Os fatos histĂłricos e polĂticos, embora sejam produtos de diferentes sĂ©culos, gerações e momentos da vida social, tĂŞm sempre, em sua essĂŞncia, indiscutĂvel semelhança.
Os conflitos vividos pelos homens em sociedade, utilizando-se de ferramentas, ações, palavras e manobras às vezes distintas, muito se confundem em sua mola propulsora: a natureza humana.
É que o homem, quando analisamos os momentos histĂłricos do passado e as notĂcias de tempos modernos, nĂŁo evoluiu tanto quanto deveria, e as mazelas da nossa vida, queira-se ou nĂŁo, irĂŁo vez por outra se repetir.
Na polĂtica, apesar de nĂŁo ser considerada uma ciĂŞncia exata, Ă© possĂvel calcular muitos acontecimentos. Isso porque jamais se exclui da ação polĂtica o principal motivador para a sua construção, que Ă© o interesse pessoal. Sem ele, dificilmente se busca a construção de algo que possa, por consequĂŞncia, resultar em interesse coletivo.
Por isso, por ser o interesse pessoal o centro das atenções, o sucesso da polĂtica chega para aqueles que conseguem melhor conciliar o interesse coletivo com seus benefĂcios de cunho meramente particular – e nĂŁo deixar que o eleitor perceba.
PorĂ©m, quando falamos de interesse particular, nĂŁo Ă© preciso levar para o sentido pejorativo da expressĂŁo. Nem sempre o interesse Ă© motivado pelo enriquecimento ilĂcito, pela obtenção de vantagens e ganhos de capital Ă s custas da malversação de patrimĂ´nio pĂşblico.
É possĂvel que o interesse pessoal seja, por incrĂvel que pareça, a vaidade. O status de poder. O desejo de ser amado – ou de despertar o Ăłdio. A vontade de alcançar a fama. De ser bajulado. De ter uma placa com seu nome exposta em uma parede. E tantos outros acessĂłrios da vida polĂtica que para algumas pessoas pode ser risĂvel, mas que, para outras, Ă© motivo para matar e morrer.
Fato Ă© que, se vocĂŞ perguntar a qualquer ex-mandatário do que mais sente falta, poucos falarĂŁo de salário. LembrarĂŁo, certamente, de outras regalias que o poder proporcionava e, mais ainda, que “polĂtico sem mandato, nem o vento bate nas costas” (ditado popular).
Assim sendo, para alcance de satisfação pessoal de seus agentes, a polĂtica do revanchismo Ă© tĂŁo recorrente que chega a ser vista como natural. Isto Ă©, alcançar o topo do penhasco para ter o poder de, quando chegar lá, empurrar o oponente no abismo. E isso, muitas vezes, Ă© atĂ© o Ăşnico “ganho” que se obtĂ©m com o sucesso polĂtico – o que para muitos já vale a pena.
Trata-se da manifestação dos valores e do caráter de uma pessoa, o que, quando alçada a posição de poder, expele na vida pĂşblica o que há entranhado nos seus princĂpios – ou na falta deles. Tal revanchismo Ă© um dos tantos interesses particulares que nĂŁo se concilia, em hipĂłtese alguma, com o benefĂcio coletivo, e que dificilmente encontrará reconhecimento plausĂvel por parte do eleitorado para validar a continuidade de seu poder. Nada ganhamos nĂłs com a vingança de vĂłs.
O que por vezes esquecemos, quando alcançamos determinada posição, Ă© que esse poder Ă© passageiro. Alguns conseguem prolongá-lo; eternizá-lo, ninguĂ©m consegue. E que, para a mesma posição da qual viemos, uma hora, mais cedo ou mais tarde, voltaremos. Certamente sem o desejo de tambĂ©m ser vĂtima da revanche de quem, lá atrás, empurramos no abismo.
Chico Xavier disse que “sĂł o riso, o amor e o prazer merecem revanche”. Mas, Xavier nĂŁo era polĂtico e, na polĂtica, esse mandamento nĂŁo Ă© seguido por tantos. A prática do “olho por olho, dente por dente”, ainda nĂŁo foi extinta, nem mesmo por parte daqueles que pregam, na atualidade, uma nova polĂtica.
NĂŁo confundamos, portanto, nova polĂtica com polĂtico novo. A polĂtica ainda Ă© obra humana e por isso falha. E o ser-humano, via de regra, permanece Ă serviço do pecado, nĂŁo para servir o Estado, mas para servir-se dele.
– Jackson Viana Ă© Escritor, Poeta, autor de trĂŞs livros, presidente-fundador da Academia Juvenil Acreana de Letras (AJAL), Embaixador da RegiĂŁo Norte na Brazil Conference at Harvard & MIT e Embaixador Mapa Educação 2023.

