Diabete: conheça os sinais da doença em crianças; assista à entrevista

Por JB 15/11/2022

Sede e fome excessiva, perda de peso, irritabilidade, ida com muita frequĂȘncia ao banheiro, cansaço e visĂŁo turva. Esses podem ser alguns dos sinais para o diagnĂłstico de diabetes. Outro indĂ­cio Ă© se formigas se aproximem da urina.

“Esses sĂŁo os primeiros sintomas que pais e mĂŁes devem se atentar, para que se possa ter um diagnĂłstico precoce e iniciar o tratamento o quanto antes, para se evitar comorbidades no futuro”, explica Jaqueline Correia, presidente do Instituto de Diabetes Brasil e mĂŁe de uma criança com diabetes tipo 1. No prĂłximo dia 14 de novembro, Ă© dia de conscientização sobre diabetes.

Diabetes do tipo 1 é um tipo de doença autoimune e sem cura e ocorre por causa de produção da insulina no corpo humano por parte do pùncreas.

Esse tipo especĂ­fico da doença Ă© mais comum em crianças e adolescentes, pois jĂĄ nascem com a prĂ©-disposição de desenvolverem a doença. O tratamento visa o controle glicĂȘmico do corpo, utilizando a insulina e fazendo uma dieta adequada, juntamente com exercĂ­cios fĂ­sicos.

“O meu filho foi diagnosticado com dois anos e nove meses. A gente tinha todo um planejamento familiar e a diabetes nĂŁo estava no nosso planejamento”, relata Jaqueline Correia. Ainda conta que a rotina familiar muda 100%, pois Ă© preciso ter uma atenção redobrada quando se trata de crianças.

“Eu precisei abrir mĂŁo de todos os meus sonhos profissionais para me dedicar ao meu filho, que ainda era um bebĂȘ, e eu nĂŁo tinha mais ninguĂ©m para cuidar dele, atĂ© mesmo para confiar em aplicar a dosagem certa. Porque se por acaso alguĂ©m aplica uma dosagem errada, dĂĄ uma hipoglicemia e pode levar a Ăłbito”, explica Jaqueline de seu medo ao deixar seu filho fora de seus cuidados.

Tratamento

O paciente com diabete tipo 1 precisa manter uma rotina para que ele consiga fazer as dosagens de insulina e se manter o mais prĂłximo dentro do alvo, que Ă© o controle glicĂȘmico. EntĂŁo Ă© preciso se alimentar no horĂĄrio certo, fazer atividades fĂ­sicas e fazer um controle alimentar, que seria a contagem de carboidrato.

Uma tĂ©cnica discutida por nutricionistas, que atendem pessoas com diabetes, junto a um endocrinologista. É uma tĂ©cnica em que todo alimento consumido passa por uma contagem de carboidratos e, atravĂ©s disso, Ă© possĂ­vel saber qual quantidade de insulina deve ser aplicada.

A utilização da insulina, serå para a vida toda da pessoa que for diagnosticada, tornando-a dependente do medicamento. Existem dois tipos do remédio: a insulina basal, utilizada na parte da manhã, e a insulina ultra råpida, usada antes de cada refeição ou quando hå necessidade de corrigir a glicemia.

A insulina ajuda o paciente a manter um nĂ­vel glicĂȘmico considerado saudĂĄvel, que fica entre 70, antes das refeiçÔes, e atĂ© 180, depois das refeiçÔes. Permanecendo dentro desses nĂ­veis, a pessoa conseguirĂĄ evitar comorbidades relacionadas Ă  diabetes, como a cegueira e problemas nos rins, por exemplo.

Novas tecnologias

HĂĄ tambĂ©m tecnologias para o tratamento, como o Sistema de FusĂŁo ContĂ­nuo (SIC), que traz o paciente mais prĂłximo dentro do alvo glicĂȘmico ideal. É indicado para crianças e adolescentes e faz-se a aplicação de micro doses de insulina de acordo com a necessidade do paciente. O mĂ©dico irĂĄ observar a rotina da criança e programar as dosagens de insulina corretas, fazendo com que essa bomba funcione como um pĂąncreas artificial.

AlĂ©m disso, tambĂ©m hĂĄ o sensor de monitoramento contĂ­nuo. É um adesivo, do tamanho de uma moeda de 1 real, aplicado no braço que monitora a glicemia do paciente. Possui um leitor que possibilita o escaneamento da glicemia. Fornecendo assim as tendĂȘncias dos Ă­ndices glicĂȘmicos. Ou seja, quando a glicemia poderĂĄ subir ou descer dos nĂ­veis aceitĂĄveis. Assim, o paciente consegue visualizar esses dados e tomar uma atitude rapidamente, antes de ter uma hipoglicemia ou uma hiperglicemia.

Acolhimento

Criado em 2020, o Instituto Diabetes Brasil (IDB), tem como objetivo amparar e acolher mĂŁes e crianças com Diabetes tipo 1. O grupo se iniciou a partir de grupos de mĂŁes no whatsApp, onde todas se ajudavam a passar por momentos difĂ­ceis, trocavam conselhos e faziam amizades. Como foi o caso de CĂ©lia Cristina, fisioterapeuta e mĂŁe de uma criança diagnosticada com a doença: “ Eu era uma das mĂŁes desses grupos, e aĂ­ a gente teve essa ideia de realmente formar esse grupo maravilhoso e que me amparou. Porque a gente se fortalece, a gente aprende, a gente realmente tira força onde nĂŁo tem. E conhece pessoas maravilhosas como a conheci a Jaque”.

“A gente começou a produzir alguns encontros com os familiares, com as crianças e adolescentes com diabetes no ano de 2016. E em 2020 a gente sentiu a necessidade de oficializar o instituto”, explica Jaqueline, que se tornou presidente do instituto. Ainda relata que nesses grupos não tinham apenas familiares de Brasília, mas de todo o país. E por isso do nome “Instituto Diabetes Brasil”.

O instituto hoje tem trĂȘs projetos para a população em geral e tambĂ©m para as pessoas com diabetes e familiares que Ă© o “saĂșde na comunidade”. Um evento de prevenção e diagnĂłstico precoce. O projeto leva tĂ©cnicos da saĂșde Ă  comunidades, onde ocorre exames de ponta de dedos, para fazer um mapeamento de quantas pessoas com diabetes tem naquela regiĂŁo. Podendo, assim, fazer um diagnĂłstico precoce em crianças.

HĂĄ, tambĂ©m, o projeto de educação em diabetes para profissionais da educação. Hoje nĂłs nĂŁo temos polĂ­ticas pĂșblicas que ampare a criança com diabetes tipo um dentro das escolas. E muitas vezes as matrĂ­culas sĂŁo negadas pras crianças porque a escola nĂŁo tem suporte para receber essas crianças, nĂ©? EntĂŁo nĂłs temos todo um projeto que chama: educação em diabetes para profissionais da educação. Que a gente trabalha dentro das escolas.

 

 

 

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