O municĂpio de SĂŁo Gabriel da Cachoeira (AM), considerado o mais indigenista do Brasil, passou a contar com 42 professores de lĂngua indĂgena formados pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O grupo Ă© da etnia Yanomami e colou grau no sĂĄbado (20). O municĂpio Ă© composto por 23 etnias, que comportam 97% dos indĂgenas do Brasil.
A cerimĂŽnia foi realizada no prĂłprio territĂłrio Yanomami, aos pĂ©s do Pico da Neblina, o ponto mais elevado do Brasil. Segundo a Ufam, alĂ©m deles, os baniwa, os tukano e os de lĂngua yĂȘgatu, tambĂ©m concluĂram o curso nos meses de julho e agosto e tiveram suas cerimĂŽnias de outorga de grau igualmente em terra indĂgena.
Para chegar até o local, foi preciso enfrentar horas de voo e uma travessia de barco, regada por uma chuva torrencial. Nessa época do ano, de agosto até setembro, é inverno na região do Alto Rio Negro, portanto, é quando mais chove. O acesso às comunidades é facilitado e o rio estå mais volumoso, mas isso não torna a viagem mais segura jå que os riscos são iminentes.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/Z/j/H7iBNrRYq7VcrEs6qDHQ/formatura-indigena-3.jpeg)
AlĂ©m dos Yanomamis, outras etnias tambĂ©m tiveram colaçÔes de grau. â Foto: Divulgação/Ufam
ConcluĂda a travessia, a comitiva da Ufam chegou ao local jĂĄ no inĂcio da noite. AlĂ©m de representantes da universidade, a cerimĂŽnia contou com membros das Forças Armadas e representantes da Federação das OrganizaçÔes IndĂgenas do Rio Negro (Foirn), parceira da Universidade na execução do projeto, alĂ©m de outras associaçÔes indĂgenas.
Os até então formandos homenagearam com o nome da turma o cacique Joaquim Figueiredo e os tuxauas Daniél Góes e Osvaldo Lins, jå falecidos.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/t/Q/mdeqjzQBOd5PSSVn2mBw/formatura-indigenas-1.jpeg)
Familiares participaram da cerimĂŽnia. â Foto: Divulgação/Ufam
Em sua fala, o reitor da Ufam, Sylvio Puga, mencionou a Constituição Federal de 1988 pelo qual o Estado Brasileiro passou a incorporar a concepção de diversidade étnico-cultural, implicando dizer que os povos tradicionais estão, nos termos da lei, com os direitos resguardados.
“Na prĂĄtica, o desafio de implementar polĂticas voltadas a esses povos Ă© do tamanho da nossa regiĂŁo. Ă difĂcil promover conhecimento de forma que as etnias nĂŁo se desassociem da cultura, de seu valor de pertencimento Ă©tnico, de sua lĂngua materna ao passo que se insira nos processos de aprendizagem”, observou.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/8/8/Rj52XAQAeGag9CZWehMA/formatura-indigena-5.jpeg)
Lideranças indĂgenas tambĂ©m participaram da cerimĂŽnia â Foto: Divulgação/Ufam
A professora Iraildes Caldas Torres, estudiosa, pesquisadora de gĂȘnero hĂĄ mais de duas dĂ©cadas das mulheres saterĂ©-mawĂ© e tikuna, de MauĂ©s, estava alegre ao ver que dos 42 diplomas emitidos, 13 seriam conferidos a mulheres Yanomami.
Para o representante da Foirn, DĂĄrio Cassimiro Baniwa, quem ganha com o acontecimento Ă© o povo indĂgena.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/H/O/CEcyNJRDGfqBKBwpFLpQ/formatura-indigena-4.jpeg)
IndĂgenas sĂŁo da etnia yanomami. â Foto: Divulgação/Ufam
“TrĂȘs momentos marcantes na histĂłria passam por vocĂȘs. o primeiro na dĂ©cada de 1970, com a construção da Perimetral Norte; nos anos 1980 e inĂcio dos de 1990, o conflito entre contra centenas de garimpeiros em balsas que invadiram o territĂłrio e mais recentemente, a demarcação das suas terras. Desde os anos de 1970, os Yanomami sofrem com intervençÔes e ameaças, fosse pelo avanço dos nĂŁo Ăndios prĂłximo Ă s suas aldeias, mineração, extração ilegal como por doenças e reversĂŁo de direitos. Ă preciso ficar atento sempre. Mas, nem tudo Ă© lamento. Esta Ă© a oportunidade de festejar e tambĂ©m lembrarmos daqueles que muito contribuĂram”, salientou.
