O mudo artístico, principalmente da música, foi pego de surpresa na manhã desta segunda-feira (17), com a morte do pianista, compositor e arranjador João Donato, aos 88 anos. Sua morte gerou uma onda de manifestações de solidariedade e homenagens nas redes sociais.
Parceiro musical dos principais expoentes da bossa nova — como Tom Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto —, o multi-instrumentista foi celebrado pela qualidade da obra, mas também pela inventividade e pela irreverência com que conduziu a carreira. Era provavelmente o acreano, nascido em Rio Branco, mais conhecido no mundo.
Vários fãs comentaram nas redes sociais do músico que ele é “eterno”. Personalidades da música e do entretenimento também lamentaram a perda de alguém que consideravam um “mestre”.
“Gratidão por tudo! Beijo imenso na família que tanto gosto”, escreveu a cantora Maria Gadu, nos comentários da publicação que confirmou a morte, no Instagram de Donato.
Assim como a cantora Gaby Amarantos, o apresentador Felipe Andreoli agradeceu pela vida e obra do artista, a quem também chamou de “mestre”.
Já a apresentadora Cissa Guimarães publicou uma série de emojis de estrela e outros simbolizando alguém que chora pela perda, e André Abujamra homenageou Donato com símbolos de coração.
“Você é luz, mestre”, destacou a cantora Kell Smith.
A cantora e atriz Simone Mazzer, por sua vez, se disse “muito grata” por tudo o que Donato fez pela música no mundo. “Por aqui, seguimos ficando um pouco mais órfãos, mais caretinha. Vá em paz, mestre”, completou ela.
No Acre, onde o artista tinha amigos e parentes, também houve manifestações de pesar. Uma delas partiu do cantor e compositor Sérgio Souto, também artista acreano que como Donato se consagrou no Brasil pela força de sua arte. “Morre João Donato, João do mato, João do Brasil e João do mundo. Nós acreanos estamos tristes”, disse Sérgio Souto. “São os ciclos da vida em ação. É o João enriquecendo as orquestras e se juntando aos bambas do andar de cima”, acrescentou.
Para o autor de canções como “Falsa Alegria”, “ficamos pobres… a música hoje está triste”. Mas nem tudo é tristeza, segundo sua definição; “Que o Senhor do Universo o receba com sua banda celestial. Adeus João!”, disse o artista de Sena Madureira.
Familiares do artista, que ainda vivem no Acre, como professor aposentado Antônio Tavares Monteiro, da Universidade Federal do Acre (Ufac), sobrinho do artista. Tavares soube da morte em João Pessoa, onde passa férias, e lamentou a perda de Donato. “Era um artista grandioso. O mundo fica mais pobre sem sua arte”, disse Tavares, que não tinha contato com o primo, apesar do parentesco em primeiro grau.
Professor aposentado Antônio Tavares Monteiro, da Universidade Federal do Acre (Ufac)/Foto: Reprodução
“Quando estudava no Rio, ele vivia nos Estados Unidos. Visitei muitas vezes a mãe dele, tia Lay, que morava na Tijuca. Uma vez, uma única vez, me encontrei com ele após um show em Petrópolis”, contou Tavares.
O contato maior do artista era com a prima Acirema Gomes, irmã de Tavares, que mora em Paris, na França, e que soube da morte do primo famoso em Rio Branco, onde visita familiares nos últimos dias. Ela esteve com o artista recentemente.

