
Ao todo, 16 etnias participam do evento que segue até esta sexta-feira, 7 de julho, na Universidade Federal do Acre (Ufac). Foto: José Caminha/Secom.
A exposição de artesanatos, cantos e danças abriu a manhã do terceiro dia de atividades do I Fórum Indígena sobre Mudanças Climáticas e Serviços Ambientais do Estado, nesta quinta-feira, 6, no Teatro da Universidade Federal do Acre (Ufac).
O fórum, realizado entre os dias 4 e 7 de julho, conta com a exposição, apresentação e venda de artesanatos de diferentes etnias e fomenta a economia local. Entre as produções estão colares, pulseiras, cestas, roupas e bisacos, as afamadas bolsas a tiracolo. Cada elemento carrega o seu significado e riqueza cultural.

A artesã Edileuda Shanenawa produz miçangas à mão com sementes naturais. Com o artesanato produzido na aldeia, ela envia as encomendas via correios. Foto: José Caminha/Secom.
Marco histórico
Para o chefe da coordenação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) na região do Juruá, Eldo Carlos Barbosa, do povo Shanenawa, o fórum é um momento histórico nas discussões de políticas públicas e as representações culturais como o artesanato, o canto, a música e o rezo fazem parte do processo.
“Estamos vendo uma diversidade de cores da natureza pelos povos indígenas através de suas pulseiras, colares e cocar. É uma apresentação cultural de cada povo, região e cultura. Estamos representados em 16 culturas, educação, línguas e artesanatos diferentes e apresentando ao Acre, ao Brasil e ao mundo”, enfatizou Eldo Shanenawa.
“Os nossos antepassados plantavam o algodão, colhiam, e fiavam até virar o ponto de linha e começavam a tecer. Então os nossos amigos começaram a se interessar e passamos a vender para ajudar na renda da nossas famílias”, acrescenta a artesã Same Huni Kui, na companhia da mãe Bune Huni Kui. Ambas são da Aldeia Pinuya, nas proximidades do município de Tarauacá.
Exposição cultural e representativa
Com apoio das mulheres e filhas, Keã Huni Kui, registrado com o nome de Antonio Carlos da Silva, expõe brincos, colares, pulseiras e materiais de tecido. Enquanto o artesão produz os materiais com sementes e linhas, as mulheres tecem roupas e bolsas com os desenhos tradicionais, os Kenês.

O artesão Keã Huni Kuî convidou o público para apreciar a feira do I Fórum Indígena. “Apresentaremos o artesanato indígena e atenderemos com carinho”, ressaltou. Foto: José Caminha/Secom.
“Os Kenês representam símbolos de sabedoria e transformação, como o rabo do jacaré, que tem um significado de tiro certeiro. Cada desenho tem um significado diferente”, detalhou o artesão que também expõe os artesanatos, de segunda a sexta-feira, no Espaço Kaxinawá, no centro de Rio Branco.