em 2021, a adoção da bandeira de escassez hĂdrica foi um dos vilĂ”es da inflação, que fechou o ano em 10,6%, a maior taxa anual desde 2015. A expectativa Ă© que o fim da taxa extra ajude a aliviar o indicador, que hoje sofre com o mega-aumento nos preços dos combustĂveis.
O diretor-geral do ONS defendeu a manutenção dos contratos das térmicas emergenciais contratadas pelo governo no auge da crise, que custarão R$ 39 bilhÔes pelos próximos cinco anos. Essas usinas foram justificadas à época como necessårias para ajudar na recuperação de longo prazo dos reservatórios.
“Na hora que tomamos a decisĂŁo [pela contratação] existia uma incerteza muito grande. TĂnhamos duas escolhas: o arrependimento de contratar e o arrependimento de nĂŁo contratar”, afirmou. “A decisĂŁo acertada, a meu ver, foi contratar”.
Ciocchi argumenta que o setor elĂ©trico brasileiro Ă© reconhecido pelo cumprimento dos contratos e que seria prejudicial para a segurança jurĂdica do setor romper com os vencedores do leilĂŁo realizado em outubro de 2021.
“Imagine se a gente quebra um contrato desse agora? Qual a confiança que os empreendedores, o mercado em geral, tĂȘm no setor elĂ©trico?”, questionou, dizendo que essas tĂ©rmicas podem ajudar a poupar mais ĂĄgua em reservatĂłrios de cabeceira dos principais rios do setor.
Ele reconheceu que algumas dessas usinas devem atrasar o inĂcio das operaçÔes, previsto para maio, por dificuldades na obtenção de licenças ambientais. Elas tĂȘm, por contrato, trĂȘs meses adicionais para resolver eventuais pendĂȘncias.
Seu custo, segundo o diretor-geral do ONS, nĂŁo Ă© significativo para a conta das bandeiras tarifĂĄrias e, por isso, nĂŁo demandarĂĄ taxas extras.
Ciocchi afirmou que a entrada de novos projetos de geração e de novas linhas de transmissĂŁo indica um que 2023 tambĂ©m deve ser um ano tranquilo para o setor elĂ©trico, mesmo com poucas chuvas no perĂodo seco de 2022.

