FeminicĂ­dio: psicĂłloga no Acre diz que relacionamentos abusivos nĂŁo começam com violĂȘncia

Por Rebeca Martins, ContilNet 26/03/2023 Atualizado: hĂĄ 3 anos

O MinistĂ©rio PĂșblico do Acre (MPAC), liberou o levantamento nomeado “feminicidĂŽmetro”, com dados sobre os casos de feminicĂ­dio em todo o estado do Acre. Ao todo foram 56 vĂ­timas registradas, a Ășltima atualização foi em 10 de fevereiro de 2023. 

Conforme o MPAC o crime de feminicĂ­dio ocorre, “quando uma vida Ă© ceifada por razĂ”es da condição de sexo feminino (menosprezo ou discriminação Ă  condição de mulher) ou no contexto da violĂȘncia domĂ©stica. 

Apesar de serem 56 vĂ­timas de comunicados Ă  PolĂ­cia Civil e registrados nas Delegacias, o ĂłrgĂŁo mapeou 60 casos de feminicĂ­dio. De acordo com a PsicĂłloga e Doutora em Psicologia ClĂ­nica e Cultura pela UnB, Madge Porto, “o relacionamento abusivo nĂŁo nĂŁo começa com uma violĂȘncia fĂ­sica. Ele vai começar sem nenhum tipo de violĂȘncia e depois essa violĂȘncia começa a aparecer e vai escalando atĂ© uma situação de violĂȘncia fĂ­sica, sexual, e atĂ© um feminicĂ­dio”, salienta Madge Porto. 

“NĂŁo Ă© sĂł por conta desse controle emocional que os agressores tĂȘm, mas tambĂ©m por conta da estrutura do sistema de segurança pĂșblica. Essa forma instituĂ­da nos serviços pĂșblicos que atendem mulheres em situação de violĂȘncia Ă© um elemento que faz as mulheres tambĂ©m terem dificuldade de fazer a denĂșncia”, explica a psicĂłloga. 

AlĂ©m dos casos, sĂŁo 38 processos em andamento, que Ă© o processo judicial que se inicia apĂłs a finalização das investigaçÔes. 33 sentenças que sĂŁo dadas por juĂ­zes ou jĂșri popular, declarando o rĂ©u como inocente ou culpado. 

“Isso porque essas mulheres aprendem desde muito cedo que a coisa mais importante para elas Ă© o casamento e que elas tĂȘm a obrigação de preservar o casamento, elas vĂŁo tentar fazer isso ao longo da vida e isso Ă© por conta de uma organização de uma sociedade patriarcal onde os homens tĂȘm vantagens de privilĂ©gios”, salienta Madge.

Por fim, ocorreram 24 condenaçÔes. “Correspondem Ă s sentenças do Tribunal do JĂșri que reconhecem a existĂȘncia do fato e a autoria, condenando o rĂ©u nas penas da lei. A pena para quem comete o crime de feminicĂ­dio Ă© de reclusĂŁo de 12 a 30 anos, com possibilidade de aumento de pena em razĂŁo das circunstĂąncias do crime”, informa o MPAC.

No Acre, uma condenação que chocou a sociedade e teve grande impacto social foi o Caso Adriana, ocasiĂŁo em que o Juri Popular da  da 2ÂȘ Vara do Tribunal do JĂșri e Auditoria Militar da Comarca de Rio Branco, condenou Hitalo Marinho Gouveia a 31 anos de prisĂŁo pelo assassinato da esposa Adriana Paulichen, em julho de 2021. 

hitalo e adriana

Hitalo matou Adriana em 2021/Foto: Reprodução

Veja mais sobre o assunto: Caso Adriana: reveja JĂșri Popular que condenou Hitalo Marinho a 31 anos de prisĂŁo

“NĂŁo hĂĄ possibilidade de enfrentar a violĂȘncia contra mulher e o feminicĂ­dio sem recursos para as polĂ­ticas de assistĂȘncia de saĂșde para preparar os servidores profissionais da saĂșde para identificar situaçÔes de violĂȘncia e as polĂ­ticas de educação tambĂ©m, porque a gente nĂŁo vai mudar esse quadro enquanto na educação nĂŁo foi discutido”, finaliza a psicĂłloga. 

Para denunciar um caso de feminicĂ­dio, que inclusive pode ser feito de forma anĂŽnima, Ă© possĂ­vel enviar uma mensagem ao Centro de Atendimento Ă  VĂ­tima do MinistĂ©rio PĂșblico (CAV/MPAC), disque 180 ou no nĂșmero (68) 99993-4701. 

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