O MinistĂ©rio PĂșblico do Acre (MPAC), liberou o levantamento nomeado âfeminicidĂŽmetroâ, com dados sobre os casos de feminicĂdio em todo o estado do Acre. Ao todo foram 56 vĂtimas registradas, a Ășltima atualização foi em 10 de fevereiro de 2023.Â
Conforme o MPAC o crime de feminicĂdio ocorre, âquando uma vida Ă© ceifada por razĂ”es da condição de sexo feminino (menosprezo ou discriminação Ă condição de mulher) ou no contexto da violĂȘncia domĂ©stica.Â
Apesar de serem 56 vĂtimas de comunicados Ă PolĂcia Civil e registrados nas Delegacias, o ĂłrgĂŁo mapeou 60 casos de feminicĂdio. De acordo com a PsicĂłloga e Doutora em Psicologia ClĂnica e Cultura pela UnB, Madge Porto, âo relacionamento abusivo nĂŁo nĂŁo começa com uma violĂȘncia fĂsica. Ele vai começar sem nenhum tipo de violĂȘncia e depois essa violĂȘncia começa a aparecer e vai escalando atĂ© uma situação de violĂȘncia fĂsica, sexual, e atĂ© um feminicĂdioâ, salienta Madge Porto.Â
âNĂŁo Ă© sĂł por conta desse controle emocional que os agressores tĂȘm, mas tambĂ©m por conta da estrutura do sistema de segurança pĂșblica. Essa forma instituĂda nos serviços pĂșblicos que atendem mulheres em situação de violĂȘncia Ă© um elemento que faz as mulheres tambĂ©m terem dificuldade de fazer a denĂșnciaâ, explica a psicĂłloga.Â
AlĂ©m dos casos, sĂŁo 38 processos em andamento, que Ă© o processo judicial que se inicia apĂłs a finalização das investigaçÔes. 33 sentenças que sĂŁo dadas por juĂzes ou jĂșri popular, declarando o rĂ©u como inocente ou culpado.Â
âIsso porque essas mulheres aprendem desde muito cedo que a coisa mais importante para elas Ă© o casamento e que elas tĂȘm a obrigação de preservar o casamento, elas vĂŁo tentar fazer isso ao longo da vida e isso Ă© por conta de uma organização de uma sociedade patriarcal onde os homens tĂȘm vantagens de privilĂ©giosâ, salienta Madge.
Por fim, ocorreram 24 condenaçÔes. âCorrespondem Ă s sentenças do Tribunal do JĂșri que reconhecem a existĂȘncia do fato e a autoria, condenando o rĂ©u nas penas da lei. A pena para quem comete o crime de feminicĂdio Ă© de reclusĂŁo de 12 a 30 anos, com possibilidade de aumento de pena em razĂŁo das circunstĂąncias do crimeâ, informa o MPAC.
No Acre, uma condenação que chocou a sociedade e teve grande impacto social foi o Caso Adriana, ocasiĂŁo em que o Juri Popular da da 2ÂȘ Vara do Tribunal do JĂșri e Auditoria Militar da Comarca de Rio Branco, condenou Hitalo Marinho Gouveia a 31 anos de prisĂŁo pelo assassinato da esposa Adriana Paulichen, em julho de 2021.Â

Hitalo matou Adriana em 2021/Foto: Reprodução
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âNĂŁo hĂĄ possibilidade de enfrentar a violĂȘncia contra mulher e o feminicĂdio sem recursos para as polĂticas de assistĂȘncia de saĂșde para preparar os servidores profissionais da saĂșde para identificar situaçÔes de violĂȘncia e as polĂticas de educação tambĂ©m, porque a gente nĂŁo vai mudar esse quadro enquanto na educação nĂŁo foi discutidoâ, finaliza a psicĂłloga.Â
Para denunciar um caso de feminicĂdio, que inclusive pode ser feito de forma anĂŽnima, Ă© possĂvel enviar uma mensagem ao Centro de Atendimento Ă VĂtima do MinistĂ©rio PĂșblico (CAV/MPAC), disque 180 ou no nĂșmero (68) 99993-4701.Â

