Quem Ă© Amarildo da Costa Oliveira, o ‘Pelado’, preso nas buscas por Bruno Pereira e Dom Phillips

Por G1 13/06/2022 Ă s 16:31

O pescador Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como “Pelado“, de 41 anos, Ă© a Ășnica pessoa investigada por suspeita de envolvimento nos desaparecimentos do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista inglĂȘs Dom Phillips. O g1 fez um levantamento das informaçÔes sobre o suspeito.

Bruno e Dom seguem desaparecidos. Os dois foram vistos pela Ășltima vez no dia 5 de junho, domingo da semana que passou, na Terra IndĂ­gena Vale do Javari, dentro do territĂłrio que pertence Ă  cidade de Atalaia do Norte, no Amazonas

As equipe de buscas encontraram pertences dos dois. Nesta segunda-feira (13), a mulher do jornalista britùnico, Alessandra Sampaio, disse que os corpos dele e do indigenista foram encontrados. Mas, as autoridades que atuam nas buscas, lideradas pela Polícia Federal (PF), não confirmam a informação.

Amarildo estĂĄ preso por outro motivo

Natural de Atalaia do Norte, Amarildo Ă© pescador. É casado. A polĂ­cia ainda nĂŁo divulgou se ele tem filhos. De acordo com a PolĂ­cia Civil, ele mora em SĂŁo Gabriel, comunidade que pertence Ă  ĂĄrea rural de Atalaia do Norte.

Ele Ă© o Ășnico suspeito de envolvimento nos sumiços, e estĂĄ preso desde o dia 7, terça-feira da semana passada. Em depoimento Ă  PolĂ­cia Civil do Amazonas (PC-AM), ele negou envolvimento no caso.

A polícia chegou ao nome de Amarildo logo no início das investigaçÔes. Testemunhas ouvidas pelas autoridades policiais disseram que viram o suspeito ameaçando Bruno Pereira. Uma testemunha também afirmou que Amarildo foi visto em uma lancha, navegando logo atrås da embarcação de Bruno e Dom.

Durante as buscas na casa do suspeito, a Polícia Militar do Amazonas (PM-AM) encontrou uma porção de droga, além de munição de uso restrito das Forças Armadas. Por esse motivo, ele foi preso. Amarildo mora na Comunidade São Gabriel. Dom e Bruno estiveram no local no dia do desaparecimento. Antes, eles passaram pela Comunidade São Rafael, que fica acima.

A dupla foi vista pela Ășltima vez na Comunidade Cachoeira, onde testemunhas viram Amarildo em uma lancha, atrĂĄs da embarcação em que estavam o indigenista e o jornalista.

Na noite da quinta-feira (9), a justiça decretou a prisão temporåria de Amarildo por 30 dias.

A lancha dele foi apreendida no mesmo da prisão. Dias depois, a Polícia encontrou sangue na embarcação. Mas, ainda não hå confirmação de que o material seja humano.

Histórico de ameaças

As investigaçÔes e informaçÔes divulgadas atĂ© o momento indicam que “Pelado” coleciona um histĂłrico de ameaças contra Bruno Pereira e lideranças indĂ­genas do Vale do Javari.

Em um documento obtido pelo g1 no domingo (12), a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) denunciou que Amarildo estava com um grupo de quatro ou cinco pessoas pescando no interior do Vale do Javari, próximo a aldeia Korubo, no dia 3 de abril.

Segundo o documento, “eles estariam de canoa pequena, no lago do Bananeira, na margem direita do rio ItuĂ­, pescando peixe liso e pirarucu”. Dollis cita ainda que ‘Pelado’ é apontado como um dos autores de diversos atentados com arma de fogo contra a Base de Proteção da Funai entre 2018 e 2019 no Vale do Javari.

Um amigo de Bruno Pereira, que preferiu nĂŁo se identificar, afirmou, na sexta-feira (10) , que o indigenista foi ameaçado por Amarildo um dia antes de desaparecer com o jornalista inglĂȘs Dom Phillips, no domingo (5). O indigenista e o jornalista foram vistos pela Ășltima vez apĂłs realizarem uma visita a uma comunidade prĂłxima Ă  Terra IndĂ­gena Vale do Javari, no Amazonas.

“Os dois [que acompanhavam Amarildo] levantam a arma para cima, nĂŁo apontando, mas sim mostrando a arma, dizendo que ali eles estavam presente, tentando nos intimidar. O ‘Pelado’ estava com uma cartucheira em sua cintura, com praticamente 30 cartuchos de calibre 16. Nesse momento, o Bruno levanta e dĂĄ um bom dia”, relata.

Bruno chegou a tirar foto dos trĂȘs, mas o material tambĂ©m estĂĄ desaparecido. A testemunha ainda conta que, em janeiro, “Pelado” teria atirado contra eles.

“A gente vinha subindo a margem do rio, e infelizmente, na hora que a Ă­amos passando o Bruno pediu para bater umas fotos e foi bater foto da regiĂŁo. Parece que ele [o Amarildo] nĂŁo gostou mesmo. AĂ­ nĂłs viramos de costas, e escutamos um tiro. Eu falei ‘Bruno, Ă© tiro’. E ele respondeu ‘Ă©, manda ele atirar de novo'”, comentou.

Jå durante as investigaçÔes sobre o desaparecimento de Bruno e Dom, testemunhas informaram à polícia que o viram navegando atrås da embarcação onde estavam Bruno e Phillips no dia em que desapareceram. Além disso, a perícia detectou a presença de sangue na lancha do suspeito. A família diz que ele é inocente e foi torturado.

Linha do tempo

Bruno AraĂșjo Pereira e do jornalista inglĂȘs Dom Phillips sumiram no domingo (5).  — Foto: TV Globo/Reprodução

Bruno AraĂșjo Pereira e do jornalista inglĂȘs Dom Phillips sumiram no domingo (5). — Foto: TV Globo/Reprodução

Bruno e Phillips foram vistos pela Ășltima vez quando chegaram na comunidade SĂŁo Rafael por volta das 6h de domingo (5). De lĂĄ, eles partiram rumo Ă  cidade de Atalaia do Norte, viagem que dura aproximadamente duas horas, mas nĂŁo chegaram ao destino.

Na terça-feira (7), a PolĂ­cia prendeu Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como ‘Pelado’. Durante buscas na casa dele, policiais militares encontraram uma porção de droga, alĂ©m de munição de uso restrito das Forças Armadas.

Na ocasião, também foi apreendida a lancha usada por ele. No domingo, dia em que o indigenista e o jornalista desapareceram, ele foi visto por ribeirinhos passando no rio logo atrås da embarcação dos dois, no trajeto entre a comunidade ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte. Uma testemunha ouvida pela Polícia na quarta-feira (8) disse que viu Amarildo e uma segunda pessoa na lancha no dia em que a dupla desapareceu.

A prisĂŁo temporĂĄria dele foi decretada pela justiça na quinta (9) e amostras do sangue encontrado na lancha foram encaminhadas para Manaus, onde passam por anĂĄlise. JĂĄ na sexta-feira (10), equipes que fazem buscas pelo indigenista e pelo jornalista britĂąnico encontraram “material orgĂąnico aparentemente humano”, no rio, prĂłximo ao porto de Atalaia do Norte.

De acordo com a nota, divulgada pela PolĂ­cia Federal (PF), o material encontrado foi encaminhado para anĂĄlise pericial pelo Instituto Nacional de CriminalĂ­stica da PF.

No domingo (12), a PolĂ­cia Federal encontrou um cartĂŁo de saĂșde com nome de Bruno e outros itens dele e de Dom Phillips. Durante a tarde, os bombeiros disseram ter encontrado uma mochila, um notebook e um par de sandĂĄlias na ĂĄrea onde sĂŁo feitas as buscas pelo jornalista inglĂȘs e pelo indigenista no interior do Amazonas.

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