O juiz Valmir Maurici JĂșnior, da 5ÂȘ Vara CĂvel de Grarulhos, em SĂŁo Paulo, estĂĄ sendo acusado pela mulher por violĂȘncia fĂsica, sexual e psicolĂłgica. Em janeiro, a vĂtima obteve medida protetiva na Justiça, que proĂbe o magistrado de se aproximar ou manter contato com ela ou com seus familiares. A decisĂŁo tambĂ©m obrigou que Valmir entregasse a arma da qual tinha direito de posse por ser juiz.
O g1 obteve acesso aos vĂdeos que mostram as agressĂ”es sofridas pela mulher. Nos registros, o juiz dĂĄ tapas, empurrĂ”es, chutes e xinga a vĂtima. Em outro vĂdeo, gravado pelo prĂłprio agressor, ele submete a mulher a uma relação sexual que, segundo ela, nĂŁo teve consentimento â o que configura estupro.
O MinistĂ©rio PĂșblico de SĂŁo Paulo investiga o caso e trata os fatos como “gravĂssimos”. Para o ĂłrgĂŁo, o juiz “demonstrou comportamento violento, manipulador, desviado, e que potencialmente colocaria em risco a integridade da vĂtima e dos seus parentes”.
“Ele usava de vĂĄrios mecanismos para me deixar confusa. Ele falava: Ă© sĂł dar um tapa. Eu consegui perceber que saiu do contexto sexual quando eu tava na cozinha, fazendo alguma coisa, ele me dava um tapa na cara, puxava meu cabelo”, relatou a vĂtima ao g1, em dezembro do ano passado. A mulher começou a gravar as agressĂ”es com o celular, escondido no quarto, para obter provas das violĂȘncias que sofria.
Quando ela saiu de casa, levou um cofre que portava diversos arquivos, entre eles um vĂdeo gravado pelo prĂłprio juiz, que registrou um estupro.
Na ocasiĂŁo, Valmir Maurici chegou a denunciar a mulher por furto qualificado, o que resultou num inquĂ©rito, estĂĄ em andamento na Delegacia de Caraguatatu. O material que estava dentro do cofre foi encaminhado para perĂcia no MinistĂ©rio PĂșblico.
A vĂtima teve ansiedade, depressĂŁo e precisou ser internada com quadro psicĂłtico em dezembro. “Eu nĂŁo tenho vida mais. Perdi vontade de tudo, perdi vontade atĂ© de viver”.
A defesa do magistrado nega todas as acusaçÔes e disse que “repudia com a mesma veemĂȘncia vazamentos ilegais de processos que correm em segredo de Justiça”.
