Rio Branco teve mais de 150 ocorrências de crimes virtuais em 2022

A internet chegou ao Brasil em meados dos anos 80, com isso o crescimento e o avanço tecnológico se expandiu até chegarmos aos dias atuais. Sendo assim, a interação humana sofreu um grande impulsionamento, ressignificando por inteiro o acesso à informação, o modo e a velocidade de comunicação entre os usuários.

Acontece que as mudanças e adequações legislativas não se adaptam na mesma proporção da velocidade digital, não sendo capaz de garantir 100% a segurança e proteção aos seus milhares usuários, ao mesmo tempo em que acabam se tornando presas fáceis dos mais diversos tipos de crimes cibernéticos.

De acordo com o Departamento de Inteligência da Polícia Civil do Estado do Acre, o número de crimes virtuais tiveram um aumento de 23,8% no ano de 2022. A capital acreana registrou 152 no ano de 2022 e 118 no ano de 2021, equivalente a um aumento de 28,8%.

Vale reiterar que a coleta de dados é feita através da plataforma Sinesp-PPE, levando em consideração os boletins registrados e finalizados e excluídos os rascunhos. A maioria das ocorrências consta o crime de stalking cumulado com outra natureza típica como ameaça e injúria.

Segundo o delegado adjunto na Delegacia de Combate a Roubos e Extorsão (Dcore), Yvens Dixon, atualmente, em ranking mundial, o Brasil é terceiro país que mais utiliza redes sociais em todo o mundo. O aumento crescente da parcela da população que utiliza as redes sociais ocasionou, infelizmente, o aumento do número de crimes cibernéticos.

Assim, dentre as estatísticas realizadas pela Polícia Civil do Estado do Acre são considerados crimes cibernéticos todos os ilícitos cometidos através da internet, independente da infração penal. Neste sentido, os crimes virtuais têm aumentado a cada ano, tendo ocorrido um aumento significativo principalmente em decorrência da pandemia que ocasionou a migração de vários serviços antes oferecidos de maneira presencial para as plataformas de comunicação virtual.

Os crimes virtuais mais frequentes são o estelionato pelas modalidades – golpe do pix, WhatsApp clonado, invasão de Instagram – e o stalking pela modalidade – divulgação de fotos íntimas, injúria nas redes sociais e ameaça.

A Polícia Civil está habilitada a realizar a investigação dos crimes cibernéticos em todas as suas unidades, para isso a Direção Geral criou o Núcleo Especializado de Apoio a Investigações de Crimes Cibernéticos, o qual auxilia as delegacias de polícia nas investigações que exigem maiores recursos tecnológicos.

De acordo com Yves Dixon, o primeiro procedimento quando ocorre um crime virtual é o registro do Boletim de Ocorrência em uma Delegacia de Polícia. “Em seguida, o policial civil responsável pelo atendimento iniciará a investigação com a preservação dos dados relacionados ao possível crime, como preservação do site acessado, print de conversas em aplicativos de mensagens, registro de comprovante de transferência de valores. Após esse atendimento inicial, será instaurada a investigação do crime ocorrido para identificar o autor do ilícito”.

Delegado Yvens Dixon. Foto: Reprodução

O delegado reitera que a população deve ter a atenção redobrada para evitar ser vítima de crimes cibernéticos. A principal dica de segurança é evitar transferir valores para pessoas desconhecidas, devendo antes de enviar qualquer valor ligar para o destinatário, pois é comum os criminosos enviarem mensagens alegando ser um parente que necessita de dinheiro com urgência. Outro fator importante é evitar a negociação de produtos por meio de sites sem verificação do usuário, pois os criminosos falsificam anúncios com o objeto de enganar os possíveis compradores.

“Além disso, para evitar crimes contra a honra, como a divulgação de imagens íntimas, é preciso evitar o envio desse tipo de fotografia, pois infelizmente é comum a divulgação desse conteúdo como forma de vingança após o término de relacionamentos”, finaliza Yves Dixon

Tipos e exemplos de crimes cibernéticos

Existem tipos de crimes virtuais que mais são aplicados na atualidade como crimes que visam ao ataque a computadores — seja para obtenção de dados, extorsão das vítimas ou causar prejuízos a terceiros — ou crimes que usam computadores para realizar outras atividades ilegais — sendo assim nesses casos citados, os dispositivos e redes facilitam ainda mais como ferramentas para os criminosos. Alguns exemplos típicos de atividades ilegais são:

  • Fraudes por e-mail e usando a Internet

  • Interceptação de informações pessoais de terceiros ou dados sigilosos de organizações e empresas;

  • Roubo de dados financeiros ou credenciais bancárias de terceiros — sejam indivíduos ou organizações;

  • Invasão de computadores pessoais, de empresas ou redes de computadores

  • Extorsão cibernética;

  • Crimes com estrutura tipo phishing, muito comum em golpes que se espalham pelas redes sociais e por apps de mensagens, como WhatsApp;

  • Clonagem de Instagram

  • Violação de direitos autorais;

  • Venda de itens ilegais por meio da Internet;

  • Incitação, produção ou posse de pornografia infantil;

  • Discurso de ódio — publicações de teor homofóbico, xenófobo e racista — e apologia ao nazismo.

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