Conheça o acreano de escola pública que virou embaixador aos 15 anos e já fez vários intercâmbios

Por REBECA MARTINS, PARA O CONTILNET 25/12/2022

Felipe Storch de Oliveira, de 29 anos, foi jovem embaixador aos 15 e fez diversos intercâmbios para o exterior. Ele concluiu o ensino médio em escola pública no Colégio José Rodrigues Leite e, mesmo antes de terminar, fez a viagem a Washington D.C, capital dos Estados Unidos.

Felipe relata que sempre teve interesse em aprender inglês e foi quando a família começou a ganhar o Bolsa Escola que conseguiu a oportunidade de fazer um cursinho pago, pois na época não existia estudo de línguas de forma gratuita no estado. Em 2009 passou no programa Jovem Embaixador e em janeiro de 2010 viajou para Washington.

Para ele, o ambiente inicialmente causou um choque cultural, ele ficou com uma família norte-americana e pôde acompanhar de perto a rotina dessas pessoas. O grupo de jovens, que ele estava junto, com pessoas de vários estados brasileiros foram também ao Banco Mundial, a Rádio Voz da América e aprenderam sobre as estratégias de comunicação estadunidense, também visitaram a casa branca e conheceram Michelle Obama, esposa do ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama.

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Tirada na Franklin & Marshall College, Lancaster, Pennsylvania. Premio de “ex-aluno de ouro, concebido à jovens e emergentes lideres entre o corpo de ex-alunos da Franklin & Marshall College”. Premio concedido em setembro de 2022 junto à outros premiados. Foto: Arquivo pessoal

Essa experiĂŞncia fez com que percebesse que apesar da sua realidade aqui no Acre, ele poderia conquistar muito. “AlĂ©m do contato com os Estados Unidos, minha relação com os demais jovens aqui do Brasil tornou a viagem ainda mais enriquecedora”, diz Felipe.

Depois desse programa, Felipe continuou participando de outros. Morador do bairro Nova Estação, foi a outros lugares do mundo como Índia e Equador. Sua trajetória através dos estudos passou por:

– Phillips Academy Andover – Ă© uma das escolas de ensino mĂ©dio mais antigas dos Estados Unidos, fundada em 1778 em Massachusetts. É uma escola integral e residencial com taxa de admissĂŁo de 13%. Ela provĂŞ bolsas de estudos integral para estudantes com base na renda familiar.

– Niswarth (“NĂŁo por si só”, em Hindu) Ă© um programa de intercâmbio para estudantes da Phillips Academy Andover. Neste programa, estudantes viajam para a ĂŤndia por um mĂŞs e aprendem sobre a cultura do paĂ­s, vivem com uma famĂ­lia indiana e fazem serviços comunitários diversos.

– Franklin & Marshall College Ă© uma faculdade localizada em Lancaster, Pennsylvania. É uma das faculdades mais antigas dos Estados Unidos, fundada em 1787. Fez bacharelado com foco (“majors”) em economia e estudos ambientais.

– Bolsa da Davis International Scholars – USD 100,000.00 que foi dada para cobrir metade dos custos de um ano de ensino mĂ©dio e quatro anos de universidade. A outra metade foi financiada com recursos da Phillips Academy Andover e Franklin & Marshall College.

– No total, USD 280,000.00 em bolsas para fazer ensino mĂ©dio e faculdade.

Filho de cabeleira e mecânico, Felipe conta que os pais não arcavam com suas despesas pois não podiam, mas que ele conseguiu participar através de muito estudo e interesse.

Desde o Jovens Embaixadores em 2010, o acreano Felipe Storch atua com projetos sociais em ONGs na Região Amazônica. Felipe é formado em Economia e Estudos Ambientais pela Franklin & Marshall College, Pensilvânia.

Atualmente está concluindo um mestrado em Administração de Empresas (MBA) em Finanças na Fundação Getúlio Vargas. Trabalhou na gestão de projetos e programas na Agência das ONU para Refugiados (ACNUR) e no Instituto Socioambiental (ISA). Em ambos, ele apoiou ONGs de assistência a indígenas, refugiados e migrantes na região amazônica na gestão de programas e capacitação.

Hoje ele é Coordenador de Subsídios para um projeto de cooperação com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) de resposta ao Covid-19 nos nove estados da Amazônia Brasileira.

Felipe disse que muitas pessoas que tĂŞm essas mesmas oportunidades preferem se estabelecer no exterior, mas ele voltou ao Brasil porque ama seu paĂ­s e pretende contribuir para transforma-lo em um lugar melhor. E, para os jovens do estado, Felipe deixa uma deixa uma mensagem: “A gente costuma ter sonhos e Ă s vezes aparecem pessoas que dizem que Ă© impossĂ­vel, mas nunca deixem uma dificuldade familiar ou o contexto dizerem que vocĂŞ nĂŁo Ă© capaz, com dedicação e persistĂŞncia Ă© possĂ­vel”.

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