Cinco pontos para entender a crise entre Lula e o Exército

Por TERRA 22/01/2023

Nos Ășltimos quatro anos, em que Jair Bolsonaro (PL) esteve Ă  frente no comando do Brasil, a presença de militares em cargos civis mais que dobrou, ocupando atĂ© mesmo a cadeira principal do MinistĂ©rio da SaĂșde durante a pandemia de Covid-19. O cenĂĄrio incomodava seu sucessor, Luiz InĂĄcio Lula da Silva (PT), que prometeu, ainda na campanha, que teria que tirar “quase 8 mil membros das Forças Armadas” de cargos comissionados.

O petista parece empenhado em cumprir sua promessa o quanto antes. AtĂ© este domingo, 22, quase cem militare jĂĄ foram exonerados de cargos no governo — incluindo o proprio comandante do ExĂ©rcito, JĂșlio CĂ©sar de Arruda, que tinha sido empossado no fim de dezembro passado.

Veja abaixo cinco pontos para entender o conflito entre Lula e o Exército:

1. Forças Armadas em cargos pĂșblicos

Uma das grandes marcas do governo Bolsonaro foi o protagonismo de militares em assuntos civis. Um exemplo claro disso foi a nomeação de Eduardo Pazuello para o MinistĂ©rio da SaĂșde, em um dos momentos mais crĂ­ticos da pandemia de Covid-19.

Em 2021, o nĂșmero de membros da Forças Armadas em cargos civis jĂĄ tinha mais que dobrado em relação Ă  gestĂŁo anterior. Ao fim do mandato de Bolsonaro, eram cerca de 8 mil nomes nomeados.

2. Pedidos de golpe

A situação de militares no governo ficou ainda mais tensa após o fim das eleiçÔes presidenciais, quando bolsonaristas passaram a apelar às Forças Armadas por uma intervenção militar, destituindo o presidente eleito, Lula.

Os discursos eram apoiados, muitas vezes sutilmente, por militares com baixas patentes ou membros da reserva. Um militar da Marinha lotado no GSI (responsĂĄvel pela segurança pessoal do presidente da RepĂșblica, do vice e seus familiares) chegou a gravar um vĂ­deo em um ato antidemocrĂĄtico dizendo “ter certeza” que Lula nĂŁo iria “subir a rampa”.

3 – Acampamentos golpistas

Bolsonaristas chegaram a acampar, por trĂȘs meses, em frente a quartĂ©is de todo o PaĂ­s pedindo apoio para o golpe. O cenĂĄrio, que jĂĄ era de desconfiança por parte de Lula, ficou ainda mais crĂ­tico com o apoio cego de parte da população.

4 – Terrorismo em BrasĂ­lia

NĂŁo hĂĄ como esquecer do dia 8 de janeiro em BrasĂ­lia, quando centenas de bolsonaristas invadira as sedes dos TrĂȘs Poderes e depredaram os prĂ©dios. A falta de uma ação de contenção para prevenir o ataque em massa chamou a atenção do petista e seus aliados.

Durante cafĂ© da manhĂŁ com jornalistas no Planalto, trĂȘs dias depois, Lula disse que a porta do palĂĄcio presidencial havia sido “aberta para essa gente entrar”, em referĂȘncia aos manifestantes golpistas.

Na ocasiĂŁo o presidente deixou claro o entendimento de que a entrada dos invasores foi facilitada e disse que havia “gente das Forças Armadas aqui dentro conivente” com a depredação do local.

5 – Comandante contrariado

A demissĂŁo dos 80 militares do governo em apenas cinco dias parece ter sido impulsionada por um conflito que envolveu o tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) nos Ășltimos quatro anos.

Ainda em maio de 2022, com Bolsonaro, Cid foi escolhido para o comando do 1Âș BatalhĂŁo de AçÔes e Comandos, unidade de OperaçÔes Especiais, mas sĂł assumiria em fevereiro deste ano. Dado o alinhamento do ex-ajudante de ordens com o ex-presidente, no entanto, o Planalto jĂĄ havia indicado que esperava que Arruda anulasse a nomeação.

Lula determinou a imediata remoção do tenente-coronel do comando do batalhão. Arruda, no entanto, se recusou a cumprir a ordem. Cid também é investigado pelo STF e o então general jå teria deixado claro que não aceitaria cumprir uma possível ordem de prisão contra o outro militar.

Assim, sem clima para uma conciliação, Lula decidiu exonerar o então general e trocar o comando do Exército.

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