Gonçalves Dias afirma ter feito ‘gerenciamento de crise’ ao invĂ©s de prisĂ”es

Por G1 Globo 21/04/2023

Em depoimento Ă  PolĂ­cia Federal nesta sexta-feira, 21, o general Gonçalves Dias, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), disse que estava retirando extremistas de um setor do PalĂĄcio do Planalto, mas nĂŁo efetuou prisĂ”es, porque estava fazendo “gerenciamento de crise”.

Dias foi ouvido por 5 horas pela PF. Ele se demitiu na quarta-feira (19), após a divulgação de imagens que mostram que ele estava circulando em meio aos extremistas dentro do Planalto no dia 8 de janeiro, data do ataque.

As imagens, divulgadas inicialmente pela CNN Brasil, mostram também agentes do GSI conversando com os extremistas. Um deles, o major José Eduardo Natale, oferece ågua aos extremistas.

No dia da demissão, Dias disse que estava no Planalto para retirar os invasores de lå. A PF perguntou por que ele não prendeu ninguém.

“Que indagado porque, no 3° e 4° pisos, conduziu as pessoas e nĂŁo efetuou pessoalmente a prisĂŁo, respondeu que estava fazendo um gerenciamento de crise e essas pessoas seriam presas pelos agentes de segurança no 2° piso tĂŁo logo descessem, pois esse era o protocolo”, registrou a PF durante o depoimento de Dias.

O ex-ministro afirmou que, sozinho, nĂŁo teria conseguido prender os extremistas. “Que o declarante nĂŁo tinha condiçÔes materiais de, sozinho, efetuar prisĂŁo das 3 pessoas ou mais que encontrou no 3° e 4° andares, sendo que um dos invasores encontrava-se altamente exaltado”, relatou o general Ă  PF.

Ele afirmou ainda que, se tivesse visto a cena do major Natale oferecendo ĂĄgua aos extremistas, teria prendido o militar. “Que indagado a respeito de o major JosĂ© Eduardo Natale de Paula Pereira haver entregue uma garrafa de ĂĄgua a um dos invasores; que deve ser analisado pelas circunstĂąncias do momento os motivos do major, mas que, se tivesse presenciado, o teria prendido”, disse.

‘ApagĂŁo’ no sistema de inteligĂȘncia

O ex-ministro afirmou que, na opiniĂŁo dele, o sistema de inteligĂȘncia nĂŁo funcionou no dia 8 de janeiro. Ele argumentou que nĂŁo havia informaçÔes suficientes para embasar a tomada de decisĂ”es.

“Que indagado se o declarante entende se houve apagĂŁo da inteligĂȘncia, respondeu que acredita que houve um ‘apagĂŁo’ geral do sistema, pela falta de informaçÔes para tomada de decisĂ”es”.

Ele disse que nĂŁo foi informado sobre açÔes radicais que ocorreriam em BrasĂ­lia no fim de semana do dia 8 de janeiro. “Que nĂŁo tenha conhecimento a respeito de açÔes radicais que ocorreriam em manifestação na cidade de BrasĂ­lia entre 6 e 8 de janeiro”, contou o general Ă  PF.

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