29.3 C
Rio Branco
26 junho 2022 2:33 pm

Estrelão completa 103 anos de história nesta quarta

Há exatos 103 anos, precisamente no dia 08 de junho 1919, nascia nos bretões da Floresta Amazônica o glorioso Rio Branco Football Club

POR MANOEL FAÇANHA, NA MARCA DA CAL

Última atualização em 08/06/2022 09:38

Há exatos 103 anos, precisamente no dia 08 de junho 1919, nascia nos bretões da Floresta Amazônica o glorioso Rio Branco Football Club. Uma agremiação idealizada pelas mãos do advogado amazonense Luiz Mestrinho, então com 27 anos, que chegara à capital acreana para presidir uma comissão de inquérito na agência dos Correios.

O advogado amazonense Luiz Mestrinho foi o idealizador do Rio Branco FC. Foto/Revista do Estrelão

Na época da criação do Estrelão o país era presidido pelo governo provisório de Delfim Moreira, esse passando meses depois o bastão para Epitácio Pessoa, presidente eleito em abril daquele ano com 70,96% dos votos válidos, numa vitória esmagadora sobre o seu opositor, o advogado e escritor Ruy Barbosa. O então território do Acre era dividido em quatro departamentos (Alto Acre, Alto Purus, Alto Juruá e Alto Tarauacá). O administrador do Alto Acre, onde estava situada a cidade de Rio Branco, tinha como administrador central o senhor José Tomás da Cunha Vasconcelos (1919/1921). Neste período, o prefeito de Rio Branco era o Dr. Augusto Monteiro.

O mundo, em especial a Europa, tentava se reerguer após a Primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918). A economia da região Norte não vivia mais a “Belle Époque Amazônica”, após a concorrência iniciada em 1910 com a Hevea brasiliensis plantada na Ásia.

Era nesse contexto histórico que nascia o Estrelão, isso logo após uma reunião ocorrida no dia 08 de junho de 1919, no Eden Cine Theatro (no local do Cine Teatro Recreio), na Rua 17 de Novembro, no 2° Distrito da cidade de Rio Branco. Dezesseis pessoas participaram da reunião, entre os quais estavam Nathaniel de Albuquerque, Conrado Fleury, José Francisco de Melo, Mário de Oliveira, Luiz Mestrinho Filho, Alfredo Ferreira Gomes, Manoel Vasconcelos, Francisco Lima e Silva, Pedro de Castro Feitosa, Jayme Plácido de Paiva e Melo. No mesmo dia da fundação, foram sugeridos por Luiz Mestrinho o nome do clube (em louvor à cidade e ao Barão do Rio Branco) e as cores vermelho e branco. O mascote escolhido foi a Estrela Altaneira, símbolo da Revolução Acreana, que também está presente na bandeira do Estado do Acre. Como primeiro presidente do Rio Branco foi escolhido Nathaniel de Albuquerque.

A estreia do Estrelão nos gramados

A primeira partida oficial disputada pelo Rio Branco ocorreu no campo improvisado onde hoje funciona a Praça da Revolução, dia 14 de julho de 1919, com vitória por 5 a 0 sobre o Militar Foot-Ball Club, equipe da Polícia Militar do estado. No mesmo ano, ocorreu o início dos campeonatos no Acre, com a primeira competição sendo denominada Liga Torneio Initium, no dia 9 de julho daquele ano. O Rio Branco sagrou-se campeão, vencendo o Acreano por 10×0 e o Ypiranga por 2×0.

Em 1921 é criada a Liga Acreana de Esportes Terrestres (LAET). O Rio Branco foi um dos seus fundadores, juntamente com o Acreano Sport CIub e o Ypiranga Sport Club. No dia 1º de agosto de 1921, teve início o primeiro campeonato oficial da LAET, disputado em dois turnos. No primeiro, o Rio Branco goleou o Acreano por 4×0 e o Ypiranga por 8×0. No segundo turno, 3×0 no Acreano e 1×0 no Ypiranga. O time do Rio Branco que foi campeão da competição estava assim formado: Alfredo; Zé Bezerra e Olavo; Nobre, Bandeira e Joca; Fontenelle, Gaston, Mello, Jacob e Carlos.

Equipe do Rio Branco Football Club do final da década de 1920. Foto/Revista do Estrelão

Centenário trágico, polêmica e boas recordações

No ano do centenário (2019), o torcedor alvirrubro não teve o que comemorar. O clube vivia e continua vivendo uma crise financeira, legado de dívidas contraídas a partir da temporada 2013. O reflexo disso tudo chegou ao time profissional ao fechar a temporada de forma melancólica no ano do centenário. O clube não venceu o título estadual, não avançou na primeira fase da Copa do Brasil (2 a 2 com Bahia) e ainda fez uma campanha pra lá de vergonhosa na disputa da Série D – duas vezes atropelado fora de casa por São Raimundo-RR (6 a 1) e Fast Club-AM (5 a 0).

O tricampeão do Copão da Amazônia

Em 1975, época ainda do futebol amador, os clubes do Acre, Amapá, Rondônia e Roraima, a pedido das federações, disputaram o Torneio da Integração, mais conhecido como Copão da Amazônia. A primeira edição aconteceu em 1975 em Porto Velho. No ano seguinte, o Rio Branco faturou o título do torneio diante do Baré-RR no Estádio José de Melo. Em 1977, em Macapá, o Estrelão buscou o bicampeonato, mas perdeu a grande final para o Moto Clube-RO nos pênaltis, depois de um empate em 1×1 no tempo normal. Em 1978, nova derrota na final para o Moto Clube-RO, desta vez por 1×0 em Boa Vista. A revanche aconteceu em 1979, na casa do adversário, com um 2×1 em pleno estádio Aluízio Ferreira, faturando o bicampeonato. O tricampeonato só aconteceu 5 anos depois, em 1984, depois de vencer o Baré-RR por 2×0 no dia 23 de outubro, no estádio Glicério Marques, em Macapá. Em 1986, novo vice-campeonato: após empates (1×1 em Rio Branco e 2×2 em Macapá), o título foi decidido em um terceiro jogo, com vitória do Trem-AP por 2×1, na capital amapaense. O torneio deixou de existir após a profissionalização das federações e dos clubes. O Rio Branco é o segundo maior vencedor do Copão, atrás apenas do Trem-AP, que faturou 5 títulos.

Profissionalização e outras proezas do “Mais Querido” 

No final da década de 1980, precisamente em 1989, ocorreu a profissionalização do futebol acreano. O Estrelão teve papel importante no processo ao puxar a fila para a implantação da profissionalização e, no mesmo ano, a agremiação fez sua estreia em competições nacionais disputando uma espécie de seletiva visando a criação do Campeonato Brasileiro da Série B. O torneio contou com a presença recorde de 96 clubes e o Estrelão surpreendeu caindo somente nas oitavas-de-final diante do Ceará, mas o suficiente para conquistar uma vaga na Série B de 1990, após 7 vitórias, 3 empates e quatro derrotas. No ano seguinte, o Estrelão, ao vencer o Guarani-SP, no Stadium José de Melo, por 1 a 0, gol de Frank, escapou do rebaixamento. Na temporada 1991, não teve jeito, o Rio Branco acabou rebaixado e o único momento memorável para o torcedor do Estrelão durante o torneio foi o gol assinalado pelo jogador Jailson no empate (1 a 1) contra a Tuna Luso-PA. O gol do jogador estrelado foi eleito o “Gol do Fantástico”.

No ano de 1990, o presidente Sebastião de Melo Alencar montou um Rio Branco competitivo para a Série B. Foto/Revista do Estrelão. Foto/Acervo Manoel Façanha

Estrelão vence o campeão da Taça Libertadores

Na temporada de 1993, pela Copa do Brasil, o Rio Branco fez uma daquelas proezas ao derrotar o São Paulo FC, então campeão da Taça Libertadores da América, por 1 a 0, gol de Vinícius, em jogo disputado no Stadium José de Melo. No jogo da volta, o Tricolor do Morumbi, agora com o time principal, venceu o alvirrubro acreano por 3 a 1.

No José de Melo, pela Copa do Brasil de 1993, o Rio Branco derrotou São Paulo, com gol de Vinícius. Foto/Revista do Estrelão.

Rio Branco surpreende o Clube do Remo e conquista da I Copa Norte

No ano de 1997, a CBF criou a extinta Copa Norte. O torneio foi disputado em duas chaves, uma delas na capital acreana. O Rio Branco, após empate sem gols na estreia contra o Ji-Paraná-RO e vitórias sobre Baré-RR e Independência (1×0) e uma goleada no Nacional-AM (4×1) conquistou o primeiro lugar em seu grupo e, consequentemente, a vaga para a final.

Na outra chave, o Clube do Remo garantiu o direito a decidir o título com o Estrelão. No primeiro duelo, ocorrido no Stadium José de Melo, houve um empate sem gols. No jogo da volta, em Belém, o Rio Branco, sob o comando do técnico Marcelo Altino, calou o Mangueirão ao derrotar o Clube do Remo pelo placar de 2 x 1, com gols de Palmiro e Vinícius, assim conquistando o título do torneio e passando a se chamar  “O Melhor do Norte”.

A cada gol, ironicamente, jogadores do Rio Branco sentavam ao chão, e imitavam remadores. Foto/Acervo Pessoal de Venícius Martins.

O triunfo sobre os paraenses garantiu ao time acreano vaga na extinta Copa Conmebol, hoje chamada de Copa Sul-Americana, assim tornando o primeiro clube da região Norte do país a disputar uma competição sul-americana.

Rio Branco, campeão da Copa Norte (1997). Em pé, da esquerda para a direita: Romilton, Cerezo, Ronaldo Paraíba, Marcelão, Ico e Waltermir. Agachados: Biro-Biro, Cícero, Palmiro, Bala e Testinha. Foto/Acervo Manoel Façanha

Rio Branco foi o 1º clube do Norte a disputar a Copa Conmebol

O adversário do Rio Branco na Copa Conmebol foi o Deportes Tolima-COL. O primeiro jogo apontou vitória colombiana por 2 a 1. No jogo de volta, dia 03 de setembro, com o Stadium José de Melo lotado, o Rio Branco venceu o confronto no apagar das luzes, aos 41 minutos, com um gol do atacante Gomes. O resultado empurrou a decisão da vaga para as penalidades, mas o Estrelão saiu derrotado por 3×1, com Hélio, Vinícius e Testinha errando suas cobranças.

O técnico Marcelo Altino conversa com um repórter colombiano a véspera da estreia na Copa Conmebol. Foto/Arquivo Pessoal Manoel Façanha

Estrelão conquista o histórico 10° lugar na Copa do Brasil de 1997

No mesmo ano, além da conquista do Campeonato Acreano, o Rio Branco fez história na Copa do Brasil. O clube eliminou o Baré-RR na primeira fase e, logo depois, despachou o Goiás (venceu o primeiro jogo no José de Melo por 1×0, e no segundo jogo perdeu por 2×1 no Serra Dourada). O time acreano então encarou nas oitavas de final do torneio o poderoso Flamengo, da dupla Romário e Sávio. No Stadium José de Melo, vitória acreana sobre o time reserva do rubro-negro por 2×1. Já no Maracanã, no episódio infeliz do goleiro Valtemir – expulso ao agredir o árbitro do jogo, o Rio Branco sucumbiu por 5 a 1, assim ficando na décima posição na classificação geral da competição.

Em fevereiro de 1997, o atacante Bala faz exercício físico na pré-temporada do Estrelão. Foto/Arquivo pessoal de Manoel Façanha

O acesso a Série B bateu na trave na temporada de 2009

Em 2004, 2007 e 2008 e 2009, o Rio Branco fez grandes campanhas na disputa do Campeonato Brasileiro da Série C. O alvirrubro quase subiu na temporada 2009, após empatar fora de casa com o Asa-AL (1 a 1) e novamente empatar com o clube alagoano na Arena da Floresta (2 a 2). No maior número de gols marcados fora de casa, a vaga acabou com o time nordestino.

Rio Branco – 2009. Em pé, da esquerda para a direita: Venícius Martins (prep. físico), André, Rodrigo Goiano, Gledson, Ismael, Josa, Rodrigão, Jean, Régis, Douglas e Dorielson Mendes (prep. de goleiros). Agachados: Renatinho, Hendrick, Ley, Rogério Tarauacá, Juliano César, Testinha, Ronaldo, Ananias e Zé Marco. Foto/Manoel Façanha.

Em 2011, o Rio Branco foi eliminado da segunda fase da Série C pelo STJD por ter entrado na justiça comum para ter o direito de utilizar o Estádio Arena da Floresta, em Rio Branco (AC). Um ano depois, o Rio Branco perdeu a vaga para a mesma competição na Justiça comum para o Treze-PB. No ano seguinte, um acordo no STF colocou o Estrelão de volta à competição. Sem dinheiro, o clube, além de amargar o rebaixamento, se endividou e sofre as consequências até os dias de hoje.

Maior campeão do estado

Nestes 103 anos de existência, as principais conquistas do Rio Branco consistem em 48 títulos estaduais, três copões da Amazônia e uma Copa Norte. Este último garantiu ao clube uma vaga na Copa Conmebol, tornando-se o primeiro clube da Região Norte do Brasil a disputar uma competição oficial sul-americana.

No futebol ainda constam a conquista de 15 edições do Torneio Início, quatro Torneio do Povo e duas edições da Taça cidade de Rio Branco.

Curiosidade

Cinco anos antes da criação do Rio Branco FC, nascia, em Fortaleza, o Ceará Sporting Club, precisamente no dia 2 de junho de 1914.

O curioso disso é que o Vozão, assim como a clube é conhecido no futebol brasileiro, antes se chamava Rio Branco Football Club, numa homenagem ao Barão do Rio Branco, um dos mais importantes nomes da história do Brasil.

Desde o começo, estava escrito que o clube faria jus a este nome. Suas cores eram roxo e branco. Naqueles tempos, no entanto, era difícil achar tecido com a cor roxa. O roxo então foi substituído pelo preto. O clube passou a ser alvinegro. Em seguida nova mudança, agora de nome, passando a se chamar Ceará Sporting Club.

É PERMITIDA SUA REPRODUÇÃO PARCIAL COM O SITE CONTILNETNOTICIAS.COM.BR SENDO LINKADO E CITADO.

spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Receba nossas notícias em seu email

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Junte-se a 6.086 outros assinantes

Opiniões emitidas em artigos e comentários são de responsabilidade exclusiva dos autores.