O lĂder espiritual preso por suspeita de abuso sexual, na quarta-feira (2), usava um chá indĂgena, denominado hoasca, para dopar as mulheres e praticar os abusos em Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá, de acordo com a delegada responsável pelo caso, Ana Caroline Lacerda.
Outros dois casos também foram registrados em Sinop e Alta Floresta, ao norte do estado, contra o mesmo suspeito e pela mesma prática criminosa. Em depoimento, o suspeito negou as acusações.

Chá era feito dentro do centro religioso em MT — Foto: Giordano Novak Rossi
Ao g1, a delegada Lacerda contou que o suspeito se aproveitava da posição que tinha dentro do centro religioso para praticar os crimes durante os rituais. Ele teria levado atendimento espiritual nas outras duas cidades.
“Era um chá que elas [vĂtimas] nĂŁo estavam acostumadas a tomar no centro religioso. Algumas eram frequentadoras do centro há algum tempo, outras ele já praticava na primeira sessĂŁo e elas nem retornavam”, contou.
Lacerda disse que as vĂtimas tinham um perfil semelhante. Todas elas tinham algum problema pessoal e apresentavam alguma fragilidade emocional.
“Isso fazia com que elas acreditassem no que ele falava e acabavam se submetendo ao ritual, na esperança de que melhorassem”, afirmou.
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Bebida tem origem em plantas encontradas na floresta amazônica. — Foto: Lucas George Wendt / Unsplash
As investigações apontam que o suspeito agia por meio de manipulação psicolĂłgica, sob argumentos de conexĂŁo e troca energĂ©tica, colocando de forma fraudulenta na mente das vĂtimas, a necessidade de realização de um ritual espiritual.
Acreditando que receberia uma cura espiritual, as vĂtimas deixavam que o suspeito realizasse toques corporais, que configuraram atos libidinosos, chegando em um dos casos ao ato sexual, apĂłs ingestĂŁo de um chá indĂgena.
Hoasca
A bebida tem origem em plantas encontradas na floresta amazĂ´nica com potencial alucinĂłgeno. O produto possui alguns ingredientes ativos, como:
- N, N-dimetiltriptamina (ou DMT);
- Alcaloides harmala, um composto quĂmico que impede a decomposição da droga no corpo.
Aqueles que bebem ayahuasca — como a planta também é conhecida —, relatam ver formas e cores e ter alucinações, às vezes aterrorizantes, que podem durar horas. Nesse estado de sonho, alguns dizem que encontram parentes mortos.
As raĂzes sĂŁo usadas há centenas de anos por grupos indĂgenas na AmazĂ´nia. No sĂ©culo passado, no Brasil e em outros paĂses da AmĂ©rica do Sul, surgiram igrejas na AmĂ©rica do Sul, onde a ayahuasca Ă© legal.
No Brasil, algumas das igrejas que ministram a planta tĂŞm como inspiração uma mistura de influĂŞncias cristĂŁs, africanas e indĂgenas.