Grávida morta há dois meses é intimada pela polícia a depor

Por G1 08/07/2022 Ă s 10:41

Uma jovem morta há mais de dois meses em um acidente de trânsito foi intimada pela Polícia Civil a prestar depoimento em Curitiba. Manuela Queiroz Vicentini, de 19 anos, estava grávida, e morreu no final de abril no hospital.

Em junho, a família dela recebeu uma intimação da polícia informando que a jovem deveria comparecer à delegacia testemunhar em outra investigação na qual o motorista que causou o acidente denuncia a Polícia Militar (PM). Ele alega que não fez o teste do bafômetro por ter sido agredido pelos policiais.

A Polícia Civil reconheceu que errou na intimação (veja abaixo). Os familiares tiveram que ir até a delegacia para esclarecer que Manuela havia morrido.

“Eu nĂŁo sei como funciona isso, esse tipo de coisa, de documentos, mas a gente ter que ir na delegacia para falar ‘olha, minha filha nĂŁo tem como depor porque ela nĂŁo está mais aqui’ Ă©, no mĂ­nimo, muito revoltante”, comentou Adriana Queiroz, mĂŁe da vĂ­tima. 

Após morrer em acidente, grávida foi intimada pela Polícia Civil a comparecer a uma delegacia — Foto: Reprodução/RPC

Após morrer em acidente, grávida foi intimada pela Polícia Civil a comparecer a uma delegacia — Foto: Reprodução/RPC

O acidente

Segundo a polícia, o carro em que Manuela e o marido estavam foi atingido pelo veículo de Samuel Alisson Soares Barbosa. Ele dirigia embriagado e furou a preferencial. A jovem estava grávida de seis meses. A criança também morreu.

Uma câmera de monitoramento registrou a batida registrada em 18 de abril. Veja, no vídeo abaixo.

Samuel foi preso em flagrante por lesão corporal qualificada e embriaguez ao volante. Ele foi solto pela Justiça dias depois.

Erro na intimação

A intimação recebida pela família convocava Manuela para ir até a delegacia no dia 4 de julho. Os pais da jovem foram até o distrito policial na data marcada na intimação para esclarecer o erro.

Adriana Queiroz, mĂŁe de Manuela, contou que a famĂ­lia informou o problema a um policial que fazia o atendimento e eles foram chamados para falar com a escrivĂŁ.

“Quando a gente chegou na delegacia e fomos atendidos, a gente explicou que a Manuela havia sido intimada mas como ela nĂŁo podia comparecer, a gente foi no lugar dela”, disse.

Supostas agressões da PM ao motorista

O advogado Ryan Antunes de Sá atua na defesa do motorista Samuel Barbosa e disse que o inquérito policial sobre o acidente foi concluído em maio. Eles aguardam o Ministério Público do Paraná (MP-PR) decidir se oferece ou não a denúncia.

A defesa afirma que Samuel está em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares e possui “recurso em sentido estrito no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná que versa sobre a competĂŞncia da Vara do Tribunal do JĂşri para julgar este caso”.

O advogado disse que não vão se manifestar sobre a investigação que apura as denúncias de agressão.

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