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26 junho 2022 6:31 pm

Filha de Chico Mendes, Ângela se solidariza com famílias de Dom e Bruno: “Senti a mesma dor há 30 anos”

"A cada ambientalista morto, milhares se levantam e é por isso que a gente continua aqui, pois a gente sabe que não está só", diz Mendes

POR NANY DAMASCENO, DO CONTILNET

Última atualização em 16/06/2022 14:39

Ângela Mendes, filha do ambientalista acreano Chico Mendes, assassinado em 1988, fez um pronunciamento emocionado nesta quinta-feira (16), sobre o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, também defensores da Amazônia.

Chorando, Ângela disse se identifica com as famílias das vítimas. “É impossível não se emocionar, mas eu não poderia deixar de vir aqui externalizar tudo o que estou sentindo, a dor, angústia, pois me identifico com a família do Dom, do Bruno, assim como também já me identifiquei com a família da irmã Dorothy, do José Cláudio, da Maria do Espírito Santos, me identifico com a dor da família do padre Józimo”, disse Mendes, lembrando ainda de povos indígenas que a cada ano perdem suas vidas ao terem seus territórios invadidos.

A morte de Chico Mendes foi relembrada por ter sido o primeiro crime do tipo que chocou o mundo e colocou o Acre em evidencia na mídia mundial. O seringueiro e defensor das florestas em pé foi morto em em Xapuri no dia 22 de dezembro de 1988. Antes de ser morto, foi alvo de inúmeras ameaças de  por causa de sua luta ambiental. Chico foi morto quando estava em sua casa, foi atingido com tiros de escopeta por Darci Alves, que agiu em conluio com seu pai, Darly Alves, conhecido grileiro de terras.

“Eu senti a mesma dor há 30 anos e continuo sentindo, é um dor que não passa, mas nos impulsiona a ir em frente e lutar mais. A cada ambientalista morto, milhares se levantam e é por isso que a gente continua aqui, pois a gente sabe que não está só”, finaliza Ângela.

Assista:

 

Sobre a morte de Dom e Bruno

Na segunda-feira (6), o desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips foi comunicado pela União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), na região do município de Atalaia do Norte, no Amazonas. De acordo com informações da Univaja, os dois chegaram no Lago do Jaburu no dia 3 de junho para visitar a equipe de Vigilância Indígena.

O indigenista e o britânico desapareceram quando faziam o trajeto entre a comunidade ribeirinha São Rafael até Atalaia do Norte. A área faz parte do Vale do Javari, segunda maior terra indígena do país e local da maior concentração do mundo de povos isolados. Phillips, que era colaborador do jornal britânico “The Guardian”, iria fazer entrevistas com indígenas na região e Pereira o acompanhava na realização do trabalho.

No dia 5, Pereira e Phillips deixaram o lago e partiram para a comunidade São Rafael, onde o indigenista participaria de uma reunião e chegaram ao destino por volta de 6h.

Após conversarem com uma local, ambos recomeçaram o trajeto de retorno à Atalaia do Norte e não foram mais vistos.

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