O que se sabe sobre caso de estupro por médico durante parto no RJ

Por Correio Braziliense 12/07/2022

Um médico anestesista foi preso na madrugada de segunda-feira (11/7) após ser acusado de estuprar uma paciente enquanto ela estava dopada e passava por um parto no Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, no Rio de Janeiro.

Segundo a PolĂ­cia Civil, a prisĂŁo foi feita em flagrante pela Delegacia de Atendimento Ă  Mulher da cidade porque o crime foi registrado em vĂ­deo.

Os agentes foram acionados depois que funcionĂĄrios da unidade de saĂșde desconfiaram da postura do anestesista e o filmaram durante uma cesariana.

O médico foi identificado pelas autoridades como Giovanni Quintella Bezerra.

Segundo o portal de notĂ­cias G1, que teve acesso ao vĂ­deo do momento do crime, ele teria passado seu pĂȘnis no rosto e na boca da paciente enquanto ela estava sob anestesia.

A polĂ­cia afirmou que Bezerra foi indiciado por estupro de vulnerĂĄvel. A pena Ă© de 8 a 15 anos de reclusĂŁo.

A BBC News Brasil tentou contato com a defesa do médico, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.

Em nota ao G1, o representante legal de Bezerra na ocasiĂŁo disseram que se manifestariam apĂłs ter acesso a depoimentos e provas relacionados ao caso.

Posteriormente, o advogado informou Ă  BBC News Brasil que se retirou do caso, e a reportagem ainda nĂŁo conseguiu localizar os novos representantes de Bezerra.

O que aconteceu?

Segundo a PolĂ­cia Civil do Estado do Rio de Janeiro, Bezerra Ă© acusado de ter estuprado a vĂ­tima enquanto ela dava Ă  luz.

No vídeo divulgado pelo G1, a paciente estå deitada na maca, inconsciente. Um lençol, sempre usado em cesarianas, separa seu tronco de suas pernas.

Nas imagens Ă© possĂ­vel ver, do lado esquerdo do lençol, a equipe cirĂșrgica do hospital fazendo a cesĂĄrea.

Enquanto isso, do lado direito do lençol, a menos de um metro de distùncia dos colegas, um homem que o vídeo identifica como o anestesista se posiciona perto do rosto da paciente.

Segundo o portal, ele teria aberto o zĂ­per da calça, puxado o pĂȘnis para fora e introduzido na boca da mulher.

Ainda de acordo com o portal, a violĂȘncia teria durado dez minutos. Ao final, ele teria pegado um lenço de papel e limpado a vĂ­tima para esconder os vestĂ­gios do crime.

Como foi feita a filmagem?

O vĂ­deo foi gravado e entregue Ă  polĂ­cia por enfermeiros da unidade.

Os funcionårios esconderam o celular na sala de cirurgia depois de desconfiarem da quantidade de sedativo usado pelo anestesista em outras ocasiÔes e da movimentação dele próximo a pacientes durante os procedimentos.

Segundo o G1, os funcionårios do hospital trocaram a sala de parto para conseguir filmar o flagrante. No domingo (10/7), o médico jå tinha participado de outras duas cirurgias em salas onde a gravação escondida seria inviåvel.

Como ocorreu a prisĂŁo?

Segundo a Polícia Civil, a equipe que realizou a prisão foi acionada para verificar a informação de que o anestesista havia sedado uma paciente em cirurgia de cesariana e abusado dela.

“Imediatamente, os policiais foram Ă  unidade hospitalar e apuraram que, desconfiadas da postura do mĂ©dico, as enfermeiras resolveram colocar um aparelho de telefone celular para registrar o que o ele fazia durante as cirurgias”, diz a nota divulgada pela corporação.

Em um vídeo do momento da prisão divulgado pelo G1, o médico demonstra surpresa ao receber voz de prisão da delegada Bårbara Lomba e ao tomar conhecimento de que tinha sido gravado abusando da paciente.

Frascos do sedativo utilizado foram apreendidos, e funcionĂĄrios do hospital prestaram depoimento na delegacia.

As investigaçÔes apuram se o médico teve outras condutas criminosas.

Quem é o médico?

Segundo a Secretaria de Estado de SaĂșde do Rio de Janeiro, Giovanni Quintella Bezerra Ă© mĂ©dico anestesista e prestava serviço hĂĄ seis meses como pessoa jurĂ­dica para o Hospital da Mulher Heloneida Studart e outros dois hospitais da regiĂŁo – o Hospital Estadual da MĂŁe de Mesquita e o Hospital GetĂșlio Vargas.

“O mĂ©dico nĂŁo Ă© servidor do Estado”, afirmou a Secretaria em nota. Ele tem tĂ­tulo de especialista em anestesiologia e registro profissional regular.

A direção do Hospital da Mulher abriu uma sindicùncia interna para tomar as medidas administrativas e notificou o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj).

Em nota, a Cremerj confirmou que recebeu as denĂșncias e abriu imediatamente um procedimento cautelar para suspensĂŁo imediata do mĂ©dico, devido Ă  gravidade do caso.

“TambĂ©m estĂĄ sendo instaurado processo Ă©tico-profissional, cuja sanção mĂĄxima Ă© a cassação do exercĂ­cio profissional do mĂ©dico”, disse o ĂłrgĂŁo.

Procurado, o Conselho Federal de Medicina (CFM) informou que caberĂĄ ao Cremerj a tomada de providĂȘncias sobre o caso, conforme o previsto na legislação brasileira.

Em nota enviada ao G1, a defesa do médico afirmou que ainda não obteve acesso na íntegra aos depoimentos e elementos de provas que foram produzidos durante a lavratura do auto de prisão em flagrante.

“A defesa informa tambĂ©m que, apĂłs ter acesso a sua integralidade, se manisfestarĂĄ sobre a acusação realizada em desfavor do anestesista Giovanni Quintella.”

O advogado informou posteriormente, na segunda-feira, Ă  BBC News Brasil que nĂŁo representa mais Bezerra no caso.

A reportagem ainda não conseguiu localizar os novos representantes legais do médico.

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