Paulo AndrĂ© Ă© 2Âș no BBB, a vĂ­rgula que colocou na carreira de atleta

Por METRÓPOLES 27/04/2022 às 09:09

Paulo AndrĂ© nĂŁo estĂĄ acostumado a ser vice. Mesmo que no esporte olĂ­mpico o pĂłdio seja comemorado, os trĂȘs primeiros lugares sejam celebrados, a medalha de prata nunca agradou plenamente o atletas de 23 anos que acaba de deixar a casa do BBB22 na segunda colocação.

Em 2019, nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, PA ficou com a prata. Era a estreia dele em uma edição de Pan, jĂĄ como uma das estrelas da delegação brasileira graças aos bons resultados nas pistas. Mas ser vice nos 100 metros, a prova mais nobre do atletismo, nĂŁo o deixava totalmente feliz. Mesmo sendo o segundo melhor resultado de um brasileiro na histĂłria da prova nos Jogos. O Ășnico que faturou o ouro em um Pan foi Robson Caetano, em Havana 1991. Naquele 7 de agosto, Paulo AndrĂ© nĂŁo saiu completamente satisfeito da pista em Lima e, com personalidade, deixava isso claro.

– Estou feliz, mas nĂŁo satisfeito. Eu vim para sair com o tĂ­tulo. Miro sempre o lugar mais alto – disse PA em 2019 na capital peruana.

TrĂȘs anos depois, ao deixar a casa do Big Brother sem a medalha de ouro no jogo transmitido ao vivo e 24 horas por dia para o Brasil todo, o atleta olĂ­mpico tem mais motivos para comemorar a prata do que para lamentar a derrota para o ator Arthur Aguiar. O bronze ficou com o tambĂ©m ator Douglas Silva.

Para observar o sucesso de Paulo AndrĂ© nos Ășltimos quatro meses, basta olhar os nĂșmeros. Se o parĂąmetro for a quantidade de seguidores nas redes sociais, uma espiadinha no Instagram Ă© esclarecedor: @iampauloandre entrou no BBB com 78 mil seguidores e deixa o programa da TV Globo com 7,7 milhĂ”es. Como transformar isso em dinheiro, jĂĄ que perdeu o R$ 1,5 milhĂŁo de prĂȘmio pelo primeiro lugar? A resposta veio da brasileira nĂșmero 1 do mundo na atualidade, Anitta.

– Se o mutirĂŁo nĂŁo der certo, vocĂȘ faz esse R$ 1,5 milhĂŁo em publicidade em um mĂȘs – escreveu a envolvente estrela da mĂșsica referindo-se a campanha nas redes sociais para tentar fazer PA campeĂŁo do reality show.

No final, o programa foi uma maratona de boa exposição para PA. Mas, como em toda prova de 100 metros que corre, na linha de chegada ele sĂł queria abraçar e rolar no chĂŁo junto ao pai Carlos Camilo, ex-atleta de provas de velocidade e tĂ©cnico de Paulo AndrĂ©. Sim, rolar abraçado para um lado e para o outro Ă© uma brincadeira que pai e filho sustentam desde que ele era uma criança de 9, 10 anos. Foi assim que ambos comemoraram quando Paulo AndrĂ© correu os 100m em 9s90, em agosto de 2019, o que seria o novo recorde nacional da prova, mas que acabou invalidado por causa do vento, acima do permitido para a marca ser validada. Novamente, apĂłs o ĂȘxtase, PA voltava a ser o segundo melhor brasileiro da histĂłria dos 100m, atrĂĄs de Robson Caetano.

Nas próximas horas, nos próximos dias deste 2022, PA poderå repetir o gesto que guarda com carinho na mente desde a infùncia. E que não pode fazer nem no Pan de Lima, em 2019, nem nos Jogos Olímpicos de Tóquio, ano passado. Nas duas importantes ocasiÔes, Carlos Camilo não acompanhou o filho nas competiçÔes. O pai de PA não foi convocado pela CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) para ser um dos treinadores da equipe nacional nas duas missÔes internacionais. O que magoou Paulo André. Nas Olimpíadas de Tóquio, o velocista chegou até às semifinais. Mas novamente sentiu falta do pai, que agora quer levar para os Jogos de Paris em 2024.

– Antes de sair de casa, eu pedi para o meu pai confiar em mim. A gente trabalha junto. Eu larguei uma carreira lĂĄ fora e pedi pra ele confiar em mim, porque eu ia conseguir. E eu tĂŽ na final do BBB. Eu tĂŽ muito grato por ter passado por tudo isso, tudo o que eu quero Ă© que meu pai e minha mĂŁe estejam orgulhosos de mim e que eu consiga voltar e recuperar o que eu deixei lĂĄ fora, que Ă© o que eu sonho e que eu tenho certeza que eu vou conseguir: dar essa OlimpĂ­ada para o meu pai, que Ă© o sonho dele. Eu botei uma vĂ­rgula, porque eu queria aceitar esse desafio, essa experiĂȘncia, mas espero que eles estejam orgulhosos de mim, porque eu estou aqui por eles e principalmente pelo PAzinho – afirmou Paulo AndrĂ© em seus Ășltimos dias na casa do Big Brother.

E aqui cabe uma explicação: Carlos Camilo, apesar de ser um dos principais velocistas brasileiros dos anos 1980, não chegou a defender o país em uma edição dos Jogos Olímpicos. Companheiro de pistas do consagrado Robson Caetano, ainda hoje recordista nacional dos 100m com o tempo de 10 segundos cravados, Camilo não realizou o sonho que o filho tornou realidade em 2021, no Japão, ao correr as Olimpíadas. E o pupilo não pode levar o pai nem sequer para torcer, afinal, em meio à pandemia, as restriçÔes para não credenciados nos Jogos era total. Uma dor que PA não conseguiu superar.

Logo apĂłs TĂłquio, porĂ©m, Paulo AndrĂ© seria recompensado com o nascimento do primeiro filho, Paulo AndrĂ© JĂșnior, ou, simplesmente, PAzinho. E Ă© para ele tambĂ©m que toda trajetĂłria no BBB foi dedicada.

Dar uma vida melhor ao primogĂȘnito sempre foi um dos argumentos para ele permanecer no reality ou em pĂ© por horas e horas para ganhar disputas de resistĂȘncia. Sem clube, desde que rompeu com o Pinheiros, Paulo AndrĂ© ainda teve suspenso o pagamento das Ășltimas quatro parcelas da bolsa de R$ 1.850 mensais que recebia do governo federal durante a participação no programa da TV Globo.

No entanto, quando sair do BBB, Paulo André estarå apto R$ 3.100 mensais do mesmo governo, após passar a categoria internacional para a categoria olímpica do Bolsa-Atleta federal. Ele também é patrocinado pela Nike e recebe bolsa do governo do Espírito Santo, estado onde o atleta nascido em São Paulo cresceu e ainda hoje treina.

Para cortar a bolsa depois de oito parcelas pagas, o governo entendeu que Paulo AndrĂ© nĂŁo estava treinando como deveria ao entrar no programa, por mais que diariamente fosse possĂ­vel vĂȘ-lo na academia ou saltando degraus de escada, como Ă© fĂĄcil encontrar em vĂ­deos que se tornaram virais na Internet. A partir de agora, porĂ©m, os compromissos comerciais vĂŁo definir os prĂłximos passos de PA. Se serĂŁo rĂĄpidos, na pista, ou elegantes, como modelo publicitĂĄrio, algo que ele jĂĄ fez na carreira. Segundo quem cuida da carreira do atleta, o primeiro semestre de 2022 jĂĄ nĂŁo seria de competiçÔes para o velocista. NĂŁo estava no planejamento, antes mesmo do convite feito pelo BBB, em 2021, participar do Mundial indoor de atletismo, que ocorreu em março passado, em Belgrado, na SĂ©rvia.

A partir desta quarta-feira, dia 27 de abril de 2022, entretanto, se jĂĄ quiser voltar a pensar em alto rendimento no atletismo, Paulo AndrĂ© deve mirar o TrofĂ©u Brasil de Atletismo, que serĂĄ realizado no estĂĄdio Nilton Santos, no Rio, entre 23 e 26 de junho. A competição Ă© a Ășltima do paĂ­s para definir a equipe brasileira que vai ao Mundial de Atletismo, em Eugene, nos Estados Unidos, de 15 a 24 de julho. O estĂĄdio carioca nĂŁo recebe provas de atletismo desde os Jogos OlĂ­mpicos do Rio. Mas a presença de PA seria suficiente para lotar as arquibancadas como ocorreu em 2016? Ser o nome do atletismo com mais seguidores em uma rede social, atrĂĄs apenas dos aposentados Usain Bolt (11,2 milhĂ”es) e Caitlyn Jenner (12,5 milhĂ”es), se refletirĂĄ em mutirĂ”es de fĂŁs reais nas arquibancadas tambĂ©m? SĂł PA pode dar a resposta, como gosta de fazer nas pistas.

Foi o que ele fez em dezembro de 2020. Como jĂĄ ficou claro, Paulo AndrĂ© nĂŁo gosta de ser vice. Ao perder o GP Brasil de atletismo para Felipe Bardi, hĂĄ dois anos, em meio Ă  pandemia, criou-se um racha no atletismo nacional entre quem torcia pelo sucesso ou pela derrota de Paulo AndrĂ©. O entĂŁo astro solitĂĄrio dos 100m no Brasil se incomodou, foi Ă s redes sociais. Cinco dias depois, PA venceu o TrofĂ©u Brasil, na mesma pista do Centro OlĂ­mpico de SĂŁo Paulo. Na chegada, fez sinal de silĂȘncio com o dedo indicador na boca. Gesto que ele jĂĄ havia repetido em outras conquistas, como quando aponta para a pista e diz: “Quem manda aqui sou eu”. Marrento? Todo atletas dos 100m precisa ser, dizem os prĂłprios atletas. Na saĂ­da da pista, mais uma auto afirmação do PA atleta: “Aqui se separa os homens dos meninos”.

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