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Estádio da Copa do Mundo de 2014 recebe mais shows que jogos de futebol

Por G1

Arena da Amazônia se tornou local de grandes eventos, em Manaus — Foto: Augustto Albuquerque/Divulgação

A Arena da Amazônia, em Manaus, foi um dos palcos da Copa do Mundo de 2014, sediada no Brasil. Durante a realização da competição, o entorno do estádio teve uma grande movimentação de pessoas e estrangeiros. Hoje, oito anos depois, moradores e comerciantes da região afirmam que o aumento do fluxo de pessoas no local acontece em poucas ocasiões.

Após a realização do mundial, nos anos seguintes o estádio recebeu grandes eventos esportivos como as Olimpíadas em 2016, o Torneio Internacional de Seleções Femininas em 2016 e 2021, a Copa Libertadores da América feminina em 2018 e dois jogos da Seleção Brasileira masculina nas eliminatórias para as duas últimas Copas do Mundo, em 2016 e 2022.

Arena da Amazônia, em Manaus. — Foto: Patrick Marques/g1 AM

Arena da Amazônia, em Manaus. — Foto: Patrick Marques/g1 AM

Mas apesar de receber diversos eventos esportivos ao longo dos anos, e com o futebol local levando grandes públicos apenas em algumas ocasiões, são os shows musicais que acontecem com mais frequência na Arena da Amazônia e movimentam o comércio da região.

Além dos shows e festivais de música com cantores nacionais, o estádio já chegou a receber apresentações de renomados artistas internacionais, como a banda Guns N’ Roses, neste ano. O evento lotou os anéis e o gramado da Arena da Amazônia.

Arena da Amazônia, em Manaus — Foto: Arte/g1

Ao g1, o comerciante Vitor Carvalho, de 25 anos, contou que vive na rua Loris Cordovil, no bairro Alvorada, próximo da Arena da Amazônia. Na época da Copa do Mundo no Brasil, o local funcionava como uma lanchonete que vendia tacacá, e recebia um grande fluxo de pessoas.

Atualmente, no local funciona uma padaria, e os proprietários vivem na expectativa de grandes eventos no estádio para movimentar os negócios.

“Aumenta e muito as vendas. Quando tem show grande, a gente vende muito tanto no fim da tarde, com as pessoas chegando, quanto no café da manhã, com as pessoas indo embora e parando para comer. A gente vende bastante água e refrigerantes em lata em jogos. Em shows, é de tudo. Quando tem, a gente já se prepara”, disse.

Mas quando não é dia de jogos de futebol ou de grandes shows, a movimentação nos estabelecimentos é pouca. O autônomo Rafael Chaves, de 34 anos, tem um bar na rua Loris Cordovil e afirmou que nos dias comuns, o retorno nas vendas costuma ser fraco.

Comerciante Vitor Carvalho, de 25 anos, vive na rua Loris Cordovil, no bairro Alvorada, próximo da Arena da Amazônia. — Foto: Patrick Marques/g1 AM

“No dia a dia é tranquilo. Agora, quando tem evento na Arena, é muito movimentado e é bem melhor para a gente. A gente vive na expectativa que tenha evento para a gente ter um lucro melhor. Quando tem evento é bom. Quando não tem, é fraco”, comentou Chaves.

Antônio Roberto, de 54 anos, mora no bairro Flores, no entorno da Arena da Amazônia durante toda sua vida. Segundo ele, o único legado deixado na área foi a construção da arena – feito no lugar do antigo estádio, demolido em 2010 – e melhorias foram vistas apenas enquanto a Copa do Mundo era disputada no país.

“De melhoria, para cá, só na época da Copa, que as empresas financiaram tudo e faziam um marketing para os comerciantes. Aqui, o movimento na época da Copa foi ideal, mas depois acabou. Agora, se você vir, não tem movimento. Aqui ficou só a Arena. Estamos em época de Copa novamente e o único movimento mesmo é na Rua 3, no Alvorada. De legado, só a Arena que é usada mais para show. Pra gente, não melhorou nada”, disse.

Autônomo Antônio Roberto, de 54 anos, mora no bairro Flores, no entorno da Arena da Amazônia por toda sua vida. — Foto: Patrick Marques/g1 AM

Segurança

Um dos pontos criticados pelos moradores e comerciantes da região do estádio é a falta de segurança nas ruas. Para o comerciante Vitor Carvalho, apesar de ser uma área privilegiada, o policiamento não costuma ser constante, mesmo em dias que há realização de eventos.

“Aqui ainda falta muita segurança aqui no bairro. Aqui é uma área privilegiada, mas não tem tanta segurança. Até quando tem eventos, as pessoas roubam carros, motos. Só aqui na rua já teve umas cinco motos roubadas em dia de eventos. Mais segurança ficaria bom para gente”, comentou.

Rua Loris Cordovil, no Bairro Alvorada, fica ao lado da Arena da Amazônia e reúne comércios e casas. — Foto: Patrick Marques/g1 AM

Roberto contou que a rua Loris Cordovil tem bares onde constantemente acontecem brigas entre os frequentadores. Ele opinou que esses casos exemplificam a falta de segurança da região.

“Pode ser que alguém que não tem nada a ver ‘pagar o pato’ por causa disso aí, morrer alguém. É complicado. Deveria ter uma fiscalização mais intensa. Quando tem show, tem briga, tem tudo. Em todo lugar tem, mas era para ter uma fiscalização melhor”, afirmou o autônomo.

Mobilidade urbana

Como proposta para melhorar a mobilidade urbana no entorno da Arena da Amazônia. Em 2021, a Estação de Transferência Arena (E2), foi inaugurada na Avenida Constantino Nery para atender passageiros do transporte público. Ela é composta por dois acessos em ambos os sentidos da avenida.

Estação de Transferência Arena 2 (E2), na Avenida Constantino Nery, em Manaus. — Foto: Divulgação/Semcom

As linhas alimentadoras, que saem do bairro em direção ao Centro, param na estação, para que os usuários desçam e acessem as linhas de ônibus troncais, que levam os passageiros à região central da cidade.

A E2 funciona como terminal de integração e recebeu uma sinalização para os usuários identificarem as linhas e trajetos que desejam utilizar.

Arena da Amazônia

As obras de construção da Arena da Amazônia duraram quase quatro anos. A estrutura, construída para substituir o estádio Vivaldo Lima (Vivaldão) tem capacidade para 44.310 mil pessoas. A área total construída é de 83,5 mil m², com um investimento de R$ 669,5 milhões.

Toda a arquitetura do local foi idealizada para destacar as riquezas regionais. O formato de cesto de metal, que dá forma à cobertura do estádio, foi inspirado no artesanato indígena, e as cores dos assentos simbolizam as frutas amazônicas. As peças da estrutura metálica da cobertura foram importadas de Portugal.

Rua Loris Cordovil, no bairro Alvorada, fica próxima a Arena da Amazônia, em Manaus. — Foto: Patrick Marques/g1 AM

A inauguração do estádio foi adiada duas vezes. Inicialmente, a entrega estava prevista para ocorrer em junho de 2013, mas foi transferida para dezembro do mesmo ano, e ficou para as vésperas do mundial. Ao longo da obra, três operários morreram no local. Os trabalhos de construção do estádio chegaram a ser interditados em áreas de altura devido a riscos à segurança dos operários.

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