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No Acre, mais de mil crianças que nasceram em 2022 não têm o nome do pai no registro

Por CAMILA GOMES, DO CONTILNET

No Acre, mais de mil crianças que nasceram em 2022 não têm o nome do pai no registro

Apesar de ser um assunto ainda muito mascarado, principalmente pelas campanhas publicitárias na mídia brasileira, o número de pais ausentes ainda é exorbitante e pode trazer grandes malefícios para a vida de muitas crianças.

A Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) agora disponibiliza uma nova página em seu Portal da Transparência, voltada para a identificação do número de crianças registradas só em nome da mãe no Brasil. A página é denominada de Pais Ausentes. 

O registro de nascimento, quando o pai for ausente ou se recusar a realizá-lo, pode ser feito somente em nome da mãe que, no ato de registro, pode indicar o nome do suposto pai ao Cartório, que dará início ao processo de reconhecimento judicial de paternidade.

No estado do Acre, mais de mil crianças que nasceram em 2022 não possuem o nome do pai no registro. Na capital acreana, o número é de 364 crianças sem o nome do pai. Em seguida, vem o município de Cruzeiro do Sul, com 263 crianças com pais ausentes. 

Pais ausentes geram consequências

De acordo com o site Veja Saúde, o afastamento do pai ou a ausência dele no crescimento de uma criança é capaz de trazê-la consequências no desenvolvimento infantil. Existem evidências recentes de um elo entre a ausência da figura paterna e a aceleração do amadurecimento sexual nas meninas. 

O psicólogo Bruce Ellis, dos Estados Unidos, mostra que a consolidação das relações familiares ajuda a retardar a menarca, ou primeira menstruação. Em sua pesquisa, ele observou 173 garotas desde a idade pré-escolar até a 7ª série. Segundo ele, aquelas que conviviam satisfatoriamente com os pais durante os cinco primeiros anos de vida entraram na puberdade mais tarde.

No Acre, mais de mil crianças que nasceram em 2022 não têm o nome do pai no registro

Imagem: reprodução

As mães fazem os dois papeis, de pai e mãe, mas ainda assim, não é só a ausência do pai que traz pontos negativos, mas sim não ter uma figura paterna, uma imagem a ser seguida por alguém que se intitula pai e realiza tal papel.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 12 milhões de mães chefiam lares sozinhas, sem o apoio dos pais. Destas, mais de 57% vivem abaixo da linha da pobreza, ou seja, o Dia dos Pais é comemorado apenas por uma parte da população brasileira, onde a outra parte enaltece as “pães”, mães que fazem o papel de um pai ou apenas não comemoram esta data.

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