Uma nota pĂșblica intitulada âNota de repĂșdio contra o desmonte e o desaparelhamento dos instrumentos de gestĂŁo da Reserva Extrativista Chico Mendesâ, foi divulgada na Ășltima segunda-feira (27), sendo assinada por 10 entidades que atuam em defesa da AmazĂŽnia no Acre, entre elas, ComitĂȘ Chico Mendes, ComissĂŁo PrĂł-Ăndio do Acre e SOS AmazĂŽnia, retrata a difĂcil situação da reserva localizada na maior floresta tropical do mundo.
A Reserva Extrativista Chico Mendes é uma das maiores  åreas de proteção do Acre. Foi criada através do Decreto Federal No 99.144, em 12 de março de 1990, numa årea de 970.570 hectares no estado do Acre, com objetivo de assegurar o uso sustentåvel dos recursos naturais e proteger o meio de vida e a cultura das populaçÔes tradicionais das florestas.
A nota revela a demissĂŁo do diretor do ICMBio, no Ășltimo dia 20 de junho. “Um servidor de carreira, concursado, conhecedor da unidade, sua problemĂĄtica e desafios. Trata-se do Servidor FLUVIO DE SOUSA MASCARENHAS. No entanto, sem razĂ”es precisas, pela segunda vez, o exonera da função sem dialogar ou comunicar as associaçÔes, optando por escutar apenas um grupo de invasores (e irregulares) da UC. Vale destacar que se trata do mesmo grupo que durante a gestĂŁo do entĂŁo Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, foram recebidos e ouvidos em seu Gabinete em BrasĂlia. Diante dos fatos percebe-se, que estĂĄ a frente da gestĂŁo da UC um ĂłrgĂŁo com um Corpo Diretivo que nĂŁo respeita seus servidores e ignora a relevante missĂŁo institucional a qual sĂŁo imbuĂdos por lei a cumprirem. Uma Diretoria que aplica de forma explĂcita polĂticas de exclusĂŁo do diĂĄlogo Ă queles que divergem, eliminando as possibilidades de um trabalho coletivo, participativo e compartilhado com as comunidades. Dessa forma fica claro que a atual GestĂŁo Diretiva do ICMBio ignora completamente sua missĂŁo institucional, deixando prevalecer os seus interesses de quem destrĂłi a Floresta AmazĂŽnica e seus habitantes”, diz trecho.
No ano passado, a Resex liderou o ranking de ameaça de desmatamento, segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da AmazÎnia (Imazon).
A situação foi denunciada pelo deputado federal Leo de Brito (PT) na Cùmara dos Deputados, nesta quarta-feira (29).
“Ă um verdadeiro absurdo o que estĂĄ acontecendo na Reserva Chico Mendes, um desmonte por parte do Governo Federal e do ICMBIO e isso estĂĄ gerando inclusive conflitos e invasĂŁo de terras e estĂŁo querendo agora inclusive, com apoio do Governo Federal e Estadual, apoiar a redução da Reserva Extrativista [uma das propostas do projeto de lei 6024/2019] que Ă© fundamental para a população tradicional que lĂĄ existe”, disse Brito reafirmando apoio e solidariedade.
Veja vĂdeo do deputado:
Leo lembrou ainda as consequĂȘncias da demissĂŁo do diretor do ICMBio. “âVale alertar que a exoneração de forma intempestiva pode acarretar a nĂŁo realização da reuniĂŁo do conselho deliberativo da UC, que prevĂȘ tratar de pontos relevantes, como a realização do Censo 2019; cadastramentos de moradores e moradoras; estratĂ©gias de combate a ilĂcitos ambientais, como queimadas e outros; criação da CĂąmara de Juventudes; cooperação Internacional para tratamento do banco de dados e conciliação comunitĂĄria. Dessa forma, repudiamos integralmente esta forma de fazer gestĂŁo de uma unidade de conservação e estamos solicitando uma reuniĂŁo emergencial com o presidente do ICMBio para tratar destas questĂ”esâ.


