“IndependĂȘncia ou morte!”: saiba a verdadeira histĂłria do 7 de setembro, segundo historiador

Por MAURÍCIO GALVÃO, DO CONTILNET 07/09/2022 às 08:25 Atualizado: há 4 anos

O Hino Nacional Brasileiro Ă© considerado um dos mais belos e melodiosos do mundo. De fato, a lĂ­ngua portuguesa, em si, Ă© considera uma das mais melodiosas e adequada para expressar emoçÔes. Mas o fato Ă© que nosso Hino Nacional nĂŁo condiz com a verdade histĂłrica. Escrito por Evaristo da Veiga, o Hino da IndependĂȘncia jĂĄ estava pronto em agosto de 1822, antes mesmo da IndependĂȘncia do Brasil.

“Ouviram do Ipiranga as margens plĂĄcidas
De um povo herĂłico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fĂșlgidos,
Brilhou no céu da Påtria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, Ăł Liberdade,
Desafia o nosso peito a prĂłpria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!”

O Sete de Setembro, pedra angular da independĂȘncia brasileira em relação Ă  Portugal, ocorreu de uma forma um tanto mais inusitada. Nossa histĂłria possui muitos elementos que sĂŁo, na realidade, fĂĄbulas construĂ­das. Mas Ă© melhor que seja assim, algumas vezes.

Ainda que estejamos comemorando 200 anos de independĂȘncia, o que se sabe Ă© que, em uma tarde de sĂĄbado, Dom Pedro I proclamou a IndependĂȘncia do Brasil, montado numa mula, e nĂŁo num grande e portentoso cavalo branco. Grandes viagens simplesmente nĂŁo eram realizadas em cavalos, pois nĂŁo estavam preparados para o volume e peso a ser carregado.

O entĂŁo prĂ­ncipe D. Pedro, apĂłs subir a Serra do Mar, num caminho percorrido de Santos em direção Ă  SĂŁo Paulo e montado numa mula, foi acometido de uma forte diarreia, o que o obrigou parar Ă s pressas Ă  beira do riacho do Ipiranga para se aliviar. Segundo o historiador e escritor OtĂĄvio Tarquino de Sousa (1889 — 1959), “aludindo Ă  disenteria que afetara o prĂ­ncipe, este era forçado a apear-se da montaria a todo momento”. Seria catastrĂłfico se nosso Hino Nacional contasse a histĂłria como ela realmente foi. Basta imaginar a letra, substituindo uma coisa pela outra.

Caro leitor, vocĂȘ tambĂ©m deveria esquecer a frase “independĂȘncia ou morte”, nĂŁo pelo sentido que ela expressa, mas pelo fato de que ela nunca ocorreu. Na realidade, a verdadeira frase dita teria sido: “Nada mais quero com o governo portuguĂȘs e proclamo o Brasil, para sempre, separado de Portugal”. A expressĂŁo IndependĂȘncia ou Morte estĂĄ de fato no hino da RomĂȘnia, que em 1876 se separou da Hungria.

O famoso quadro estampado em nossos melhores livros de história, pintado pelo italiano Pedro Américo somente em 1888, também não é fiel à realidade. As vestimentas retratadas seriam impossíveis de serem usadas no clima brasileiro. A guarda imperial, em destaque, nem havia sido criada na época.

Portugal, por sua vez, nĂŁo aceitou nem se acovardou diante da declaração de IndependĂȘncia. Cobrou cerca de 2 milhĂ”es de libras esterlinas para aceitĂĄ-la e Dom Pedro teve que fazer um tratado com a Inglaterra para poder pagar. Foi o inĂ­cio de nossa dĂ­vida externa.

Maria Leopoldina, esposa de Dom Pedro, teria também avisado o marido sobre a intenção de Portugal de recolonizar o Brasil, (que, na época, possuía o status de Reino Unido) enviando uma carta ao príncipe explicando a situação, enquanto ele estava na casa de sua amante, Domitila de Castro, a Marquesa de Santos.

O povo brasileiro, de sua parte nĂŁo acolheu por unanimidade a independĂȘncia. As provĂ­ncias do ParĂĄ, Bahia, PiauĂ­, MaranhĂŁo e Cisplatina resistiram e Pedro teve que contar com ajuda da Inglaterra para conter os rebeldes, contratando atĂ© mercenĂĄrios. Em 1825, a Cisplatina conquistou sua independĂȘncia no dia 25 de agosto e, assim, formou o atual Uruguai, de lĂ­ngua espanhola.

Para finalizar, os jornais da Ă©poca sĂł citam a proclamação da IndependĂȘncia a partir de 12 de outubro. Alguns historiadores questionam se a IndependĂȘncia do Brasil tenha sido realmente proclamada no dia 7 de Setembro. Ela sĂł começou a ser comemorada quatro anos depois, em 1826.

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