O acampamento montado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, na frente do Quartel-General do ExĂ©rcito, em BrasĂlia, para contestar o resultado eleitoral e pedir um golpe militar registrou ao menos 73 crimes. A informação consta do relatĂłrio divulgado pelo gabinete do interventor federal na Segurança PĂșblica do Distrito Federal, Ricardo Cappelli.
Em dois meses, desde a instalação, em 1.Âș de novembro, atĂ© o desmonte, em 9 de janeiro, o acampamento registrou em mĂ©dia mais de uma ocorrĂȘncia por dia. Na lista, hĂĄ 20 crimes contra a honra, 19 furtos, 13 lesĂ”es corporais, seis crimes de dano, trĂȘs acidentes de trĂąnsito com vĂtima e um ato obsceno. Outras 11 notificaçÔes nĂŁo foram especificadas no documento divulgado nesta sexta-feira, 27.
O interventor federal atribuiu “centralidade” aos manifestantes do QG nos atos golpistas do dia 8, quando bolsonaristas invadiram e depredaram as sedes dos TrĂȘs Poderes, com rastro de destruição pelo PalĂĄcio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Cappelli, o acampamento era um ambiente “onde circularam criminosos”, e eventos como a tentativa de explosĂŁo de bomba e bloqueio de aeroporto passaram “de uma forma ou de outra” pelo local.
Crimes no acampamento
A incidĂȘncia mais comum, de crimes contra a honra, refere-se a atos de calĂșnia, difamação ou injĂșria. O crime de calĂșnia pode render de seis meses a dois anos de prisĂŁo e multa, segundo o CĂłdigo Penal, enquanto a difamação tem pena de detenção de trĂȘs meses a um ano e multa. A injĂșria pode render de um a seis meses de prisĂŁo ou multa e pode ter a pena aumentada caso haja emprego de violĂȘncia ou discriminação.
O crime de lesĂŁo corporal Ă© punido com trĂȘs meses a um ano de prisĂŁo. A pena Ă© aumentada quando a violĂȘncia resulta em um quadro grave ou Ă© cometida contra a mulher. JĂĄ o dano Ă© considerado crime contra qualquer “coisa alheia”, nĂŁo especificada no documento, e pode render detenção de um a seis meses ou multa – o dano Ă© qualificado quando Ă© cometido contra o patrimĂŽnio pĂșblico.
TambĂ©m nĂŁo foram fornecidos mais detalhes sobre os furtos, os acidentes de trĂąnsito com vĂtima e o ato obsceno descritos na peça.

BOLSONARISTAS BRASILIA DF 08/01/2023 BOLSONARISTAS/INVASĂO SEDES DOS TRĂS PODERES – NACIONAL – OE – Grupos de Bolsonaristas radicais invadirem as sedes dos trĂȘs Poderes hoje em Brasilia-DF. FOTO: WILTON JUNIOR / ESTADĂO Foto: ESTADAO CONTEUDO / ESTADAO CONTEUDO / EstadĂŁo Falhas de segurança
Falhas de segurança
Ao longo de 62 pĂĄginas, o relatĂłrio da intervenção federal detalha a ação dos radicais e aponta falhas no trabalho da Secretaria de Segurança PĂșblica do DF para desmobilizar os manifestantes. A avaliação Ă© de que o acampamento dos bolsonaristas na frente do QG do ExĂ©rcito teve uma “complexa e engenhosa organização”, com cozinhas coletivas, banheiros com chuveiro quente, geradores de energia e uso de rĂĄdios-comunicadores.
Essa estrutura teria servido de “apoio logĂstico e local de concentração” para os radicais que atacaram as sedes dos Poderes, em 8 de janeiro. “O acampamento, desde a sua instalação, foi elemento crucial para o desenvolvimento das açÔes de perturbação da ordem pĂșblica que culminaram nos atos”, aponta o material.
O governo do DF chegou a organizar um plano de ação para retirar os manifestantes do acampamento, mas a operação foi cancelada por determinação do Exército.
O interventor afirma ainda que, apesar de informaçÔes sobre o risco de protestos terem sido encaminhadas por ĂłrgĂŁos de inteligĂȘncia e pela PolĂcia Militar do DF, o efetivo de agentes mobilizado pelo comando estadual foi “insuficiente” para conter os manifestantes.
Os crimes:
19 furtos
20 crimes contra a honra (injĂșria, calĂșnia e difamação)
13 lesĂŁo corporal e vias de fato
6 danos
3 acidentes de trĂąnsito com vĂtima
1 ato obsceno
11 outros nĂŁo especificados

