Julgamento de PF acusado de matar jovem em boate entra no 3Âș dia; veja detalhes

Por MATHEUS MELLO, PARA O CONTILNET 26/01/2023 Ă s 08:53

Chegando ao terceiro dia de julgamento, o juiz Alesson Braz definiu esta sexta-feira (27) como a data limite para proferir a sentença de Victor Campelo, acusado de matar jovem Rafael Frota, na boate Set Clube, em julho de 2016.

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Terceiro dia de julgamento do policial federal Victor Campelo/Foto: Reprodução

Entretanto, hĂĄ expectativa de que a sentença seja anunciada nesta quinta-feira (26). Todas as testemunhas jĂĄ foram ouvidas nos Ășltimos dois dias de julgamento.

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Agora, os advogados de defesa e a Promotoria do MinistĂ©rio PĂșblico irĂŁo debater sobre as oitivas e as provas apresentadas. É o momento em que ambas as partes apresentarĂŁo seus argumentos.

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Rafael Frota morreu após ser baleado na boate/Foto: Reprodução

Após o debate, poderå ocorrer ou não a réplica ou tréplica. A decisão serå do magistrado.

Segundo apuração feita pela reportagem do ContilNet, hĂĄ uma tendĂȘncia de que o rĂ©u Victor Campelo seja inocentado, apĂłs alegar legĂ­tima defesa.

O que disse o PF em depoimento? 

Victor contou sobre a noite em que aconteceu a briga, que resultou na morte do jovem Rafael. “Eu estava no Loft e fui para a Set Club com alguns amigos, no meu carro. No Loft eu não ingeri bebida alcoólica. Na Set, ficamos perto do palco, eu vi a Yasmin mas ela estava conversando com umas pessoas, depois de um tempo eu tive vontade de ir ao banheiro e parei para falar com a Yasmin”, diz.

Depois disso, Victor conta que teve a percepção de que LavĂ­nia, a namorada na Ă©poca, tinha tomado um empurrĂŁo e interviu na situação. “Entrei no meio deles dois para tirar a LavĂ­nia de lĂĄ. Nisso, ele jĂĄ veio xingando e ele me deu um soco no rosto e eu caĂ­ no chĂŁo. Eu acho que cai desacordado, porque sĂł lembro que tava no chĂŁo, entĂŁo eu vi os ‘caras’ em cima de mim, me agredindo. Eram uns trĂȘs me agredindo de todas as formas”, contou.

Victor continuou contando que havia uma pessoa em cima dele e outras duas o agredindo nas laterais. “Nesse momento eu puxei minha arma, que estava no meu coldre na frente, eu puxei a arma e pensei em apontar para cima. Eu efetuei 4 disparos. Eu não lembro do momento em que eu me atingi”, diz.

“No momento que eu efetuei os disparos, eles saĂ­ram de cima de mim, eu peguei a arma junto do meu corpo, quando eu sentei para levantar, me agarraram pelas minhas costas para tentar pegar minha arma mas nĂŁo conseguiram. AlguĂ©m chutou minha mĂŁo e minha arma voou, quando eu levantei eu vi que eu estava baleado e acho que minha pressĂŁo caiu, entĂŁo eu caĂ­ e me levantaram e eu jĂĄ perguntei pela minha arma”, lembrou Victor.

NotĂ­cia da morte de Rafael

Victor contou que nĂŁo sabia quem havia sido atingido e recebeu com pesar a notĂ­cia da morte do estudante Rafael Frota.

“Foi um baque. Vou levar para o resto da minha vida independente do resultado aqui. A Lavínia falou que eu falava muito do rapaz e da mãe dele. Sempre tive muita serenidade para entender a dor da família”, explica.

“Talvez o desespero”

Victor lembrou tambĂ©m sobre o soco que tomou no rosto, no inĂ­cio da confusĂŁo. “Eu peguei o soco, cai e bati no chĂŁo. Eu sĂł lembro de afastar a LavĂ­nia do rapaz e tomar um soco, nĂŁo lembro de cair, sĂł de estar no chĂŁo”, disse.

O rĂ©u contou que no momento, nĂŁo houve briga em pĂ©. “Talvez o desespero tenha feito ele atirar na prĂłpria perna. NĂŁo houve luta, houve agressĂŁo. Eu nĂŁo bati nele, ele me bateu. Eu me defendi com o que eu tinha que era a arma”.

“Minha mãe reza o tempo inteiro”

O rĂ©u foi perguntado sobre a reação da mĂŁe com relação ao processo, e Victor respondeu que a mĂŁe reza o tempo inteiro. “Minha mĂŁe Ă© religiosa para caramba. Ela queria vim, meus irmĂŁos queriam vim e meu pai de criação veio comigo. Ela ficou lĂĄ rezando, mas nĂŁo poderia vim nĂŁo”, disse.

Madrugada de 2 de julho de 2016

O policial federal deu continuidade na fala e contou que o arrependimento que ele tem, com relação à madrugada de 2 de julho de 2016, é ter saído de casa.

“Só me arrependo de sair de casa. Quando a gente sai de casa para arrumar problema a gente espera que ele venha, mas quando a gente sai sem querer arrumar problema e vem uma situação que não tem pra onde correr”, disse.

O rĂ©u tambĂ©m falou sobre a bala que ficou alojada em sua perna. “A munição que a gente usa Ă© aquela do dia a dia, da ponta oca, quando tem o impacto dela, ela abre. Ficou uns 9 pedaços dela na minha perna. É mais arriscado fazer cirurgia para tirar do que deixar lĂĄ, entĂŁo estĂŁo lĂĄ atĂ© hoje”.

“Desculpa”

Ao final, Victor falou que sempre foi sensível à situação da família de Rafael e contou que recebeu uma ligação de uma irmã perguntando se o policial federal se lembrava do momento em que soube da morte de Rafael e ele quis abraçar a mãe.

Após isso, Victor virou-se em direção à mãe de Rafael e pediu desculpas. “Peço desculpa pelo fato. Sinto muito por ter perdido o filho da senhora. Sinto muito de verdade, não sou uma pessoa ruim que queria fazer mal para a senhora”.

O interrogatĂłrio de Victor Campelo foi encerrado e o julgamento retorna nesta quinta-feira (26), em seu terceiro dia.

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